Prolongamento
“Um escândalo”. Ana Gomes revoltada com isenções fiscais da Champions
Redação
2020-07-06 12:55:00
Governo aprovou diploma que isenta pagamento de IRC e IRS à UEFA e aos promotores da Liga dos Campeões em Lisboa

O Governo aprovou uma isenção fiscal, concedida à UEFA e aos organizadores da final da Liga dos Campeões, que desse modo não terão de pagar IRC ou IRS dos lucros obtidos na realização da final da oito, que se disputa em Lisboa.

A ex-eurodeputada Ana Gomes considera que a decisão “é um escândalo” e contraria “todos os desígnios da fiscalidade”. No seu espaço de comentário, na SIC Notícias, a ativista contra a corrupção repetiu a palavra “escândalo”.

“Esta questão pôs-me doente. E espero que ponha os portugueses doentes. Isto é um escândalo, à custa dos meus impostos, dos seus impostos e dos impostos de todos os portugueses”, afirmou.

A isenção fiscal é uma prática habitual em organizações de provas internacionais e constitui mesmo uma exigência da UEFA, quando decide entregar a realização de uma competição a um país. Nem assim Ana Gomes altera o seu discurso.

“Estar a dar isenções à Champions e aos clubes de futebol, em sede de IRC e IRS, à conta de que foi assim no passado, ou porque a UEFA assim o exige como contrapartida? Isto é intolerável em tempos de covid-19, em tempos de necessidade do erário público para atender aos cidadãos”, defendeu.

Ana Gomes lembrou ainda que escreveu uma carta à presidente da Comissão Europeia e ao primeiro-ministro, “a pedir a suspensão imediata desta medida”. “Isto é absolutamente intolerável e tem de mobilizar os portugueses”, justificou.

“Já não achei piada nenhuma à cena da Champions vir para cá, neste contexto. E ainda vamos ver o que há de positivo. Agora, à custa dos meus impostos e à conta dos portugueses que pagam impostos?!”, insistiu.

Recorde-se que a UEFA entregou a Lisboa a organização da fase decisiva da Liga dos Campeões, com uma final a oito, que se disputa nos estádios da Luz e Alvalade, entre 12 e 23 de agosto.

O Governo, entretanto, aprovou uma proposta que isenta o pagamento de impostos em Portugal, por parte dos promotores da competição.

O executivo justifica que é prática comum e que evita assim uma dupla tributação, já que alguns desses promotores estão obrigados a pagar impostos nos países onde têm sede.