Grande Futebol
Paulo Sousa e a "cultura inteira" de um Bordéus "ambicioso" e "protagonista"
2019-10-07 19:50:00
Bordéus ocupa o quarto lugar na Ligue 1

A expressão "depois da tempestade vem a bonança" é um exemplo perfeito para definir a aventura francesa de Paulo Sousa. Depois de seis derrotas consecutivas e uma vitória em Caen, o Bordéus terminou a temporada passada debaixo do escrutínio dos críticos, com o técnico português a ser contestado pouco depois de ter chegado. 

Paulo Sousa rendeu Bedouet no passado mês de março e, desde aí, aproveitou todas as oportunidades para sublinhar as suas idéias e princípios de jogo que lhe valeram sucesso no Basileia e, mais recentemente, na Fiorentina. 

A vitória de sábado frente ao Toulouse (3-1), que valeu a ascensão do Bordéus ao quarto lugar da Ligue 1, foi o espelho do modelo idealizado pelo português: uma equipa disciplinada defensivamente, muito organizada e com habilidade para se projetar rapidamente no ataque. 

"Disse aos jogadores que precisávamos de jogar de forma ambiciosa", disse na conferência de imprensa, sustentando uma recente entrevista ao 'Football Ramble Daily'. "A equipa precisa de se expor, de ser protagonista. É uma abordagem totalmente diferente a nível mental, por isso leva tempo. Temos de ser honestos e leais em tudo o que fazemos e acho que os adeptos podem sentir que nós e os jogadores estamos a trabalhar nos limites". 

De resto, escreve o 'Goal', Paulo Sousa deseja que esta abordagem e atitude seja transversal a todas as áreas do clube, dos jogadores até aos 'escritórios'.

"É uma cultura inteira, porque há várias maneiras de determinar a vitória. Uma delas é reestruturar o clube por dentro: administração, decisores, líderes e a própria equipa. Têm de ter a mesma visão que eu e apoiar-me para formarmos uma equipa melhor, com mais possibilidades. Acima de tudo devemos ter uma cultura de vitória e isso não se faz num estalar de dedos, precisamos de ser consistentes", referiu. 

No entanto, Paulo Sousa viu esse "apoio" ser menor do que aquilo que esperava. A relação do português com os investidores não foi fácil: Badelj, Kalinic, Oudin ou Sliman foram jogadores pedidos pelo técnico mas que não chegaram a Bordéus. Paulo Sousa 'reinventou-se' e viu a defesa ser reformulada com nomes como Koscielny ou Mexer. No ataque, De Préville tem sido a figura de proa, num setor onde Otavio e Chouameni mostram subidas de rendimento. 

À nona jornada, o Bordéus ocupa a quarta posição da Ligue 1, com duas derrotas (Angers e PSG), três empates e quatro vitórias.