Grande Futebol
Balotelli disse adeus à polémica, sai de Nice como herói e vislumbra a seleção
Fernando Gamito
2018-05-16 16:00:00
As duas épocas no OGC Nice com números que impressionam levaram o novo selecionador italiano a mencionar Balotelli.

Muitas vezes vilão, agora herói. Foi sob esse semblante que Mario Balotelli se despediu do OGC Nice, com direito a volta olímpica e assinatura de autógrafos, momentos que não fazem parte do habitual repertório do avançado italiano. Na maioria das vezes, o atacante está no centro das atenções pelos golos que marca ou pelos episódios que protagoniza fora do relvado, mas desta feita esteve em destaque pela volta de agradecimento aos adeptos realizada após a última partida em casa do emblema da Côte d’Azur nesta época. Foi no passado domingo, após o triunfo do Nice sobre o SM Caen (4-1) e o gesto deixou todos os amantes do desporto rei com um sorriso na cara.

Foi desta forma que Balotelli coroou duas temporadas com a camisola do Nice, nas quais os números que alcançou dentro das quatro linhas até fazem esquecer todas as polémica em que já se viu envolvido durante a carreira. Ao todo, foram 43 os golos que marcou em 65 jogos realizados pelo Nice, com ainda uma jornada por disputar na Liga Francesa esta época. Em 2017/18, o número de remates certeiros é de 26, dois deles a terem lugar no passado domingo, nos primeiros onze minutos do jogo, na despedida do italiano do estádio Allianz Riviera. Em final de contrato com o clube gaulês, o adeus de Balotelli fez-se de cumplicidade com os aficionados, mas também com um momento como só ele sabe. “Vamos todos para a festa hoje à noite”, disse o jogador de 27 anos para os adeptos.

Com a saída do Nice à vista, muitos têm sido os rumores em torno do futuro de Balotelli, com o agente Mino Raiola a dar conta de que o italiano está pronto para regressar ao país de origem ou à Liga Inglesa. “O Mario está preparado para regressar, ele amadureceu-se num dos dez melhores avançados do mundo. Em Itália, ele é o número um. Ele vale 100 milhões de euros, mas está livre para assinar e, assim sendo, é uma ‘pechincha’”, considerou o empresário do jogador em declarações citadas pela imprensa inglesa em abril. “Estou a negociar com muitos clubes de Inglaterra e Itália. Falei com a Juventus, a AS Roma, o SSC Nápoles e o Inter Milão”, referiu ainda Raiola. O rumor mais recente aponta Balotelli ao Borussia Dortmund. De acordo com a Mediaset Premium, a possível ida de Lucien Favre, atual treinador do Nice, para o comando técnico do clube alemão, pode levar à aquisição de Balotelli, a custo zero.

Por falar em Favre, deve ser recordado que nem sempre a relação do treinador com Balotelli foi a melhor. Depois de um empate com o Stade Rennais, no início de abril, o técnico colocou em causa o empenho e vontade de jogar do italiano. “Não quero falar muito disso, mas não houve movimento suficiente. Simplesmente, há que ter a vontade para fugir à marcação e dar uma opção ao colega de equipa”, referiu o timoneiro. Até um dos próprios colegas de equipa, mais precisamente Valentin Eysseric, apontou a falta de empenho de Balotelli. "É uma pena vê-lo [Balotelli] baixar os braços. Nós vemo-lo treinar todos os dias e vemos que é um grande jogador. Mas parece que não quer nada connosco. É desapontante. O treinador exige o máximo de todo o plantel, e não aceita que ninguém tire o pé do acelerador. Foi o que aconteceu com o Mario", referiu o médio à imprensa francesa também depois desse dito empate.

Do que aconteceu no passado para o futuro, a verdade é que as duas épocas a bom nível em Nice permitem a Balotelli até voltar a sonhar com a chamada à seleção italiana e o avançado até foi um dos nomes mais falados na apresentação do novo selecionador transalpino, Roberto Mancini. “Vamos conversar com ele e provavelmente chamá-lo”, referiu o novo timoneiro da seleção de Itália sobre Balotelli, que esteve de fora das contas do ex-selecionadores italianos Antonio Conte e Luigi Di Biagio.

De facto, Mancini está bem familiarizado com o avançado, que já treinou no Manchester City e que lançou no Inter Milão. A relação entre os dois sempre foi de “cão e gato”, com muitas desavenças, tal como Sergio Agüero revelou na sua biografia. “A relação do Balotelli com o Mancini sempre me fez sorrir. Eles lutavam como cão e gato durante os treinos e depois andavam com os braços à volta dos ombros do outro. Diziam palavrões e gritavam um com o outro, mas depois eram como pai e filho. Muitas vezes fazíamos peladinhas nos treinos e o Mancini também participava. O Mario dizia ‘eras uma mer** quando jogavas… e era muito mais fácil antes do que é agora’. O Mancini respondia ‘tu não conseguirias jogar antes nem agora!’ Era uma comédia.” Fica por saber se esta relação de treinador/jogador irá fazer parte do dia-a-dia da seleção italiana.

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