Portugal
Eleven Sports quer destruir o monopólio, com relatos divertidos e menos análise
Diogo Cardoso Oliveira
2018-08-09 14:55:00
A detentora dos direitos de transmissão da Champions apresentou, aos jornalistas, as inovações do canal.

Esqueça os relatos com tom e vocabulário sérios, chatos e enfadonhos. Com a Eleven Sports, haverá relato descontraído e exploração do lado divertido do que se passa no Mundo da bola. Esta é a grande novidade nas transmissões da Champions, em Portugal. Pedindo desculpa pela “piroseira”, foi com o mote dos descobrimentos, num encontro junto ao Padrão, em Belém, que Pedro Mendonça Pinto, porta-voz da UEFA e diretor não executivo da Eleven Sports, e Danny Menken, diretor-geral, apresentaram o lançamento da Eleven Sports, em Portugal. O Bancada esteve nesse encontro com os jornalistas e apresenta-lhe as linhas-mestras do que será o canal que, para já, é detentor dos direitos de transmissão, em Portugal, da Liga dos Campeões, da Liga Espanhola e da Liga Francesa. Por enquanto, apenas quem tem Nowo poderá ter estes conteúdos, ainda que possa haver uma solução extra. Já lá vamos.

A grande novidade, em termos de transmissões, é a mudança nos relatos. Esqueça os relatos sérios e técnicos. Entre o barulho do comboio, o vento e uma dentada num croissant, Pedro Mendonça Pinto garantiu, aos jornalistas, que a Eleven trará uma abordagem descontraída nos relatos. Quer romper com o que está a ser mal feito e que afastou os mais jovens. “Teremos um estilo diferente de narrar os jogos, mais através da exploração do divertido e menos através do habitual registo sério e muito técnico”. Para isso, foram contratados, sobretudo, narradores vindos da rádio, que tiveram workshops de formação específica de acordo com esta lógica descontraída e divertida. Outro pormenor: durante os jogos, haverá interação com o espectador, através das redes sociais. A Eleven garante ainda que a linha editorial dos canais será simples e diferente do que é feito. Será muito estádio, pouco estúdio. Muito entretenimento, pouca informação. Muito conteúdo em direto, menos análise.

Para já, importa ir às questões práticas. Aquelas que interessam ao consumidor:
- Serão dois canais permanentes, de 24h, com a possibilidade de estarem no ar outros quatro canais, em eventos particulares (vários jogos de Champions, por exemplo).
- Para já, a Eleven Sports faz apenas parte da operadora Nowo. A subscrição custa 9,90 euros por mês ou 99,90 euros anuais (ficará a cerca de 8,30 euros mensais). O valor não vai aumentar”, garantem.
- Caso a Nowo não chegue a acordo com as outras operadoras (MEO, NOS e Vodafone) para cedência dos direitos, o consumidor tem a possibilidade de comprar uma IP Box (valor ainda não definido) e, com internet, ver a Eleven Sports. Sim, mais dinheiro a sair do cliente. Esta solução, repita-se, só será necessária caso não exista acordo entre operadoras.
- A Eleven não terá, para já, qualquer conteúdo de futebol nacional. Zero. Apenas internacional, com destaque para as supracitadas Champions, La Liga e Ligue 1.

A Eleven tem o Rossio e a Rua Augusta

Entre perguntas e respostas, numa conversa informal, saíram algumas frases impactantes, quer de Pedro Pinto quer do holandês Danny Menken. A Eleven Sports garante que quer “chocalhar um mercado que era monopolizado”. Pense no Monopoly, o famoso jogo de tabuleiro de compra e venda de propriedades. A Eleven, metaforizamos nós, considera que, com os direitos de transmissão da Champions, comprou o bairro do Rossio e da Rua Augusta.

Os outros operadores não têm forma de dizer aos seus clientes que não dão a Champions”, diz Pedro Mendonça Pinto, justificando que, por isso, acredita que “haverá acordo entre a Nowo e os restantes operadores” para que a Eleven Sports esteja disponível para mais consumidores. Importa lembrar que a Nowo é, para já, uma operadora com uma quota de mercado inferior às concorrentes.

Um assunto-chave foi a venda de alguns jogos da Champions à TVI. Perguntámos diretamente a Danny Menken por que motivo a Eleven – que tinha em mãos uma autêntica mina – decidiu vender a outro canal. A resposta foi clara: “Porque a lei obriga”. “Mesmo depois de os outros canais terem decidido não entrar na luta dos direitos?”. “Sim, mesmo depois de eles terem recusado. É claro que nós não queríamos vender. Se isto é o nosso “master product”, por que motivo quereríamos vendê-lo?”, dispara, antes de acrescentar: “Mas só vendemos o que é obrigatório por lei e não vamos vender mais. No ano passado, a RTP tinha mais jogos do que a TVI terá neste ano”.

Passamos do Monopoly para o Quem Quer Ser Milionário. A questão de um milhão de euros é: “se o Benfica e o FC Porto forem eliminados, a vossa aposta sairá furada, certo?”. “Não, porque as pessoas continuam a querer ver o Ronaldo”, dispara Danny Menken, apesar da tirada sorridente de Pedro Pinto: neste momento, na Eleven, somos todos do Benfica, por motivos empresariais óbvios”.

"Temos bastante dinheiro"

Várias inovações foram apresentadas pela Eleven, neste encontro à beira-mar. A plataforma OTT é, segundo Danny Menken, uma grande aposta da marca. Trata-se de uma aplicação de funcionamento bastante simples – o Bancada pôde comprová-lo, no telemóvel de Pedro Pinto – e que permite ao utilizador, com um smartphone, ver os conteúdos da Eleven Sports em qualquer local.

Outra novidade é que, mais à frente, consumidor terá, ainda, a possibilidade de entrar nas escolhas do canal. Participar e escolher o que melhor lhe convier: “damos uma lista e o consumidor pode decidir que jogos vai ver”. Esta é uma das questões a ser apresentada mais à frente. Aliás, não é a única. Apesar de as transmissões começarem já no dia 15, com a Supertaça Europeia, entre Real e Atlético Madrid, os responsáveis da Eleven consideram justo estimar um prazo de três meses para que os consumidores possam ver todas as potencialidades e funcionalidades do futuro da Eleven. Até aí, será uma evolução.

A terminar, deixamos uma frase que gerou gargalhada coletiva. Para que não restem dúvidas de que a Eleven veio para ficar e de que tem meios para entrar de rompante em Portugal – comprando não só a Rua Augusta e o Rossio, como os restantes “bairros” valiosos –, Danny Menken disparou: “Não se preocupem, que as experiências lá fora têm corrido bem para a empresa… temos bastante dinheiro”.

Texto editado às 21h25, com uma correção numa declaração de Danny Menken.
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