Grande Futebol
Albert Gudmundsson, o fiel herdeiro da família real do futebol islandês
2018-06-27 14:40:00
Gudmundsson estreou-se ontem em Campeonatos do Mundo e fez justiça à principal família futebolística da Islândia.

Rostov, junho de 2018. O Campeonato do Mundo terminou inglório para a seleção da Islândia. Depois da surpresa no Europeu de 2016 disputado em França, no qual a equipa nórdica chegou aos quartos de final da competição, na Rússia, a Islândia não foi além da fase de grupos não vencendo qualquer jogo na competição. Tal como para a seleção islandesa em si, como para os adeptos islandeses, também o Mundial russo não foi particularmente positivo para Albert Gudmundsson, nova coqueluche do futebol do país. O jovem avançado do PSV não foi além de cinco minutos de jogo durante o Mundial, porém, diz a história da família, que o futuro de Gudmunsson será brilhante.

Nanning, China, janeiro de 2010. Na estreia pela Islândia, Albert Gudmundsson não foi além de uns poucos segundos em campo após substituir Björn Sigurdarson já em cima do apito final numa altura em que a Islândia já vencia a China por 2-0. Naquele jogo, porém, Albert Gudmundsson fez história: Albert tornou-se no quarto membro da família a ser internacional pela seleção islandesa e elevou a família à quarta geração de futebolistas internacionais pela Islândia. A herança de Gudmundsson é pesada, mas tudo aponta para que o jovem de 21 anos do PSV esteja à altura.

Surgido na equipa principal do PSV esta temporada, Albert Gudmundsson ainda aguarda por festejar o primeiro golo ao serviço da equipa de Eindhoven, porém, são as indicações deixadas ao nível do futebol mais jovem que permitem antever um futuro brilhante a Gudmundsson, ao lado de Jón Dagur Thorsteinsson do Fulham, as duas grandes promessas do futebol islandês atual. Ao serviço do PSV, esta temporada, Gudmundsson participou já em 12 jogos, mas foi ao serviço da equipa B que festejou. 10 golos em 16 jogos, para sermos mais precisos, porém, o jovem islandês deixou já a sua marca na seleção com três golos apontados à Indonésia em janeiro deste ano. Aí, Gudmundsson voltou a fazer história. Pela quarta geração consecutiva, a família de Albert festejou um golo ao serviço da seleção islandesa.

Golos pela seleção islandesa não faltam na família de Albert Gudmundsson. O pai, agora um reputado comentador televisivo no país nórdico, foi internacional islandês em dez ocasiões, nas quais festejou dois golos, ao longo de uma carreira passada ao serviço de clubes nacionais. Na família de Albert, nem a mãe escapou ao facto de ter sido internacional pela Islândia. Kristbjörg Helga Ingadóttir foi também internacional pela Islândia em quatro ocasiões, porém, sem ter festejado qualquer golo, algo que os avôs compensaram.

Ingi Björn Albertsson, pai de Kristbjörg Ingadóttir, foi internacional islandês em 15 ocasiões, apontou dois golos pela Islândia, mas foi no campeonato local que deixou a sua marca: Entre 1987 e 2012, Albertsson deteve o título de melhor marcador da história da primeira divisão islandesa com 126 golos marcados ao longo de uma carreira de 21 anos, quase todos passados ao serviço do Valur onde a mãe e o pai de Albert Gudmundsson também jogaram. Nenhum membro da família de Albert Gudmundsson, porém, foi tão relevante quanto o bisavô, pai de Ingi e avô de Kristbjörg: também ele Albert Gudmundsson.

Albert Gudmundsson, o original, passou por clubes como o Milan e o Arsenal - onde foi somente o segundo estrangeiro da história do clube -, tornando-o no primeiro jogador profissional da história do futebol islandês e também o primeiro a sair da Islândia para jogar nos campeonatos continentais corria a década de 40 do século XX. Um homem tão importante no país que chegou mesmo a ser Ministro das Finanças e Ministro da Indústria da Islândia, candidatando-se mais tarde a uma presidência que nunca viria a alcançar. Pela seleção de Islândia fez seis jogos e apontou dois golos, numa carreira que passou também pela Escócia ao serviço do Rangers e por França em representação do Nancy, do RC Paris e do OGC Nice. E, claro, em casa, ao serviço do... Valur.  

Albert Gudmundsson tinha algum jeito para o futebol, mas foi por questões académicas que surgiu em Glasgow, tendo viajado para a Escócia em 1944 para estudar Gestão num universidade da capital industrial escocesa. Em Glasgow deu nas vistas ao ponto de suscitar o interesse do Arsenal, clube pelo qual acabou por jogar apenas dois encontros na liga inglesa nos dois anos que representou os londrinos, sempre limitado por questões burocráticas relacionadas com a obtenção de um visto de trabalho que permitisse torná-lo profissional. No último encontro pelo Arsenal, um amigável perante o Racing Club de France, suscitou o interesse de olheiros franceses e rumou a Nancy. Por fim, Albert Gudmundsson tornou-se profissional, o primeiro da história do futebol islandês.

Em França, Gudmundsson encantou. Ajudou o Nancy a uma temporada tranquila na liga francesa ao ponto de mais uma vez suscitar interesse alheio, desta vez, por parte do Milan onde passou a ser chamado de Pérola Branca e abriu caminho à “invasão nórdica” que se seguiu no emblema rossoneri. Na época de estreia pelos italianos, em 1948/49, fez 14 jogos, apontou dois golos, até que uma lesão no joelho lhe terminou a temporada mais cedo. O Milan recusou-se a ajudar Gudmundsson com o tratamento dado o risco que estava implicado, mas o avô de Albert não desistiu de continuar o sonho de futebolista. Arranjou forma de sustentar a própria operação e prosseguiu carreira em França apesar do interesse do Inter. No regresso a França assinou pelo último clube que havia defrontado ao serviço do Arsenal e durante três temporadas foi o melhor marcador do RC France de Paris. Ainda passou novamente pelo Nancy antes de regressar a casa para terminar a carreira ao serviço do Valur ao mesmo tempo em que abriu um negócio de venda de produtos franceses importados.

Após terminar a carreira, Albert Gudmundsson enveredou pela política e além das pastas das Finanças e da Indústria, foi eleito embaixador islandês em França e representou o país nórdico na UNESCO. Faleceu aos 70 anos, em 1994, três anos antes do nascimento do neto que hoje representa o PSV e é uma das grandes esperanças do futebol islandês. O avô abriu-lhe as portas e, hoje, Albert, é o herdeiro da família real do futebol islandês.

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