Portugal
O talento fez a diferença num hino ao bom futebol
Fernando Gamito
2018-03-18 20:40:00
O triunfo do SC Braga em Chaves deu goleada, mas desengane-se quem pense que não se assistiu a futebol de alta qualidade

Se quiser ver bom futebol assista a jogos do SC Braga e do GD Chaves. É esta a principal conclusão que resulta do duelo entre ambas as equipas neste domingo. Sim, é verdade que os minhotos golearam os transmontanos por 4-1, o que faz parecer, à partida, que o encontro até nem teve muita história… mas, engane-se quem pense dessa forma. O resultado não é totalmente justo para com o conjunto de Luís Castro, pese embora o facto de a turma de Abel Ferreira ter estado por cima da partida.

Foi o SC Braga quem saiu a sorrir de Trás-os-Montes, mas foram os jogadores do GD Chaves a começarem o encontro endiabrados, com um par de lances a impor velocidade no ataque e a levarem o perigo à baliza de Matheus. Djavan foi o primeiro a dar um aviso, com um remate pouco por cima da baliza contrária e Paulinho ainda produziu um cruzamento açucarado para a área adversária. Tudo isto em quatro minutos de jogo… até que os arsenalistas decidiram tomar conta do controlo da posse de bola. A turma minhota começou a circular o esférico com maior tranquilidade e tendo em André Horta o principal cérebro da construção ofensiva. Todo o jogo do SC Braga passava pelos pés do jovem médio.

Uma das principais constantes do SC Braga nesta temporada tem sido o uso das bolas paradas como armas letais para as balizas adversárias. Pois bem, foi isso que voltou a acontecer este domingo em Chaves. Aos 27 minutos, os minhotos inauguraram o marcador, por intermédio de Bruno Viana, em resposta a um cruzamento de Jefferson na cobrança de um livre lateral. A vantagem no marcador serviu como cereja no topo do bolo para Abel Ferreira, numa fase em que o duelo até estava a ficar mais repartido, com a divisão de posse de bola entre os dois conjuntos e os flavienses a surgirem cada vez mais com maior incidência no meio-campo adversário.

Aos 38’, os bracarenses conseguiram ampliar a vantagem no marcador, através de Ricardo Horta. Tudo começou num esforço individual de Ricardo Esgaio pelo corredor direito, com um cruzamento para a área flaviense, na qual Wilson Eduardo simulou e deixou a bola passar para Horta fazer o gosto ao pé. Com um 2-0 no resultado, o SC Braga entrou em modo gestão e as coisas até poderiam ter complicado, mas a verdade é que a turma de Abel Ferreira esteve sempre bem nos momentos mais decisivos do encontro. Ora, foi precisamente com uma quebra na intensidade, não só na disputa de bola, como também no processo ofensivo, que os minhotos encararam o segundo tempo. No entanto, o GD Chaves não o conseguiu aproveitar e até foi o SC Braga quem voltou a deixar marca na partida.

Paulinho teve uma noite em que foram mais os golos certos que falhou do que aqueles que marcou, mas ainda conseguiu assinar um tento, aos 73 minutos, que fez pensar que tinha ‘matado’ o jogo por completo. O SC Braga estava a vencer por 3-0 e a partida a entrar na reta final, o que poderia correr mal? A resposta foi Platiny, que um minuto depois de entrar em campo, marcou um golaço de fora da área, aos 76’, que fez os flavienses regressarem à vida. Os 15 minutos finais tiveram um pouco de tudo, com lances de perigo em ambas as áreas e as duas equipas a queixarem-se de grandes penalidades, mas as redes só voltaram a balancear já na compensação, com Ricardo Horta a bisar no encontro e a carimbar os três pontos para um SC Braga que está cada vez mais perto da bitola imposta pelos três grandes no futebol português.

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