Opinião
Mais variedade e qualidade
Carlos Daniel
2018-03-12 14:00:00

A três meses do Mundial e a três dias de Fernando Santos apresentar a convocatória que irá desfazer várias dúvidas, segue o exercício, a que todos nos dedicamos alguma vez, de prever – que adivinhar é mais difícil – quem serão os 23 para a Rússia, acrescentando algumas opções alternativas, mais ou menos óbvias.

Para a baliza, há dois nomes seguros, os de Rui Patrício e Anthony Lopes, ficando a dúvida reduzida ao terceiro homem com luvas, com alternativa entre um mais maduro, e Beto seria o mais óbvio, ou outro com mais anos pela frente. Neste último caso, Bruno Varela leva agora vantagem sobre José Sá, por manter a titularidade. Apostaria em Beto, no entanto, nesta altura.

Nas laterais da defesa, tomo como mais prováveis, claramente, Nelson Semedo e Cédric à direita, e Raphael Guerreiro e Fábio Coentrão à esquerda. Só se algum destes quatro não estiver nas melhores condições é que Fernando Santos recorrerá a João Cancelo (agora a jogar no Inter) ou Ricardo Pereira, de um lado, e a Mário Rui (hoje titular no Nápoles) ou Antunes, do outro. André Almeida, Kevin Rodrigues ou Eliseu parecem-me mais distantes da escolha final.   

Ao centro da retaguarda, Pepe é incontornável e Ruben Dias assume-se como o rookie inevitável, por ser a boa notícia da época para um lugar há muito em défice de soluções. O celebrado conservadorismo de Fernando Santos – reforçado agora por falarmos de jogadores que foram campeões europeus – aponta para Bruno Alves e José Fonte como restantes escolhas. Luís Neto será sempre a primeira alternativa fiável, perdidas que estão as hipóteses Ruben Semedo ou Ricardo Ferreira. Vale a pena reconhecer o crescimento de Nelson Monte ou Roderick Miranda, só que este ainda não será o tempo deles entre a elite do país.

Para o meio campo há todo o tipo de soluções mas William Carvalho é imprescindível e, uma vez recuperado da lesão, também Danilo terá uma vaga à espera. O mesmo acontecerá com João Moutinho e – apesar de viverem um ano atípico – igualmente com Adrien Silva, André Gomes e João Mário. Aliás, nada garante que a menor utilização deste ano não lhes permita exibir maior frescura uma vez chegados à Rússia. Bruno Fernandes, um dos melhores portugueses na Liga interna, tem feito por reclamar lugar mas o nome dele será central na cogitação sobre quantos médios e avançados vão integrar a lista final. Até aqui, mesmo sem Bruno, temos 17 vagas ocupadas. E estou a deixar como nomes apenas alternativos craques da dimensão de Pizzi, Rúben Neves, Manuel Fernandes, Renato Sanches e Sérgio Oliveira.

Para o ataque sobrariam 5 ou 6 vagas. Cristiano Ronaldo não se discute. Bernardo Silva também não. O Gonçalo Guedes que se tem visto em Espanha também merece cacifo no balneário, tal como Gelson Martins, obviamente. E André Silva, mesmo em ano de menor produtividade, não deixará de ser a primeira opção de um ponta de lança puro. Se a vontade de Santos for a de manter Ricardo Quaresma como complemento de Ronaldo, o lugar que falta está entregue. Caso contrário, ainda há umas quantas opções para essa vaga derradeira: além de Bruno Fernandes, também o outrora intocável Nani e o cada vez mais empolgante Rony Lopes. Isto sem falar, por exemplo, em Rafa, Diogo Jota, Gonçalo Paciência ou Eder, o eterno herói de Paris.

A conclusão genérica não deixa de ser feliz: embora com variantes de lugar para lugar, há hoje muito mais opções para uma seleção portuguesa que nos habituou a ter convocatórias muito pouco discutidas – e discutíveis, reconheça-se – nos últimos anos. Uma nova geração de craques está afirmada e junta-se à dos líderes da gloriosa saga francesa para iluminar o futuro. Há duas certezas: que as opções de Fernando Santos vão ser fatalmente mais controversas desta vez mas também que, quaisquer que sejam, permitem uma evolução do jogar português, graças a essas variedade e qualidade acrescidas. Já quanto ao resultado, serve o de 2016.

Carlos Daniel é jornalista na RTP e escreve no Bancada às segundas-feiras.

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