Portugal
Há cada vez mais certezas em Alvalade. Para o bem e para o mal
Luís Santos Castelo
2018-09-20 23:10:00
O Sporting recebeu e bateu o Qarabag por 2-0 na primeira jornada da fase de grupos da Liga Europa

Até esta quinta-feira, não se tinha visto um Sporting tão próximo daquilo que José Peseiro pretende para a equipa leonina. As ligeiras - mas influentes - mudanças no onze inicial e na estratégia para o jogo com o Qarabag fizeram com que os leões trabalhassem muito bem nos dois primeiros terços do relvado, controlando a posse de bola e circulando com muita qualidade, mas também se percebe cada vez mais a falta que Bas Dost faz a esta equipa. E agora já não há volta a dar: Raphinha tem de ser titular, Jovane Cabral tem de continuar a ser aposta e Acuña não deve sair do lugar mais à esquerda na defesa. Tudo isto com um Nani em grande forma.

O Sporting assumiu o controlo do encontro imediatamente após o apito inicial. A presença de Battaglia e Gudelj nas costas de Bruno Fernandes daria, supostamente, mais liberdade ao português, mas este esteve bastante apagado no ataque, sendo Nani e Raphinha a pegar na maioria das investidas. Já Montero, sozinho na frente, dá mais qualidade técnica que Bas Dost, mas perde em quase tudo o resto, o que tira muita capacidade de criar perigo à formação de Alvalade, formatada para jogar para um 'pinheiro'. Assim, a primeira ocasião de perigo foi criada aos 8', quando Mathieu, de livre direto, obrigou Vágner a uma boa intervenção.

Contudo, não se pense que o Qarabag estava fechado na defesa. A equipa do Azerbaijão tinha muito menos bola, mas jogava com as linhas bastante altas, o que lhe permitia ser uma constante ameaça caso algum jogador do Sporting cometesse algum erro individual. Foi o que aconteceu com Coates aos 10', com Emeghara a surgir perante Salin, que conseguiu defender e impedir o golo visitante. Ainda assim, era o Sporting quem dominava as operações, ganhava cantos e rondava constantemente a área do Qarabag, mas ia dando pouco trabalho a Vágner. Uma das melhores ocasiões foi aos 41', quando Mathieu passou por um adversário com brilhantismo e serviu Montero para este rematar de calcanhar, mas a jogada foi anulada por fora-de-jogo.

Na segunda parte, pouco mudou no plano dos dois treinadores. O Sporting continuou a controlar, o Qarabag continuou subido e à espera do erro, aguentando-se sem grandes problemas quando os leões tentavam o ataque organizado. O que o Qarabag não esperava era que o Sporting também fosse forte no contra-ataque, arma que valeu ao conjunto lisboeta o primeiro golo da partida aos 54'. Nani, a partir da direta, serviu Raphinha na perfeição com uma assistência que passou por toda a gente e só parou no pé do brasileiro. Este encostou facilmente e voltou a marcar, ganhando mais pontos e dando menos razões a Peseiro para o tirar do onze inicial.

Tudo podia ter ido por água abaixo logo a seguir, quando Gudelj entregou a bola ao Qarabag e Emeghara, mais uma vez, obrigou Salin a ter trabalho. O francês, novamente, respondeu com competência. O jogo baixou ligeiramente o ritmo, com o Sporting a jogar mais longe da área adversária e o Qarabag a tentar tudo para construir com mais qualidade. Aí surgiu Bruno Fernandes, que até não fez um jogo positivo no ataque mas foi absolutamente essencial na pressão logo a seguir à perda de bola. O incansável médio foi o pior pesadelo dos defesas e médios do Qarabag na hora de seguir para o ataque e o mesmo não se pode dizer de Battaglia, um dos piores jogadores do Sporting nesta noite tanto a atacar como a defender.

Nos minutos finais, o Sporting subiu bastante no terreno e começou a ser cada vez mais perigoso. Ristovski, por exemplo, esteve muito perto do golo aos 82', quando cabeceou ao lado. Lembra-se da qualidade técnica de Montero de que lhe falei há pouco? Pois, foi essencial para o 2-0, que apareceu aos 88'. O avançado roubou a bola a um defesa, fez uma finta espetacular e entregou a bola a Raphinha, que assistiu o recém-entrado Jovane Cabral para segurar os primeiros três pontos na Liga Europa. Raphinha, Jovane Cabral e Nani, os três melhores do Sporting 2018/19 até ao momento, resolveram uma partida e confirmaram que estão todos num grande período de forma. Não seria de descartar um eventual onze inicial com os três presentes, com Nani a jogar atrás do ponta-de-lança.

A vitória leonina não podia ser mais justa. O Sporting tem melhores jogadores, melhor equipa e hoje teve melhor treinador, merecendo assim o triunfo. Mas, para bem do clube, é importante que Bas Dost recupere rápido. Hoje - e nos últimos jogos - a qualidade de três craques chegou, mas não há de chegar sempre.

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