Portugal
Bomba de Herrera dá liderança ao FC Porto contra um Benfica especulativo
António Tadeia
2018-04-15 20:30:00
Segunda parte foi dos dragões, que quiseram sempre ganhar o jogo, enquanto as águias jogavam com a vantagem na Liga.

Um golaço de Herrera, ao minuto 90, valeu ao FC Porto uma sofrida vitória por 1-0 frente ao Benfica, em pleno Estádio da Luz, e o regresso ao primeiro lugar da tabela da Liga, quando faltam apenas quatro jornadas para o final. A ultrapassagem acaba por ser definida pela forma como as duas equipas foram jogando com o resultado, sobretudo durante a segunda parte: mais especulativo o Benfica, a jogar com a vantagem que trazia e com a supremacia que lhe garantia o 0-0; mais sedento de mudar as coisas o FC Porto, cujo treinador mostrou sempre sinais de querer ir além do empate e da esperança de uma escorregadela encarnada frente ao Sporting em Alvalade.

Os dragões têm agora dois pontos de vantagem e, apesar de um calendário igualmente difícil – terão de deslocar-se a Guimarães e aos Barreiros – reassumem o papel de favoritos à conquista do título, que haviam perdido com as derrotas em Paços de Ferreira e no Restelo. E na verdade fizeram por isso: depois de um começo de jogo complicado, em que o Benfica fez valer a maior velocidade na abordagem dos lances para se impor nos duelos individuais e ganhar ascendente territorial, o FC Porto começou por equilibrar as coisas, para se tornar depois dono do jogo durante o segundo tempo. Destaque nesse período para o trabalho de Ricardo, cujas arrancadas na direita eram difíceis de parar, sobretudo quando vinha à procura do espaço interior, e para Brahimi, o criativo que Conceição deixou à solta entre as linhas defensivas encarnadas, mas também para a ambição mostrada pelo treinador nas substituições: enquanto Rui Vitória quis equilibrar atrás, com a troca de Cervi por Samaris, por exemplo, Sérgio Conceição foi sempre à procura de dar mais fogo à equipa, com Oliver, Corona e Aboubakar.

O jogo começou, de facto, com ligeiro ascendente do Benfica. Os encarnados não tinham Jonas, mas entraram no 4x2x3x1 habitual, pedindo a Jiménez que caísse muito nas faixas laterais e aos dois alas, Rafa e Cervi, que aparecessem em diagonais a explorar o espaço interior. Do outro lado, Conceição surpreendeu com a entrada de Marega no onze, começando por colocá-lo na direita do ataque, mas trocando-o ao fim de algum tempo com Otávio – algo em que a equipa até ficou a perder, pelo menos até ao intervalo. A primeira situação de perigo surgiu na baliza portista, aos 20’, quando Rafa arrancou pela direita e levou a diagonal até um remate que bateu na parte exterior do poste de Casillas. Dois minutos depois, foi a vez de Cervi o imitar do outro lado, provocando uma boa defesa do guardião espanhol. Respondeu o FC Porto já perto do intervalo, primeiro quando Ricardo foi mais agressivo do que Zivkovic no ataque a uma bola e a ganhou à entrada da área para fazer um remate ao lado (aos 44’) e um minuto depois quando o mesmo Ricardo ganhou espaço na direita e descobriu Marega na área, para mais uma finalização que também seguiu para fora.

A segunda parte confirmou a tendência que o final da primeira já vinha anunciando. Marega veio dos balneários com uma dica nova – a de explorar o espaço entre o central e o lateral – e isolou-se na cara de Varela logo aos 48’, a solicitação do inevitável Ricardo. Uma má receção, no entanto, tirou-lhe a vantagem e permitiu que o guardião benfiquista se lhe antecipasse antes de ele conseguir rematar. Daí até final, no entanto, só deu FC Porto. Os dragões instalaram-se no meio-campo ofensivo e se o Benfica ameaçava era em ataques rápidos ou contra-ataques. Brahimi, num remate em arco, aos 66’, esteve perto do 0-1, num lance que antecipou o início das substituições – sempre do Benfica a querer segurar e do FC Porto a querer procurar o golo. Se não vejamos: Rui Vitória trocou Rafa por Salvio e, depois, Cervi por Samaris, fazendo Zivkovic cair numa das alas; ao mesmo tempo, Sérgio Conceição trocou Sérgio Oliveira (que tinha estado à beira do segundo amarelo) pelo mais criativo Óliver, chamando depois ao jogo Corona (mais ofensivo do que Otávio) e Aboubakar (em vez de Soares).

Só a três minutos do fim é que Rui Vitória emendou a troca de tração atrás, substituindo Pizzi por Seferovic, provavelmente mais à procura de ser feliz numa bola parada. Mas a taluda acabou por sair ao FC Porto, aos 90’. Mais um slalom de Brahimi acabou numa tentativa frustrada de servir Aboubakar. A bola, contudo, sobrou para Herrera, que lhe acertou em cheio e bateu Varela, num golo que premiou quem mais o procurou.

 

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