Grande Futebol
A história do militar, amigo de Putin, que perdeu a cabeça
António José Oliveira
2018-03-13 11:00:00
Ivan Savvidis, presidente do PAOK, invadiu o relvado armado. E o governo grego suspendeu o campeonato

Completa 59 anos a 27 de março, chama-se Ivan Savvidis e tornou-se conhecido internacionalmente ao entrar armado em campo no PAOK-AEK, o que levou o governo da Grécia a suspender o campeonato face a um dos maiores escândalos da história do futebol daquele país. Mas afinal, de quem estamos a falar? Quem é este Ivan Savvidis, que deixou a Europa incrédula? Meio grego, meio russo, amigo de Vladimir Putin, nasceu em 1959 na república soviética da Geórgia, é um dos multimilionários da moda, dono de várias empresas ligadas ao tabaco, comércio de carnes e produtos agrícolas.

O presidente do PAOK foi membro da Duma, o parlamento russo, e tem um passado ligado ao exército onde chegou a ser major. A riqueza financeira ajudou-o a entrar no mundo do futebol e há sensivelmente seis anos decidiu comprar o então falido PAOK. O clube grrgo não constituiu, todavia, a sua primeira incursão pelo futebol, tendo em conta que antes já havia sido presidente de outros clubes na Rússia, como o Rostov, o SKA Rostov e o Viktor Ponedelnik.

Os seus tentáculos vão, no entanto, muito para além do futebol. Na Grécia, Ivan Savvidis, casado, pai de dois filhos, é dono de um grupo de comunicação, vários complexos hoteleiros, ao ponto de em Salónica ser considerado o homem mais poderoso da cidade. Tem licença de porte de arma, anda sempre com possantes guarda-costas e foi neste contexto que se arvorou no direito de invadir o relvado. Entrou armado em campo com uma pistola à cintura e terá ameaçado de morte o árbitro da partida diante do AEK, depois de o juiz ter anulado um golo à formação de Salónica por fora de jogo, minutos depois de o ter validado. Foi perto do final que o português Vieirinha (PAOK) bateu um canto à direita, o central Fernando Varela saltou na grande área, cabeceou e bateu o guarda-redes Vasilios Barkas. Giorgos Kominis, o árbitro, validou o golo. Mas poucos minutos depois, após conversar com os seus assistentes, anulou-o. Por um motivo muito simples: o médio Maurício, em fora-de-jogo, não toca a bola mas tem intervenção direta no lance.

Face ao incidente, face à invasão de campo, o governo grego tomou a decisão de suspender o campeonato. De resto, também esta segunda-feira, a polícia grega emitiu um mandato de detenção a Savvidis e a quatro outras pessoas, segundo tudo indica os seus seguranças privados, que também invadiram o terreno de jogo.

O ministro-adjunto de Cultura e Desporto, Yorgos Vassiliadis, já veio a público declarar que o governo não vai permitir que se desprestigie o futebol grego. "O que vimos é um ataque à honra do futebol grego, com danos para um clube e para os seus adeptos. Alguém entrar em campo com uma pistola na mão é uma provocação inadmissível, independentemente do que aconteceu", afirmou o ministro do Interior daquele país, Panos Skurletis, em declarações à agência de notícias grega AMNA.

O treinador do AEK, Manolo Jiménez, contou à imprensa espanhola o que se passou no jogo da sua equipa com o PAOK. "O que me parece lamentável é que um presidente entre em campo para ameaçar o árbitro e o banco da equipa adversária. Isto é de loucos, não entendo. Nem num filme do Clint Eastwood", afirmou o treinador. "Os jogadores refugiaram-se no balneário e depois de duas horas o árbitro queria que voltássemos ao campo para jogar os cinco minutos que faltavam. Mas o nosso presidente avisou logo que não o faríamos naquelas circunstâncias." O árbitro acabou, depois, por validar o golo que deu a vitória ao PAOK e Manolo Jiménez não entende porquê. "Cinco árbitros já vieram dizer que é fora de jogo claríssimo. Há duas semanas o treinador do Olympiacos foi agredido no campo do PAOK, abriram-lhe o lábio. Deram a vitória ao Olympiacos, retiraram três pontos ao PAOK e fecharam-lhes o campo. Depois, na última madrugada voltaram a dar-lhes os três pontos e abriram as portas do seu estádio! Tiram-lhes três pontos, a seguir devolvem-nos, fecham o estádio, depois abrem, isto acontece uma e outra vez. Sempre no mesmo sítio", refere, indignado, o responsável técnico do AEK.

 

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