Grande Futebol
60 horas de viagem para ver o Boca-River e voltar para casa de mãos a abanar
2018-11-11 14:00:00
E ainda houve quem tivesse abandonado a Argentina só para ver o jogo na televisão devido a questões religiosas

Há adeptos e... fanáticos. Não é surpresa nenhuma que o dérbi de Buenos Aires entre Boca Juniors e River Plate, um dos maiores do planeta, mexe com multidões, ainda para mais se estivermos a falar de uma final da Copa Libertadores, mas há casos que, ainda assim, impressionam. E o adiamento da primeira mão, que se devia ter realizado este sábado mas vai ter o apito inicial este domingo devido à forte e intensa chuva que se fazia sentir, estragou longos e caros planos.

Isamu Kato é um japonês que ama o Boca Juniors como se tivesse nascido na própria Bombonera. O jornal 'Olé' diz que Kato vive em Saitama, cidade no Japão, trabalha numa empresa de produtos medicinais e acompanha o Boca Juniors desde que o clube venceu a Taça Intercontinental contra o Real Madrid em 2000. Quando os 'xeneizes' se qualificaram para a final da Libertadores, Kato garantiu a viagem para a capital argentina e o bilhete para a partida. Contudo, foi preciso uma verdadeira odisseia para chegar ao estádio do Boca Juniors, o que é uma prova do amor que o nipónico tem pela formação sul-americana.

"Cheguei às onze da noite [de nove de novembro] e volto para o Japão às onze da noite. Foram 33 horas para vir e 60 no total, mais ou menos. Vou estar em Buenos Aires 24 horas. Pedi ao meu chefe para me dar um dia de férias para vir à Argentina. É o jogo mais importante da minha vida. A viagem custou-me 2400 dólares e decidi vir a Buenos Aires quando o Boca se qualificou para a final [da Libertadores]", disse Isamu Kato à 'TyC Sports'.

Assim, com a chuva a adiar o desafio, Kato já não vai estar presente e volta para o Japão "para trabalhar", como o próprio explicou no Twitter. Tanto dinheiro, dias de férias e muito tempo perdido para perder o jogo de uma vida. Pior: Isamu Kato só vai saber o resultado da partida que, afinal, vai acontecer este domingo pelas 19h00 (portuguesas) várias horas depois, visto que estará num avião a caminho do Japão. A justiça nem sempre ajuda aqueles que mais merecem.

Também existe quem seja adepto do Boca e tenha saído da Argentina para ver a partida. Confuso? É normal, mas passamos a explicar. O Superclásico estava marcado para a tarde de sábado na Argentina e o Sabat, tradição judaica que começa no pôr-do-sol de sexta-feira e termina no pôr-do-sol de sábado, impedia que muitos judeus assistissem à partida. Assim, um grupo de judeus que têm o Boca Juniors como clube preferido decidiu viajar até Barcelona, onde o encontro já ia ser disputado durante a noite, e ver a transmissão telvisiva.

"Quando o Boca joga aos sábados nós não vamos ao estádio porque respeitamos a nossa religião. Quando se deifiniu que as finais se jogavam a 10 e 24 de novembro começámos a perguntar nos nossos grupos no WhatsApp como íamos fazer para ver este jogo histórico. Alguém fez a proposta de viajar até Espanha e ver lá o jogo. Com a diferença horária, em Barcelona o Boca-River arranca às nove da noite e o Sabat já terminou. Parecia um delírio, mas muitos alinharam. No total, são 35 pessoas que chegam a Espanha de madrugada, passam o Sabat, veem o partido e voltam", disse Ramón, um sócio do Boca, ao jornal 'La Nación'. Mal eles sabiam que o jogo ia ser adiado para... domingo.

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