Portugal
Fear the Walking Braga
Diogo Cardoso Oliveira
2018-12-01 22:35:00
Quando uma equipa aparentemente adormecida consegue vencer 2-0, com esta tranquilidade, é porque já é adulta. Temam.

A moda dos zombies chegou ao Minho. O SC Braga venceu o Moreirense, por 2-0, neste sábado, num jogo que mais parecia um episódio da famosa série "Fear the Walking Dead", na qual mortos-vivos se misturam com humanos. Nesta noite, na Pedreira, foi algo assim e os minhotos pressionam o FC Porto, que joga neste domingo.

O SC Braga conseguiu vencer tranquilamente por 2-0, num jogo no qual a equipa esteve assim mais para o morta do que para o viva. O jogo não foi bonito nem rápido nem excitante, mas a verdade é que, tal como na série, há que temer esta equipa de mortos-vivos. É que uma equipa entra no espectro dos “grandes” quando, por vezes, começa a conseguir ganhar jogos com facilidade, sem jogar bem e com golos que parecem vir do nada, mas que evidenciam maturidade e, sobretudo, capacidade de definir bem e aproveitar o pouco que possa criar. Uma equipa começar a conseguir fazer isto facilmente é um indicador de que faz parte do grupo dos grandalhões e distinta da maioria das outras. E o SC Braga parece já sê-lo, claramente.

Este resultado, como já dissemos, tem de ser considerado justo. Afinal, o SC Braga soube ser matador e aproveitar o que criou, fruto dos valores individuais e da tremenda estabilidade e confiança que tem. E isto é uma virtude. O mais bizarro é que, em quase toda a partida, o Moreirense, com mais posse e mais rematador, até pareceu mais capaz de criar, circular, triangular e inventar jogadas apoiadas. O futebol tem destas coisas.

Logo aos 13 minutos, com o Moreirense a entrar mais forte e a conseguir assustar, o SC Braga teve um penálti quase caído do céu. 1-0, por Wilson Eduardo. A seguir, o jogo ficou lento – algo que foi recorrente em toda a partida – e, novamente com o Moreirense a ter bola, puff: golo do SC Braga, numa tremenda finalização de Paulinho após um belo passe de Claudemir. Golo incrível.

Assim, quase do nada, o SC Braga já ganhava por 2-0, num jogo no qual demonstrou uma passividade preocupante e, sobretudo, incapacidade de abafar o portador da bola do Moreirense na zona central. O Moreirense conseguiu sempre ter superioridade numérica no corredor central, podendo triangular pela zona central, a poucos toques – até envolvendo Nenê em apoios frontais –, e os jogadores do SC Braga chegavam sempre atrasados. Com pouca ajuda de Wilson, Fransérgio e Claudemir estiveram sempre algo desprotegidos na zona central e pedir a Esgaio para fechar um pouco mais poderia ter sido uma solução. Mas o que estamos para aqui a dizer? O que conta é vê-las lá dentro.

O jogo foi andando, sempre algo lento e com mais perdas de bola do que magia, e, na segunda parte, o cenário repetiu-se: mais qualidade do Moreirense, com bola, mas muito mais competência do SC Braga a atacar a baliza, mesmo que por vezes as oportunidades parecessem surgir vindas do nada, em transições rápidas.

Mas é como já dissemos: quando uma equipa aparentemente adormecida consegue vencer 2-0, com esta tranquilidade, é porque já é adulta. Temam uma equipa assim.

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