Prolongamento
Procuradora mandou espiar dois jornalistas que investigavam E-Toupeira
Redação
2021-01-13 12:00:00
Sábado avança com a notícia. Sindicato dos jornalistas pede esclarecimentos à PGR

O caso E-Toupeira volta ao topo da atualidade, uma vez que, segundo adianta a revista Sábado, o Ministério Público mandou realizar vigilâncias aos jornalistas Henrique Machado e Carlos Rodrigues Lima (que estariam a investigar o caso judicial). Em causa está uma investigação sobre suspeitas de violação do segredo de justiça.

Alegadamente, as autoridades terão acompanhado as movimentações dos dois jornalistas durante dois meses, captando registos fotográficos para que os investigadores judiciais percebessem com que fontes de informação os jornalistas se relacionavam e tentando perceber se o segredo de justiça estaria, ou não, a ser violado.

A vigilância realizada aos jornalistas terá ocorrido na via pública durante os meses de abril e maio de 2018 e foi decretada pela magistrada Andrea Marques, do Departamento de Investigação e Acção Penal (DIAP) de Lisboa.

De acordo com a Sábado, "com tal diligência, segundo o processo, a procuradora quis saber com quem é que os jornalistas contactavam no universo dos tribunais, apesar de a investigação em causa dizer só respeito a uma eventual violação do segredo de justiça no caso e-toupeira".

Acreditando que as fugas, alegadamente, estariam a partir da Polícia Judiciária, as autoridades, segundo um esclarecimento já divulgado pelo DIAP, quiseram "identificar os autores das fugas de informação, também eles agentes da prática de crimes".

O DIAP diz que a 3 de abril de 2018 "foi determinado à PSP a realização de vigilância policial dos suspeitos, autores das mencionadas notícias", mas foram tomadas outras iniciativas.

O DIAP refere que as diligências tomadas "conduziram à identificação de um suspeito da autoria da fuga de informação", tratando-se de um coordenador de investigação criminal da Polícia Judiciária que "foi constituído arguido e interrogado no dia 5 de dezembro de 2019".

No âmbito deste processo, o sigilo bancário de um dos jornalistas que estava a ser vigiado acabou por ser quebrado, com o DIAP a confirmar esta ação, explicando que o jornalista acabaria por ser interrogado como arguido no dia 30 de novembro de 2020.

"Um segundo jornalista foi, igualmente, constituído e interrogado como arguido no dia 8 de janeiro de 2021", confirma o DIAP, esclarecendo que todas as ações se pautaram pela legalidade.

"Todas as diligências foram devidamente ponderadas e efetuadas com respeito pela legalidade e objetividade que devem nortear a atuação do Ministério Público", assegura o DIAP, dizendo que as ações mais delicadas foram "acompanhadas pela hierarquia".

O Sindicato dos Jornalistas já reagiu com um pedido de esclarecimentos "urgentes à procuradora-geral da República (PGR)". Para o sindicato, trata-se de "uma clara violação do seu sigilo profissional e da proteção das fontes de informação".

"O Sindicato dos Jornalistas solicitou esclarecimentos urgentes à PGR sobre esta matéria e um cabal e rápido apuramento de responsabilidades, alertando para a gravidade deste precedente e os constrangimentos que coloca ao exercício de um jornalismo livre e independente, fundamental em democracia", pode ler-se no comunicado do sindicato dos jornalistas.

No âmbito do processo E-Toupeira, recorde-se, a SAD do Benfica foi investigada mas acabou por não ser pronunciada para o julgamento que terá Paulo Gonçalves, antigo responsável do departamento jurídico da SAD encarnada, como uma das figuras mais mediáticas.