Portugal
O Natal está mesmo aí à porta: até já chegou a Trás-os-Montes
Diogo Cardoso Oliveira
2018-11-05 23:35:00
Apesar de o Chaves ter tentado bastante, o Aves tentou melhor.

É provável que já tenha visto por aí umas luzes de Natal. A quadra está quase a chegar, em grande parte do Mundo, mas, em Trás-os-Montes, já chegou. Pelo menos a avaliar pela forma como o GD Chaves ofereceu ao Aves a vitória por 2-1, nesta segunda-feira. Foram prendas bem grandes. E o Aves não fez a desfeita, aceitando-as. E tem muito mérito na forma como o fez. Apesar de o Chaves ter tentado bastante, o Aves tentou melhor. É, por isso, difícil dizer que a vitória não é justa. E não é verdade que, para marcar, é preciso ter muita bola. Nunca foi.

O Chaves-Aves até foi um jogo giro de ver. Ambos os lados, sobretudo na primeira parte, esticaram muito a equipa, povoando pouco a zona central. Isto levou a que existisse bastante espaço para jogar e, claro, explorar transições. Foi, por isso, um jogo rápido, intenso e entretido. Faltou apenas a qualidade técnica nas decisões.

O Chaves tentava criar e inventar em ataque organizado, promovendo triangulações. O problema é que o número absurdo de passes errados matava pela raiz as ideias que, no papel, até pareciam boas. Avto jogou muito bem entrelinhas e a vir buscar jogo, mas faltaram movimentos de André Luís em apoio frontal, para dar soluções em zonas ofensivas, tirando os centrais das suas “cadeirinhas”. Faltou, no fundo, mais capacidade de dar soluções aos criativos. Por outro lado, o Aves estava na sua: receber os brindes oferecidos pelo Chaves, correr e rematar. E avisaram algumas vezes, até vir o golo, aos 20 minutos. Nélson Lenho cruzou bem e gritou-se “Mama Baldé” (sem vírgula). O ex-jogador do Sporting finalizou muito bem, de primeira, na cara de Ricardo.

Na segunda parte, o Chaves até entrou logo a marcar, por André Luís, num lance de falha de marcação do Aves – não foram só os transmontanos a dar presentes – e, pouco depois, veio a grande prenda da noite: Bressan quis atrasar a bola e não viu que Amilton andava por lá. O brasileiro recebeu, correu, ultrapassou Ricardo e finalizou. A partir daqui, o Chaves continuou a falhar muitos passes e a oferecer transições perigosas ao Aves. Um Aves que até esteve mais próximo de “matar” o jogo do que de sofrer o empate.

Nota para a opção de Daniel Ramos, que colocou William em campo, jogando em 4x4x2. Foi algo semelhante ao que Rui Vitória fez frente ao Belenenses e o resultado foi o mesmo: o Chaves teve mais presença em zona ofensiva, sim, mas a bola deixou de lá chegar, porque passou a faltar quem criasse. Neste contexto, só mesmo quando a equipa assumiu, declaradamente, o jogo direto é que houve perigo. Insuficiente, ainda assim.

Acabamos como começámos: Apesar de o Chaves ter tentado bastante, o Aves tentou melhor. É, por isso, difícil dizer que a vitória não é justa. E não é verdade que, para marcar, é preciso ter muita bola. Nunca foi.

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