Portugal
Festival de golos falhados ia tramando o VAR
Sérgio Cavaleiro
2018-02-11 20:55:00
O Sporting realizou uma das primeiras partes mais conseguida esta temporada, mas falhou muitos golos

As dificuldades criativas que o Sporting tem experimentado nas últimas partidas, e que têm colocado algumas questões sobre o futebol praticado pelo conjunto de Jorge Jesus, pareciam fazer parte do passado depois de jogados o primeiros minutos do encontro deste sábado diante do Feirense. Mas eis que surgem Luís Ferreira e Manuel Oliveira, árbitro e vídeo-árbitro, os dois puseram os pés pelas mãos e de repente o Sporting tremeu. A baliza começou a minguar e não importava o quão perto dos postes estavam os jogadores leoninos a bola parecia que não ia entrar. Mas entrou, já perto do fim para dar ao Sporting uma vitória por 2-0 que por instantes pareceu quase uma miragem.

O Sporting entrou muito bem. Nas palavras de Jorge Jesus - ditas na flashinterview após o encontro -, os melhores 45 minutos dos leões na presente temporada. E não deve de andar muito longe da realidade. Os ataques do conjunto verde e branco iam sucedendo-se em catadupa. Não chega uma mão para contar as oportunidade de golo desperdiçadas pelos jogadores leoninos na primeira parte. O jogo do Sporting era sufocante e as dinâmicas ofensivas do Sporting pouco tempo davam ao conjunto de Nuno Manta Santos para pensar em algo que não fosse livrar Caio Secco de apuros.

Doumbia esteve em destaque ao falhar um par de ocasiões de golo na cara do guarda-redes adversário. O costa-marfinense tem falhado em produzir aquilo que se esperava dele. A maré é de azar. E que maior azar poderia ser um jogador marcar um golo de difícil execução e ver-lhe o momento sonegado por um erro claro e rídiculo de arbitragem. Foi isso mesmo que aconteceu a Doumbia. Ainda em zona afastada da baliza recebe a bola e com uma corrida e uma simulação tira dois defesas do caminho. Remata. Faz golo. Festeja. Estão espantados os demónios. Pensou o jogador e pensou Jorge Jesus. Mas não.

Eis que surgem em cena Luís Ferreira, árbitro principal, e Manuel Oliveira, vídeo-árbitro a assistir ao jogo na Cidade do Futebol em Oeiras. Depois de analisado o lance, Manuel Oliveira vislumbrou uma falta de Bruno Fernandes momentos antes ao golo de Doumbia. Avisou Luís Ferreira que decidiu ir ver as imagens. Viu. Decidiu. Golo anulado. Estava o caldo entornado. Se a falta só por si é já muito questionável, pior fica a cena quando olhamos para o protocolo do VAR e é bem claro nestes casos. Entre a (suposta) falta de Bruno Fernandes e o golo de Doumbia, a bola passou por três jogadores do Feirense: bate em Luís Rocha, chega aos pés de Flávio Ramos e é perdida por Jean Sonny antes do passe para Doumbia.

O Sporting sentiu o toque. Recorrendo novamente às palavras de Jorge Jesus no final da partida, o ambiente em Alvalade começou a ficar mais pesado. Não cheirava a coisa boa para os leões. O futebol continuava a ser fluido e o Feirense parecia não ter maneira de estancar as investidas do Sporting. O problema leonino continua a ser o mesmo: colocar a bola no fundo das redes da baliza de Caio Secco, que, entre um par de boas intervenções ia assistindo a um esbanjar de oportunidades claras de golo por parte dos atacantes do Sporting.

A segunda parte já não foi tão escorreita por parte dos comandados de Jorge Jesus. Para o Sporting, a pressão crescia e o medo de ver fugir os tão necessários pontos na corrida pelo título tornava-se real; já no lado fogaceiro, o passar dos minutos serviam de motivação. Começava a ser possível levar pontos de Alvalade. Jorge Jesus lançou para estreias Rafael Leão e Lumor e a verdade é que os dois jogadores mexerem positivamente com o jogo do Sporting. William marcou - a coroar uma grande exibição, quiçá a melhor na presente temporada - e colocou alguma justiça no resultado. O Sporting venceu e os árbitros livraram-se de boa.

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