Prolongamento
"Quando Pinto da Costa fugiu para Espanha entregou-se acompanhado desta claque"
2022-05-13 09:50:00
"O Estado de Direito não existe com a entourage do FC Porto", diz antigo vice-presidente do Benfica

O antigo vice-presidente do Benfica João Braz Frade lamenta o clima de insegurança que se vive no futebol nacional. O ex-dirigente lamenta o recente episódio nos festejos do título do FC Porto que ficaram ensombrados por desentendimentos entre elementos da claque dos Super Dragões que provocaram a morte de um adepto na Alameda do Dragão. Apesar de reconhecer que o caso nada tem que ver com futebol, Braz Frade aponta para o clima que acredita que reina no seio dos Super Dragões e do FC Porto em relação às autoridades e à justiça.

"Eu acho que este incidente especificamente não tem nada que ver com o clube ou com as responsabilidades do clube", esclareceu João Braz Frande, recordando que, todavia, já tinha apontado para a forma como a justiça e as autoridades atuam a Norte de Portugal no que ao fenómeno do desporto diz respeito.

"Eu queria lembrar que disse aqui uma vez que achava que a justiça e o Estado de Direito no que respeita ao FC Porto era célere em Lisboa, abrandava no Mondego e afogava-se no Douro", recordou o antigo vice-presidente do Benfica, lamentando que, em relação a figuras de alguma forma ligadas aos dragões, o Estado de Direito não tome medidas.

"No que respeita a esta entourage do FC Porto o Estado de Direito infelizmente não existe", afirmou João Braz Frade, certo de que uma palavra de Pinto da Costa a respeito do clima de insegurança que se vive no futebol português poderia ajudar.

"Eu acho que o senhor Pinto da Costa e o senhor Fernando Madureira são ouvidos por esta gente. Nesse sentido, uma mensagem mais forte de apelo à calma era fundamental e importante", destacou o antigo vice-presidente do clube encarnado, recordando ligações desde há vários anos que nota existirem entre o presidente do FC Porto Pinto da Costa e a claque dos Super Dragões, liderada por Fernando Madureira.

"Esta claque do FC Porto tem sido sempre apoiada pelo senhor Pinto da Costa. Quando o senhor Pinto da Costa fugiu para Espanha e depois se veio entregar ao Tribunal foi acompanhado pela claque até à porta do Tribunal", mencionou João Braz Frade, dizendo que os Super Dragões são para o presidente do FC Porto "uma espécie de guarda pretoriana".

"Há uma relação enorme e o clube podia ter feito mais ao longo destes anos", destacou o antigo vice-presidente do Benfica, em declarações na CMTV, insistindo que a administração portista deveria tomar outro tipo de atitude face ao clima que está instalado.

"É muito importante o FC Porto tentar acalmar as coisas", apelou João Braz Frade, acreditando que nos bastidores quer Pinto da Costa quer Fernando Madureira podem já ter falado sobre os acontecimentos, mas acreditando ser necessária uma declaração pública quer do presidente portista quer do líder da claque dos azuis e brancos.

"Eu acho que deveria ser pública a intervenção porque as coisas estão na rua. Não é que não possam haver intervenções privadas. Acho que sim senhor e provavelmente já houve. Agora, independentemente disso ou não, tem que ter uma intervenção pública porque isto está na rua e é importante."