Fora da Bancada
Rui Rio exige demissão de Mário Centeno
2020-05-13 19:50:00
“Não tem condições para continuar”, defende, após novo capítulo sobre injeção de capital no Novo Banco

No Parlamento, Mário Centeno comentou a controvérsia em torno da injeção de capital no Novo Banco e foi duro para com o PSD, acusando os sociais-democratas de quererem criar um caso para conquistar mediatismo.

“[A injeção de capital] não foi à revelia e não há nenhuma decisão do Governo que não passe pelo Conselho de Ministros. Nem assinamos resoluções desastrosas na praia”, afirmou Mário Centeno, num ataque feroz ao PSD.

“Não decidimos resoluções desastrosas que se arrastam por anos, para tentá-las salvar por uma saída limpa”, continuou o titular da pasta das Finanças, visando sempre os sociais-democratas.

 “Não se façam de virgem esquecidas e abandonadas de cada vez que há uma injeção de capital no Novo Banco, porque essa injeção de capital foi determinada a partir do dia 3 de agosto de 2014, na mais desastrosa e ruinosa determinação bancária alguma vez feita na Europa”, insistiu.

O PSD já reagiu, pela voz do presidente do partido. Igualmente ao ataque: “Se estava mal, com esta prestação na Assembleia da República, Centeno ainda ficou pior".

Segundo Rui Rio, Mário Centeno "não tem condições para continuar" no cargo.

"Mal vai um primeiro-ministro que mantém um ministro que não lhe foi leal, que tem a crítica pública do Presidente da República, que a bancada do PS não defendeu e que diz ser irresponsável fazer o que o primeiro-ministro anunciou”, escreveu Rui Rio, no Twitter.

No início do debate de atualidade sobre aquela instituição bancária, o PSD fez saber que irá apresentar uma iniciativa para injeções de capital no Novo Banco impliquem uma informação prévia aos deputados.

A permanência do ministro das Finanças no executivo foi questionada, tendo por base contradições entre o discurso de Mário Centeno e o do primeiro-ministro, bem como com o do Presidente da República.

Recorde-se que o Expresso noticiou na quinta-feira que o Fundo de Resolução recebeu mais um empréstimo público no valor de 850 milhões de euros, para recapitalizar o Novo Banco, horas depois de o primeiro-ministro ter assegurado que não haveria mais apoios, até que fossem conhecidos os resultados da auditoria ao Novo Banco, que está em curso.

No dia seguinte, o António Costa referiu que não tinha sido informado por Mário Centeno do pagamento daqueles 850 milhões de euros. O chefe do executivo apresentou um pedido de desculpa ao Bloco de Esquerda, uma vez que prestara informação errada, na véspera.

Na terça-feira, em entrevista à TSF, o titular da pasta das Finanças admitiu uma falha de comunicação entre o Ministério das Finanças e o primeiro-ministro.

Hoje, o Presidente da República considerou que o primeiro-ministro "esteve muito bem" ao remeter nova transferência para o Novo Banco para depois de se conhecerem as conclusões da auditoria que abrange o período 2000-2018.

A ‘novela’ prosseguiu no Parlamento, com Centeno ao ataque e Rui Rio no mesmo registo.