Portugal
“Mala Ciao será mais forte que os emails e as e-toupeiras", diz Bruno
2019-02-20 14:25:00
Ex-presidente leonino mantém a convicção de que o Benfica pagou a adversários para que estes perdessem

O ex-presidente do Sporting participou no programa Prova Oral, da Antena 3, e abordou a questão dos títulos que reclama e os processos judiciais que o Benfica enfrenta.  

“Acho que as pessoas estão muito preocupadas com os emails, com as e-toupeiras, mas aquilo que vai ser mais forte vai ser o ‘Mala Ciao’. É a minha opinião. Se calhar, serei o único presidente destituído que vai ganhar cinco títulos: os quatro que reclamo dos Campeonatos de Portugal, mais um da época 2015/16”, disse.

Bruno de Carvalho mantém a convicção de que o Benfica pagou a adversários para que estes perdessem e referiu ainda que estes procedimentos “acontecem muito no futebol português”.

O ex-dirigente leonino recorda um episódio durante um encontro com o presidente da FIFA, Joseph Blatter, e o líder máximo da UEFA, Michel Platini.

“Para mim, foi um espanto, quando fui ter com o Platini e o Blatter, e eles disseram: ‘ver um português a lutar contra a corrupção é uma novidade para nós’. É essa a imagem que têmn dos portugueses, lá fora”, conta.

Estes dois líderes das duas maiores instituições internacionais de futebol viriam a ser punidos devido a um controverso pagamento, considerado ilegal, de 1,8 milhões de euros, em 2011, por alegado trabalho de consultadoria realizado pelo francês nove anos antes, em 2002.

Num olhar à realidade, Bruno de Carvalho falou em ingratidão e apontou o dedo aos adeptos leoninos: “Sinto por parte de alguns sportinguistas muita ingratidão. Quando chego ao Sporting, poderia ter virado as costas, ter dito ‘não, isto é difícil de mais, o Sporting não tem um euro, venha para cá alguém, eu já ganhei as eleições, agora demito-me e vou-me embora e venha cá alguém resolver. A verdade é que resolvi. O Sporting não tinha um euro”.

Frederico Varandas é alvo de críticas, num olhar à realidade leonina. “Os sportinguistas iam ao estádio e já não vão. Viviam num estado de euforia, agora já não estão. Há muita diferença entre aquilo que aconteceu nos meus mandatos e aquilo que está a acontecer. Mas eles escolheram e não há ressentimentos, apesar da ingratidão”, diz Bruno de Carvalho.    

Bruno de Carvalho entende que “a forma de comunicar” foi o único erro que cometeu no clube: “Tinha de medir as palavras, tinha de falar menos (…) Mas aquilo que eu queria fazer era tão grande, que acabou por jogar contra mim”.

Curiosamente, confrontado com uma questão sobre algo que teria feito de diferente, apontou em direção de Jorge Jesus, referindo que não o teria contratado. E Bruno de Carvalho faz uma declaração curiosa, relativamente ao técnico.

“O Jorge mudou muito quando faz aquele acordo com o Benfica, no caso dos 14 milhões [acordo extrajudicial que pôs termo ao diferendo com o Benfica, que colocou o técnico em tribunal, reclamando uma indemnização]. Ele depois não me quis explicar. Ele mudou bastante…”, conta.

Garante que as rescisões dos jogadores resultaram de um processo "altamente político", de "guerrilha de desgaste", para conseguir melhorias de contratos.

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