Prolongamento
"Senhores que superintendem arbitragem mundial dizem e desdizem com desfaçatez"
2021-10-13 10:25:00
Antigo árbitro português aborda caso do golo de Mbappé na final da Liga das Nações

O golo que valeu a vitória da França frente à Espanha, por duas bolas a uma, na final da Liga das Nações, realizada em Itália, continua a dar que falar e a motivar divisões até entre especialistas em arbitragem. O golo apontado por Kylian Mbappé viria a revelar-se decisivo na atribuição do troféu de vencedor desta competição e as considerações e análises a respeito do lance não têm parado de surgir.

Agora, é a vez de Jorge Coroado, antigo árbitro português, abordar o assunto para, ao mesmo tempo, deixar uma crítica aos responsáveis pela arbitragem mundial pela forma como estabelecem as regras e suas leituras ao longo do tempo. "Os senhores que superintendem na arbitragem mundial, dizem e desdizem com maior desfaçatez, criando dúvidas compreensíveis nos árbitros", lamenta o antigo árbitro.

Jorge Coroado permite-se a fazer uma reflexão sobre o lance ao mesmo tempo que relata a jogada ocorrida em território italiano entre as seleções gaulesa e espanhola. E que 'tanta tinta tem feito correr' a nível mundial.

Lembrando que ocorreu uma indignação dos espanhóis perante este lance, Jorge Coroado sustenta que os "legalistas comodistas, incapazes de pensarem, sempre concordantes com o que lhes transmitem, corroboram decisão da equipa de arbitragem".

Mas na reflexão que faz, o antigo árbitro de futebol diz que poderia ter sido tomada pela equipa de arbitragem uma outra leitura para a avaliação do lance em questão, que não a que foi tomada. E tenta explicá-la.

"Porque não adotar o trecho que dita: Um jogador na posição de fora de jogo no momento em que a bola é jogada ou tocada por um colega de equipa só deve ser penalizado se tomar parte ativa no jogo ganhando vantagem dessa posição jogando a bola ou interferindo com um adversário quando a bola tenha ressaltado ou tenha sido desviada de (...) adversário", cita Coroado.

É que para o antigo árbitro de futebol, o espanhol Eric García, jogador envolvido na jogada que permitiu a Mbappé marcar o golo, "roçou, não jogou a bola".

Em artigo de opinião nas páginas do jornal O Jogo, Jorge Coroado socorre-se da leitura que é feita aos termos de futebol e o seu entendimento saído das Leis de Jogo para prosseguir com a sua reflexão sobre este lance.

A esse respeito, Coroado sustenta que "uma ação que o jogador intencionava/pretendia fazer" tem uma interpretação distinta pois "não é uma reação 'reflexa' ou não intencional".

Jorge Coroado refere ainda que quando se fala em intencional se está a referir a "uma ação deliberada (que não um acidente)".