Prolongamento
"Pinto da Costa propiciou episódio de violência", diz ex-advogado do Benfica
Redação
2021-04-29 09:50:00
João Correia rejeita que presidente portista seja autor moral mas diz que este "propiciou" cena em Moreira de Cónegos

João Correia, advogado que durante 27 anos trabalhou com o Benfica, terminando recentemente a ligação profissional com o clube liderado por Luís Filipe Vieira, participou num debate na TVI 24 para abordar a agressão a um repórter daquele canal de televisão no exterior do Estádio Comendador Joaquim de Almeida Freitas, em Moreira de Cónegos, na passada segunda-feira, após o jogo Moreirense-FC Porto. E foi aí que comentou as palavras de Pinto da Costa que, na quarta-feira à noite, participou na emissão do Porto Canal para esclarecer que não assistiu a qualquer agressão ao jornalista da TVI, aproveitando para condenar qualquer ato de violência.

"Para mim é absolutamente indiferente que o senhor Pinto da Costa diga isso ou o contrário disso. Acho que ele foi rapidamente à televisão até porque todos os intérpretes entendem que Pinto da Costa propiciou, não quer dizer que fosse autor moral, mas propiciou aquele episódio de violência", comentou João Correia, dizendo que Pinto da Costa "abordou o repórter de imagem da TVI e propiciou aquela situação". "Não quer dizer que ele tenha intervido, tivesse ajudado, incentivado por qualquer forma, se fosse autor moral daquela infração ou daquele crime. Não. Mas o certo é que ele tem a necessidade de se justificar. Portanto, tanto dá que ele diga isso ou o seu contrário".

Nas declarações durante o debate na TVI 24, o antigo advogado do Benfica referiu ainda que aquilo a que se assistiu desde Moreira de Cónegos não se trata de violência no desporto. E explicou-se.

"É bom que se separem as águas. Isto não tem nada que ver com desporto. Isto não é violência no desporto. Não tem nada que ver com violência no desporto. Isto tem que ver com uma certa propensão para uma certa isenção de responsabilidades que graça em alguns setores do futebol profissional o que, manifestamente, não deve ser admitido."

João Correia explicou ainda que esses comportamentos atrás descritos devem merecer atenção por parte das autoridades. "Deve ser severamente impedido, severamente castigado e severamente imposto como conduta que não pode ser admitida".

O advogado referiu ainda que o episódio no exterior do estádio do Moreirense, após o jogo contra o FC Porto, "é um caso exemplar" que "não pode passar impune" e João Correia voltou às palavras de Pinto da Costa.

"Não é tanto como foi dito de que está a ser empolado", declarou, salientando que se trata de um caso de "punição física sobre quem está a exercer a sua profissão. Essa é que é a questão". E é isso que o advogado espera que seja avaliado pelas autoridades.

"Em suma, tanto me dá que o senhor Pinto da Costa diga isso ou o seu contrário. De facto, ele tem necessidade de demonstrar que não propiciou aquela agressão a um jornalista", analisa João Correia.

Na quarta-feira, na emissão do Porto Canal, recorde-se, Pinto da Costa, que estava presente no local quando tudo aconteceu, explicou aquilo que viu. "Eu não vi nenhuma agressão, nem vi ainda nenhuma imagem em que se veja Pedro Pinho a agredir seja quem for", esclareceu o presidente do FC Porto,

O líder dos azuis e brancos esclareceu ainda que não descarta que possa ter existido alguma agressão mas, aquilo que diz ter visto, foi o empresário Pedro Pinho a avançar contra o material de trabalho do jornalista. "O que eu vi foi Pedro Pinho a tapar a câmara para não filmar. Não digo que houve ou não".