Portugal
Projeção para a Liga: FC Porto ou Sporting campeões, consoante o modelo
António Tadeia
2018-01-10 13:35:00
A segunda volta da época passada garante o título aos dragões, mas a repetição de resultados dá o troféu ao Sporting.

Chegados a meio do campeonato, é altura de fazer balanços e, mais ainda, projeções. Ora nestas coisas há basicamente três modelos. Um é intuitivo e por isso mesmo altamente subjetivo: olha-se para as equipas e mandam-se palpites. Outros, mais objetivos, recorrem aos resultados que as equipas fizeram na época passada e projetam o futuro com base nesse passado recente. O que é curioso é que, mesmo entre estes, cada um dá um campeão diferente: se somarmos às pontuações atuais os resultados que as equipas fizeram na segunda volta de 2016/17, será o FC Porto a festejar o título; se, em contrapartida, somarmos às pontuações atuais os resultados que as equipas fizeram na época passada nos jogos que lhes faltam, o campeão será o Sporting, com festa feita na penúltima jornada, contra o Benfica, em Alvalade.

Primeiro alerta: é evidente que as equipas que estão em prova neste campeonato não são as mesmas da época passada. Nem dentro de portas – mudaram de jogadores, de treinadores – nem sequer fora, porque Arouca FC e Nacional desceram e Portimonense e CD Aves subiram. Para efeitos deste exercício, que é uma mera curiosidade, optámos por substituir o penúltimo da derradeira Liga (o Arouca FC) pelo campeão da II Liga (o Portimonense) e o último da Liga passada (o Nacional) pelo segundo colocado da II Liga (o CD Aves). Será injusto para as equipas que subiram, que assim ficariam condenadas às performances pobres dos que desceram, mas isso reflete-se sobretudo na luta pela manutenção e absolutamente nada na guerra pelo título: é que nenhum dos três maiores candidatos perdeu na época passada pontos nos jogos que ainda lhes faltam contra esses adversários.

Assim sendo, o primeiro exercício é o mais fácil de fazer. Comparando as primeiras voltas desta época com as da época passada, quem mais pontos ganhou foram o Sporting e o CD Tondela (nove), seguidos do FC Porto (sete) e do Rio Ave (três). As maiores perdas são as dos dois Vitórias: o de Setúbal fez dez pontos a menos, o de Guimarães perdeu oito. No topo da tabela, há a curiosidade de se verificar que o Benfica perdeu dois pontos relativamente ao meio do campeonato anterior e que o SC Braga ganhou um. Assim sendo, somando aos pontos que as equipas têm neste momento os que fizeram na segunda volta de 2016/17 verificamos que o FC Porto seria campeão, com um total de 83 pontos, mais três do que o Benfica e mais quatro do que o Sporting.

Andando mais para baixo na tabela, vê-se que o SC Braga acabaria na mesma por ser quarto classificado, ainda que só com um ponto de vantagem sobre o Vitória SC, a quem a repetição da segunda volta anterior valeria a quinta posição. No fundo da tabela, claramente prejudicado pela segunda volta feita no ano passado pelo nacional, o CD Aves seria último destacadíssimo, com o Portimonense a cair também, in-extremis, com um ponto a menos do que o Vitória FC. Aqui, também, seria a queda abrupta sofrida pelo Arouca FC na segunda volta anterior (passou de 23 pontos na primeira metade da época para nove na segunda) a castigar os algarvios, em cujos resultados não se encontram indícios de se poder verificar fenómeno semelhante. Curioso ainda: 28 pontos chegariam ao Vitória FC para ser o primeiro a escapar à descida, quando na época passada o Arouca FC desceu com 32. Ora veja a tabela completa:

Bem diferente – e mais emocionante – seria o campeonato se aos pontos atuais somássemos os pontos que as equipas fizeram nos mesmos jogos que ainda lhes falta disputar, tenham eles ocorrido na primeira ou na segunda volta. Mais uma vez, o Portimonense e o CD Aves assumem as cores do Arouca FC e do Nacional, respetivamente. E aqui o resultado final seria diferente, com uma luta renhidíssima pelo título a durar até à penúltima jornada: nessa altura, um empate no Sporting-Benfica (1-1) poderia até reabrir a questão do título, não fosse a escorregadela do FC Porto em casa contra o Feirense (0-0). Assim sendo, o Sporting festejaria logo ali, antes de se deslocar aos Barreiros para defrontar o Marítimo, o título de campeão nacional. Mas não nos precipitemos, que vale a pena ver como as coisas correriam, jornada a jornada.

As duas primeiras jornadas da segunda volta trariam plenos de vitórias aos três grandes, sendo o Benfica capaz de ultrapassar a difícil visita a Braga (vitória por 1-0). Na 20ª jornada, aparecem as surpresas: o FC Porto perdia com o Moreirense (1-3), mas o Sporting não aproveitava e não ia além de um empate caseiro com o Vitória SC (1-1). Resultado: FC Porto com 51 pontos, Sporting com 50, Benfica com 49. As distâncias manter-se-iam então até à 23ª jornada, quando o empate cedido pelo Benfica em casa com o Boavista (3-3) afastaria ainda mais as águias. Como na ronda seguinte a equipa de Rui Vitória voltaria a empatar (0-0 em Paços de Ferreira), tudo ficava complicado na Luz. À 24ª jornada, em vésperas de FC Porto-Sporting, a tabela seguia com os dragões à cabeça, com 63 pontos, seguidos dos leões, com 62, e pelas águias, já mais longe, com 57. O FC Porto-Sporting seria, assim, apresentado como o jogo do título. Sê-lo-ia? É o que veremos.

Como se recordam, na época passada o FC Porto ganhou ao Sporting no Dragão (2-1). Quer isso dizer que a repetição desse resultado deixaria a equipa de Sérgio Conceição bem confortável na frente: 66 pontos, contra 62 do Sporting e 60 do Benfica, que nessa semana venceria em casa o Marítimo (3-0). E a ideia de que o FC Porto disparava para o título poderia acentuar-se mais ainda, à 26ª jornada: em Chaves, o Sporting não ia além de um empate a dois. Só que, nessa mesma ronda, o FC Porto também não fazia melhor do que um empate a zero em Paços de Ferreira. É verdade que estava tudo mais próximo, mas o FC Porto ainda tinha uma vantagem boa para gerir: a oito jogos do fim, teríamos a equipa de Conceição com 67 pontos, seguida de Sporting e Benfica, empatados em segundo lugar, com 63. O problema é que parte dessa vantagem eclipsar-se-ia à 28ª jornada, um empate a zero do FC Porto frente ao Belenenses no Restelo. A seis jogos do fim, com dois clássicos por jogar, os três grandes estariam separados por dois pontos: 71 para o FC Porto, 69 para os dois de Lisboa.

O primeiro a ceder seria então o Benfica. E logo à 29ª jornada, com uma derrota em Setúbal por 1-0. O empate entre Benfica e FC Porto, na Luz (1-1), à 30ª jornada, parecia deixar tudo por decidir entre dragões e leões, que nesse momento partilhariam a primeira posição, com 75 pontos, mais cinco do que o Benfica. E, é importante não esquecer, com vantagem do FC Porto, que além de já não ter nenhum clássico pela frente, batia o Sporting no confronto direto (0-0 e 2-1). Bastaria ao FC Porto ganhar os quatro jogos que lhe faltavam para ser campeão. Só que, logo ao primeiro, surgiria a primeira escorregadela: 1-1 em casa com o Vitória FC. Na mesma jornada, o Sporting ganharia em casa ao Boavista (4-0) e isolar-se-ia na liderança. À jornada 32, nova escorregadela do FC Porto: desta vez, um 1-1 com o Marítimo no Funchal, enquanto o Sporting vencia por 2-1 em Portimão (foi o resultado de Arouca…). Faltavam dois jogos para o fim e o Sporting tinha quatro pontos de avanço. Podia ser campeão à penúltima jornada… se batesse em casa o Benfica, que seguia a cinco pontos e ainda com hipóteses matemáticas de chegar ao penta.

Só que, aí, novo golpe de teatro: o empate de Alvalade (1-1) abriria as portas à recuperação portista. Os dragões, no entanto, desperdiçariam a oportunidade, cedendo um surreal empate em casa frente ao Feirense (0-0). A uma jornada do fim – e que jornada, com o Sporting a visitar o Marítimo e o FC Porto em Guimarães – a equipa de Jorge Jesus seria campeã, pois mantinha quatro pontos de vantagem sobre o segundo. O empate na última jornada (2-2 nos Barreiros) já não teria nenhuma importância, nem sequer para o quinto lugar, que os vimaranenses teriam assegurado, podendo assim perder com o FC Porto em casa e mantê-lo.

Emocionante seria ainda a luta pela fuga à despromoção. Mais uma vez, condenado pela fraca performance do Nacional no ano passado, o CD Aves já estava sentenciado, mas a segunda vaga só seria atribuída na última jornada. Para ela, partiriam rodeados de incerteza Vitória FC (29 pontos), Belenenses (30 pontos), Portimonense (30 pontos), Estoril (31 pontos) e CD Tondela (31 pontos). Ganhando em cada ao CD Tondela (3-0), o Vitória FC desde logo escaparia. O mesmo sucederia ao Portimonense (que aproveitava o 1-0 do Arouca FC ao FC Paços de Ferreira) e ao Belenenses (que iria vencer por 1-0 o Boavista no Bessa). Tudo ficaria então nas mãos do Estoril: a derrota no terreno do Feirense mantinha os canarinhos com os mesmos 31 pontos do CD Tondela, mas com vantagem no confronto direto. O que significaria que, mesmo com o melhor arranque de sempre, a equipa beirã acabaria por descer à II Liga. Confira abaixo as posições finais.

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