Adebayor confessa que pensou suicidar-se devido à pressão familiar por causa do dinheiro ganho no futebol
Emmanuel Adebayor é um dos jogadores africanos mais emblemáticos que passaram pela Premier League, nos últimos anos, mas não só, tendo representado também o Real Madrid. Mas no futebol, muitas vezes apenas se vê o lado da luz e nem sempre as sombras que pairam na cabeça e no coração dos jogadores. O avançado confessa agora, num depoimento impressionante, que chegou a ter tudo preparado para se suicidar, quando ainda jogava no Metz, de França, o seu primeiro clube na Europa entre 2001 e 2003.
“Uma noite sentei-me na minha cama e pensei: ‘Que estou a fazer aqui? Ninguém está contente comigo, por que razão hei de continuar a viver?'”
Em entrevista ao britânico ‘Daily Mail’, o jogador africano prosseguiu o desabafo, explicando como o preparou. “Havia uma farmácia por baixo do meu apartamento”, lembrou, justificando que pediu “muitos comprimidos, tantos que não queriam vender”.
“Disse que eram uma uma obra de beneficência no Togo. Preparei tudo, tinha tudo pronto”, referiu, lembrando o papel decisivo que um amigo teve para não tomar uma decisão trágica.
“Liguei ao meu melhor amigo a meio da noite e ele tranquilizou-me. Disse-me que tinha muitas razões para viver”, referiu, lembrando as decisivas palavras do amigo. “‘Tens potencial para mudar África’, disse-me”.
Adebayor explica que chegou ao futebol proveniente de uma família pobre e “tudo o que queria era ajudar a família”. “Mas eles pressionavam-me muito. Não conseguia aguentar.”
O togolês confessa que numa família pobre “há muita solidariedade” e quando “alguém consegue alguma coisa é como se devesses algo a todos eles”.
Aos 35 anos, Adebayor – que passou por emblemas como o Arsenal, o Tottenham, o Manchester City, além do Real Madrid, entre outros – já viveu experiências traumáticas por causa do futebol. Em 2010, por exemplo, o autocarro da seleção do Togo foi atacado por terroristas.
“Ouvimos tiros durante 42 minutos. À esquerda, à direita, à frente, atrás… Ouvia os meus amigos a gritar, mas não nos podíamos mexer, não podia fazer nada.”
“Telefonei à minha namorada e disse-lhe ‘ouve, estou quase a partir’. Ela perguntou ‘vais partir para onde?’. Ela estava grávida”, recordou o avançado que era, na altura, capitão dos ‘gaviões’, o ataque em Angola, por altura da Taça das Nações Africanas.
Atualmente, Adebayor joga nos turcos do Basaksehir.