Grande Futebol
História de uma superação: Lucarelli morreu com o Parma e com o Parma renasceu
Gomes Ferreira
2018-05-21 11:00:00
Histórico italiano caiu no quarto escalão em 2015 após falência e três anos depois está de volta à elite

"Eu morri junto com o Parma e com o Parma quero renascer". Quando proferiu estas palavras, em 2015, então com 37 anos, Alessandro Lucarelli, capitão da equipa da cidade de onde é natural, tinha acabado de descer para a Serie D, devido a problemas financeiros do clube histórico italiano, que o conduziram à falência. O defesa não atirou a toalha ao chão e três anos depois está de volta à elite do futebol italiano, num feito inédito no calcio. Uma história que é tudo menos um conto de fadas.

"Nem acredito nisto, em três anos fizemos algo de incrível. É um enorme prémio para o povo de Parma, nunca desisti deles. Disse que o Parma voltaria à Serie A e consegui cumprir a minha promessa", afirmou Lucarelli, hoje com 40 anos, visivelmente emocionado. "Agora já posso parar", deixou passar. Mas será mesmo assim?

A confirmação da subida de divisão foi dramática, tal como o próprio Lucarelli relata. "Quando o Frosinone fez o 2-1, sentimo-nos quase mortos e já estávamos a pensar npo playoff. Então oluvimos os adeptos a vibrar e não sabíamos o que estava a acontecer. Ninguém conseguiria imaginar um final como este parecia perdido". O Parma garantiu a subida graças à vitória sobre o Spezia e ao empate do Frosinone com o Foggia por 2-2, com o golo do Foggia a acontecer aos 89 minutos.

O velho Parma entrara em falência em 2015 e, refundado como Parma Calcio 1913, reiniciaria a trajetória ascendente na quarta divisão do campeonato italiano. Lucarelli, contratado pelo clube em 2008, acompanhou o momento de definhação do clube e confrontado com a nova realidade não teve dúvidas que iria caminhar junto com a equipa em busca da redenção. Foi aí que nasceu a promesa: "Eu morri junto com o Parma e com o Parma quero renascer".

As origens de Lucarelli ajudam a explicar a força do caráter do capitão do Parma. Filho de um estivador, sindicalista, aprendeu sempre a lutar pelos seus. Na época 2014/15, quando o cenário já era insustentável e a queda para o abismo uma questão de tempo Lucarelli deu a cara por um boicote dos jogadores que se recusariam a entrar em campo diante do Génova, como forma de protesto ao desisnteresse da direção e das instituições responsáveis pelo futebol italiano quanto à situação do clube. A equipa acabou por jogar, mas o alerta estava dado e Lucarelli tinha dado a cara por ele.

"A falência do Parma significa mandar para casa pelo menos 200 famílias que dependem dos empregos no clube. Eu não estou a pensar nos jogadores, mas naqueles que recebem mil euros por mês. Nós sentimos essa responsabilidade sobre os nossos ombros", contou Lucarelli, à Gazzetta dello Sport em fevereiro de 2015.

Com a descida do Parma aos infernos, Lucarelli manteve o propósito. “Estou preparado para permanecer no Parma mesmo na liga amadora e continuar a usar a braçadeira de capitão. O Parma está dentro de mim”, asseverou. E permanceu até conseguir agora regressar à elite do futebol italiano. Lucarelli é o único jogador da Serie A que disputou também a Serie D.

Na passada sexta-feira, Lucarelli esteve em campo os 90 minutos diante do Spezia, na vitória por 2-0, que selou a subida à Serie A, confirmada a notíciade que o Frosinome empatara. E festejou como um menino "Eu fiz uma promessa. Disse que traria o Parma de volta à Serie A. Cumpri a minha promessa", disse Lucarelli, não escondendo as lágrimas, em entrevista à Sky Sports. "Ninguém poderia imaginar um final assim, nem mesmo nos meus sonhos mais malucos. De repente, ouvimos um grande grito dos nossos adeptos. Esta é uma jornada que iniciámos há três anos.Tivemos momentos difíceis, mas sempre ultrapassámos os obstáculo que tivemos pela frente. Os rapazes nunca desistiram e tenho orgulho de ter sido o capitão deles".

Sê o primeiro a comentar: