Prolongamento
Portimonense: a consolidação para dar uma "corzinha" do Algarve à Liga
2017-07-28 20:10:00
Clube de Portimão regressa ao campeonato onde esteve pela última vez em 2010/11

De volta à Primeira Liga, onde já não estava desde 2010/11, o Portimonense já havia estado perto da subida em 2015/16. No ano seguinte, com Vítor Oliveira ao leme, os algarvios subiram mesmo e, com um projeto prometedor, não querem regressar ao segundo escalão tão cedo. “Eu tenho a sensação que o Portimonense veio para ficar”, disse ao Bancada Fernando Teixeirinha, um dos jogadores que levou o Portimonense à sua melhor classificação de sempre: o quinto lugar de 1984/85.

No entanto, nem todos têm a mesma confiança. Rui Águas, colega de Teixeirinha nessa equipa, preferiu ser mais cauteloso: “Para já, o Portimonense tem de voltar a tentar posicionar-se na Primeira Liga”.

A melhor temporada de sempre

1984/85 é, até hoje, uma das épocas mais marcantes da história do Portimonense. O clube fechou o campeonato na quinta posição e qualificou-se para a Taça UEFA, um feito que nunca mais foi repetido até hoje. Para quem fez parte dessa equipa, um dos grandes trunfos era o treinador, Manuel José.

“O Portimonense, na altura, tinha um treinador que viria a confirmar tudo aquilo que prometeu nos seus primeiros anos e que estava a fazer a sua segunda época no clube, tal como eu. O Portimonense investiu nesses dois anos em atletas, uns mais conhecidos e outros menos, e o que é facto é que a equipa ficou muito forte e o Manuel José conseguiu juntar as peças”, começou por nos dizer Rui Águas, que sairia dos alvinegros no final dessa temporada para representar o Benfica.

Teixeirinha também se desfez em elogios a Manuel José, adjetivando-o mesmo como “maravilhoso”. “Foi algo que foi muito bem trabalhado, porque tínhamos um treinador simplesmente maravilhoso. Tínhamos para aí uns cinco ou seis jogadores que tinham sido internacionais portugueses e isso era sempre uma mais-valia”, referiu o defesa.

Uma das características desse Portimonense era a forma como juntava jogadores jovens com atletas mais experientes e ‘batidos’.  “A maioria da malta era nortenha e tinha bastante experiência, estava numa fase boa de carreira”, contou-nos Rui Águas. O seu antigo colega de equipa é da mesma opinião e ainda lembrou o ‘inferno’ criado no Municipal de Portimão.

“A juventude que compunha também o plantel aliava-se ao espaço que tínhamos para jogar, que era um campo terrível para as outras equipas. Benfica, Sporting e FC Porto tinham medo de jogar naquele campo, porque nós conseguíamos abafá-los”, explicou Teixeirinha, que hoje conta 57 anos.

Aos então jovens António Carvalho, Rui Águas, Teixeirinha e Serge Cadorin juntavam-se os mais experientes Carlos Simões, Balacó ou... Vítor Oliveira. Sim, o atual treinador do Portimonense jogava nessa equipa. Alguém por quem Teixeirinha tem um apreço especial.

“Eu sou suspeito em falar do Vítor, porque ele e a esposa foram meus padrinhos de casamento. Mas o Vítor é como os amigos o conhecem. Uma pessoa simples, bem formada, é hoje um treinador reconhecido. Pena que nunca tenha tido acesso aos grandes clubes nacionais, mas penso que isso não é problema dele, porque capacidade ele tinha e tem”.

Fora de campo, todos reconhecem o mérito de Vítor Oliveira nas equipas que conseguiu fazer subir de divisão. E enquanto atleta? Como era Vítor Oliveira? “Como colega e jogador, ele já era um líder. Ele era centrocampista, conseguia ser a voz do treinador e posicionar os colegas dentro de campo”, assegurou Teixeirinha.

No entanto, Rui Águas discordou. O antigo avançado, internacional português por dezenas de ocasiões, é amigo de Vítor Oliveira mas admitiu que não previu o seguimento da carreira de treinador.

“Eu também, se calhar, não tinha a capacidade de fazer essa análise. Mas não me parecia. Era um bom colega, criava um excelente ambiente. Não era nada aquele líder natural. Sempre foi uma pessoa simples e muito objetiva e por isso não acho que, nessa altura, se antevisse algo mais”.

O Algarve no mapa do futebol

Desde 2013/14, quando o Olhanense esteve na Primeira Liga, que nenhum clube algarvio estava no principal escalão do futebol português. Para Rui Águas, é importante voltar a ver uma equipa dessa região ao mais alto nível em Portugal.

“Sempre é uma ‘corzinha’ do Algarve no campeonato. Para mim, é feliz [ver o Portimonense na Primeira]. Essa fase em que lá joguei foi muito especial. Fui pai pela primeira vez, fui profissional pela primeira vez e vivi muito bem em Portimão. Recordo essa fase com muita saudade e ainda mais por isso saúdo o regresso de um dos meus clubes”, considerou Rui Águas.

Também Teixeirinha mostrou-se feliz e emocional com o regresso do Portimonense à Liga, demonstrando que é uma casa onde foi muito feliz.

“É com bastante apreço e imenso carinho, porque foi o clube que me ‘deu tudo’ no futebol. Não tinha ganho ou conquistado nada antes e lá acabei por singrar. Foi sempre titularíssimo desde o princípio até ao último dia. Fiz amizades que perduram pela vida. O clube passou uma fase difícil, com falta de economias. Hoje em dia, as coisas mudaram porque há fundos e patrocinadores”.

Ao contrário do Aves, o outro clube que subiu da Segunda para a Primeira, o Portimonense manteve a maioria dos jogadores da última temporada, realizando poucas transferências tanto no que toca a aquisições como saídas.

Os dois ex-jogadores, na hora de projetar a época 2017/18 para o Portimonense, elogiaram a permanência da base da equipa dos ‘guerreiros do Sul’ e explicaram porquê.

“O Vítor Oliveira conhece mais do que ninguém a sua equipa, a capacidade dos seus jogadores. Manter uma base é logo partir à frente porque não se tem de reconstruir uma equipa inteira, que é algo difícil de fazer. O início da Liga é sempre muito importante e pode ser decisivo para este tipo de equipas em que entrar bem e mal pode influenciar a manutenção ou a descida”, assumiu Rui Águas, antigo selecionador de Cabo Verde, enquanto Teixeirinha concluiu ao dizer que “o clube fica com uma estabilidade melhor porque mantém a espinha dorsal, o núcleo. E isso é uma arma bastante forte”.

Plantel

Guarda-redes: Carlos Henriques, Leonardo Navacchio e Ricardo Ferreira;
Defesas: Ricardo Pessoa, Jean Felipe, Emmanuel Hackman, Felipe Macedo, Jadson, Lucas Possignolo, Rúben Fernandes, Lumor Agbenyenu, Inácio Santos, Edward Sarpong;
Médios: Marcel Pereira, Pedro Sá, Dener Clemente, Ewerton Pereira, Fabrício Messias, Theo Tyuki, Gustavo Costa, Paulinho, Bruno Tabata;
Avançados: Wellington Carvalho, Wilson Manafá, Chidera Ezeh, Rui Costa, Jorge Pires

Treinador: Vítor Oliveira, 63 anos (desde 2016)

Transferências

Aquisições: Rui Costa (Varzim SC), Wellington Carvalho (FC Penafiel), Felipe Macedo (Góias EC), Rúben Fernandes (Sint-Truiden VV), Inácio Santos (empréstimo FC Porto), Emmanuel Hackman (empréstimo Boavista) e Lucas Possignolo (empréstimo São Paulo FC).

Saídas: Ivo Nicolau (Olhanense), Luís Zambujo (Farense), Brendon Lucas (empréstimo Académica) e Stanley (empréstimo FC Penafiel)

Onze base do Portimonense para 2017/18

Pré-época

12/7: Marítimo 4-1 Portimonense (Wellington Carvalho)
15/7: Portimonense 3-3 V. Guimarães (Moreno a.g. x2, Jorge Pires)
16/7: Varzim SC 1-2 Portimonense (Dener, Ewerton)
19/7: Portimonense 0-1 Sheffield Wednesday
22/7: Louletano 2-1 Portimonense (Ewerton Pereira)
22/7: Portimonense 3-2 Farense (Paulinho, Fabrício Messias, Wilson Manafá)
27/7: Portimonense 1-5 FC Porto (Ewerton Pereira)

Episódio 3: CD Tondela, amanhã às 14h