Grande Futebol
PAOK, um clube a tentar reinventar a história
António José Oliveira
2018-08-15 16:00:00
Equipa de Salónica tenta apagar a má imagem deixada pelo presidente, Ivan Savvidis

"Panthessalonikeios Athlitikos Omilos Konstantinoupoliton." É este o nome oficial do adversário que o Benfica terá de ultrapassar no "play-off" da Liga dos Campeões para aceder ao pote de ouro de... 43 milhões de euros. Fundado em 1926 por cidadãos de origem grega expulsos de Constantinopla na Turquia no princípio da década de 1920, o clube de Salónica tem no futebol e no basquetebol as grandes apostas e foi recentemente notícia pelas piores razões, quando o presidente, Ivan Savvidis, um dos multimilionários da moda, meio grego, meio russo e amigo de Putin, decidiu invadir o relvado com uma arma na sequência de um golo anulado no jogo do título com o AEK, acabando banido do futebol por um período de três anos.

O clube de Salónica tenta, assim, reiventar a história em múltiplos sentidos. Não só no intuito de deitar para trás das costas os tristes acontecimentos da última época, como também na tentativa de pela primeira vez conquistar um lugar na fase de grupos da liga milionária. Campeão da Grécia por duas vezes (1976 e 1985) e vencedor da Taça em seis ocasiões, a última das quais na última época, o melhor que o PAOK conseguiu a nível europeu foi chegar aos quartos de final da antiga Taça dos Campeões, em 1973/74, caíndo aos pés do poderoso Milan.

A formação grega foi a grande surpresa do último campeonato, ao terminar na segunda posição, à frente do Olympiacos e a seis pontos do campeão AEK, conquistando a Taça da Grécia. O grande destaque da equipa de Salónica, onde alinha o internacional português Vieirinha, vai para o ponta de lança Aleksandar Prijovic. O internacional sérvio foi o melhor marcador do campeonato da última época com 19 golos apontados e esteve nos eleitos de Mladen Krstajic no último Mundial.

Orientada por um Lucescu, não o veterano e reconhecido Mircea, mas o mais jovem Razvan, de 49 anos, filho do mago, oriundo de outra geração do futebol romeno, a equipa surge habitualmente disposta num 4x2x3x1. Alex Paschalakis, que foi dado como possível guarda-redes do Sporting ainda antes da chegada de Viviano a Alvalade, é o guardião titular, atrás de uma defesa habitualmente composta pelo brasileiro Léo Matos, um lateral aventureiro, pelo espanhol José Ángel Crespo, que faz parceria na zona central da defesa com o cabo verdiano Fernando Varela, antigo jogador de Estoril, Trofense e Feirense, e pelo português Vieirinha, agora convertido a lateral-esquerdo. No meio campo, Maurício, brasileiro ex-Zenit, e outro espanhol, Cañas, jogam como médios mais recuados, atrás de um trio formado por Limnios, Pelkas, que em 2014/15 alinhou ao serviço do Vitória FC, e pelo marroquino El Kaddouri. O temível sérvio Prijovic é o homem mais avançado.

O PAOK teve de eliminar o Basileia, algo que aconteceu com relativa facilidade, depois de uma vitória caseira por 2-1 e um triunfo fora de portas por 3-0 para chegar à eliminatória desta terça-feira, onde eliminou o Spartak Moscovo, empatando a zero depois de um espectacular triunfo por 5-4 na primeira mão. O ambiente no Toumba Stadium é temível, mas não é propriamente novidade para o Benfica, que já se cruzou com os gregos em competições europeias por duas vezes.

Robert Enke em grande 

O primeiro confronto entre Benfica e PAOK aconteceu em 1999, na segunda ronda da então denominada Taça UEFA. No jogo da primeira mão, realizado na Grécia, as águias impuseram-se com uma vitória muito sofrida por 2-1. Na Luz, a equipa de Salonica respondeu da mesma forma e levou a eliminatória para a decisão através de penáltis, onde o malogrado Robert Enke brilhou com duas defesas. O triunfo arrancado a ferros frente ao PAOK acabou por colocar o... Celta de Vigo no caminho dos encarnados. Semanas depois, a equipa espanhola seria responsável pela maior derrota da história do Benfica nas competições europeias: 7-0 a 25 de novembro de 1999.

Década e meia depois, em fevereiro de 2014, Benfica e PAOK voltaram a encontrar-se, novamente na segunda competição de clubes da UEFA. Nos 16 avos de final da Liga Europa, as águias levaram novamente a melhor sobre a equipa grega, mas desta vez com menos sofrimento, muto menos, fruto de duas vitórias: a primeira por 1-0 fora de portas (golo de Lima, aos 59 minutos); a segunda por expressivos 3-0 na Luz (golos de Gaitán, Lima e Markovic).

O saldo é, por isso, amplamente favorável à equipa portuguesa, com três vitórias, uma derrota e duas eliminatórias ultrapassadas. Agora, pela primeira vez no "play-off" da Liga dos Campeões, os encarnados tentarão repetir a história nos próximos dias 21, no Estádio da Luz, e 29 de agosto, no Toumba Stadium, em Salónica.

O futebol uniu também o destino de Benfica e PAOK no que diz respeito aos jogadores. Machairidis chegou em 1999 à Luz proveniente precisamemte do clube de Salónica. Não foi particularmente feliz e uma temporada depois, correspondente a 16 jogos de águia ao peito, regressou ao PAOK. Mais sucesso teve Sabry, que ainda fez duas épocas de águia ao peito (de 1999 a 2001), acabando cedido ao Marítimo. Já Míguel Vítor, defesa-central formado na Luz, deixou as águias para rumar aos gregos em 2013. Foi titular indiscutível do PAOK durante três temporadas após o que foi para o Happoel Be'er Sheva, onde se mantém.

O ONZE DO PAOK

 

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