Portugal
"Era impensável num clube como o Benfica e o FC Porto acontecer o que aconteceu"
2020-05-28 20:50:00
Bruno de Carvalho afirma que mexeu "em muitos interesses"

Bruno de Carvalho, absolvido da autoria moral do ataque à Academia de Alcochete, defendeu que só foi envolvido no caso porque era presidente do Sporting.

"O que aconteceu no Sporting só aconteceu por eu ser inocente, era impensável num clube como o Benfica e o FC Porto acontecer o que aconteceu", afirmou o ex-presidente dos leões, durante a entrevista à TVI.

Questionado se se estava a referir explicitamente às agressões em Alcochete, o ex-dirigente lembrou que "já houve agressões nos três" grandes.

"Eu fiquei horrorizado com o crime hediondo na Academia, mas também fiquei horrorizado com o que aconteceu em Guimarães três meses antes e que em Portugal não deram valor", comparou.

Bruno de Carvalho apresentou ainda como argumento o "apontar o dedo das mais altas figuras da nação", Marcelo Rebelo de Sousa e Ferro Rodrigues.

"Vejo uma intervenção do Presidente da República a apontar-me o dedo, vejo uma intervençao no Parlamento do presidente da Assembleia da República a acusar-me taxativamente, pelo nome", lembrou.

O "maior problema", insistiu o ex-dirigente, foi "o amor ao Sporting".

"Mexi em muitos interesses e a verdade é que há uma série de processos, a serem julgados, que têm por base acusações que eu fiz, nomeadamente no futebol", sustentou.

Admitindo intentar uma ação "pecuniária" contra o Estado, o ex-presidente dos leões exortou os adeptos a requererem uma Assembleia Geral (AG) para que seja reintegrado como sócio com plenos direitos.

"Depois há outras discussões, como saber se me posso candidatar ou não" à presidência do Sporting, objetivo que ainda mantém.

"No mínimo, deviam readmitir-me no clube que sempre amei. Acho que fiz um excelente trabalho [como presidente] e é algo em que me considero bom", salientou.

Sobre a indemnização que vai pedir ao Estado, alertou que neste tipo de casos é preciso "estipular o montante e pagar sobre esse valor" para iniciar o processo.

"Nesse julgamento vou ver julgado não só o Estado, mas também aquilo que perdi. Acho tudo isto impensável", defendeu.

O ex-presidente do Sporting fez ainda várias críticas à justiça, referindo que "foram produzidas provas estranhas" contra outras "pessoas que estavam lá sentadas", na qualidade de testemunhas, sem que tenha sido aberta qualquer investigação.

Recorde-se que Bruno de Carvalho, antigo presidente do Sporting, foi hoje absolvido pelo Tribunal de Monsanto da autoria moral da invasão à Academia de Alcochete, em 15 de maio de 2018.

Na leitura do acórdão, o coletivo de juízes presidido por Sílvia Pires considerou que não foi provado que as críticas do dirigente nas redes sociais tivessem incentivado os adeptos a agredirem alguém, nem de forma implícita, assim como não foi estabelecida relação de causa e efeito entre a alegada expressão “façam o que quiserem” e o ocorrido na Academia.

O processo do ataque à Academia - onde, em 15 de maio de 2018, jogadores e equipa técnica do Sporting foram agredidos por adeptos ligados à claque Juve Leo –, teve 44 arguidos, acusados de coautoria de 40 crimes de ameaça agravada, de 19 crimes de ofensa à integridade física qualificada e de 38 crimes de sequestro, todos estes (97 crimes) classificados como terrorismo.

O processo começou a ser julgado em 18 de dezembro de 2019 no Tribunal de Monsanto, em Lisboa, por questões logísticas e de segurança.