Grande Futebol
Chegou como "novo Rooney", mas acabou a gastar 2000 euros por mês em cocaína
Sérgio Cavaleiro
2018-09-21 19:00:00
George Green assinou pelo Everton, mas perdeu-se e só se reencontrou quando estavas prestes a acabar com a vida

Foi a menos de um metro da linha de comboios, em Bradford, que George Green percebeu o que o levou a estar ali, prestes a colocar um ponto final à sua, ainda, curta vida. Aos 15 anos assinou contrato com o Everton e foi catalogado como o "novo Rooney", mas o vício em cocaína traiu-lhe os planos e custava-lhe mais de 2 mil euros por mês. Agora, aos 22 anos, Green abriu o jogo e revelou que dos cerca de 600 mil euros que ganhou tem, nos dias de hoje, apenas um iPad.

Outubro de 2011, viajava o jovem George Green, então com 15 anos de idade, a caminho de Londres para treinar à experiência no Tottenham quando o telefone tocou. Do outro lado da linha pediram-lhe para sair do comboio imediatamente porque o Bradford City tinha acabado de chegar a acordo com o Everton para a transferência do adolescente por cerca de 2,3 milhões de euros. Para além dos 50 mil euros de prémio de assinatura, Green ia receber cerca de 200 euros semanais. Nada mau para uma criança que ia de autocarro para a escola.

 

O novo Rooney

Mas aí estava Green, aos 19 anos, de pé, à espera do comboio para terminar com quatro anos de sofrimento e vício. "Estava desesperado. Estava mergulhado em dívidas, pensava que tinha perdido a minha mulher por causa do meu vício em drogas e não via qualquer hipótese em voltar a jogar futebol", revelou Green, agora com 22 anos, em entrevista à "BBC Sport", pedindo uma nova oportunidade: "Se outros podem aprender com os meus erros já é uma ajuda", referiu o atual jogador do Chester FC, atualmente a disputar o sexto escalão do futebol inglês.

Aquando da sua chegada a Goodison Park, em 2011, George Green foi imediatamente comparado com Wayne Rooney, um dos maiores símbolos da formação do Everton, mas o jovem nunca conseguiu chegar à primeira equipa. Foi em 2015 que ficou a saber que iria ser dispensado depois sem ter jogado uma única partida com a camisola da equipa principal do Everton. Para além disso Green passou cerca de cinco semanas num centro de reabilitação, tudo pago pelo clube de Liverpool.

"O Everton pagou pelo tratamento, penso que eram cerca de seis mil euros por semana", lembrou George Green que na altura dividia o balneário dos sub-21 do Everton com John Stones e Ross Barkley. "Antes dos 18 anos nunca saía à noite, mas assim que fiz 18 anos foi como que se abriu um novo Mundo à minha frente. Comecei a beber, a consumir drogas e a jogar futebol ao mesmo tempo", desabafou o futebolista ao jornalista da "BBC Sport".

Green recorda como começou a consumir cocaína e o que o levou a gastar mais de dois mil euros por mês em drogas: "A primeira vez que experimentei drogas foi numa noite em que estava a ver um jogo de futebol num bar com alguns amigos. Ofereceram-me cocaína e a minha vida mudou", revelou o jovem jogador.

 

Mais de 2000 euros por mês em cocaína

Explicou George Green que nos primeiros meses de consumo ainda conseguiu esconder o vício do então treinador das camadas jovens do Everton, Kevin Sheedy. Mas a situação escalou e em pouco tempo viu-se a consumir cerca de 30 gramas de cocaína por mês, algo que lhe custou muito caro: "Eu gastava mais de dois mil euros em cocaína por mês. Lembro-me de uma segunda-feira em que era suposto ir treinar e só acordei depois da hora do almoço", recorda.

"Na noite anterior tinha estado na casa de um amigo a beber e a consumir drogas e penso que foi nessa altura que as pessoas do Everton perceberam que se passava algo de errado comigo. Lembro-me que uma noite liguei para o clube, a chorar, e pedi ajuda. Pouco tempo depois disso dei entrada no centro de reabilitação", contou George Green, revelando ainda que ganhou mais de 600 mil euros a jogar futebol, mas que tem para amostra apenas um iPad, "tudo o resto foi gasto em álcool e drogas".

 

A ajuda de Gary Neville

Green lembrou ainda o dia em que esteve perto de se suicidar, depois de ter visto o seu contrato terminado pelo Oldham devido ao consumo de drogas e álcool. A depressão esteve quase a levar a melhor sobre o jovem, mas um momento de lucidez e esperança fez com que Green regressasse a casa antes que o comboio chegasse à estação de Mirfield, onde esperava para pôr um fim à sua vida.

Atualmente ao serviço do Chester FC e ainda a lutar contra os demónios que teimam em não desaparecer, George Green revelou a importância de Gary Neville, antigo capitão do Manchester United, na sua recuperação: "Estava no hospital por ter tomado muitos antidepressivos quando ele me convidou  a ir a casa dele. Falámos de futebol. Ele era um dos proprietários do Salford, o clube por qual eu tinha acabado de assinar, e disse-me que me iam ajudar lá no clube", revelou.

George Green está ainda em fase de recuperação, mas vai contando com a ajuda da companheira e da filha de dois anos. O jovem casal está a aguardar por outro bebé.

Sê o primeiro a comentar: