Prolongamento
"Pinto da Costa não foi à Galiza? Num país sério, o FC Porto não ficava na Liga"
2022-06-03 09:55:00
"Não se pagaram viagens? A Justiça absolveu Pinto da Costa. Porquê?", questiona ex-diretora do Sporting

Rita Garcia Pereira, advogada e antiga dirigente do Sporting, não concorda com a teoria de que as escutas do Apito Dourado foram validadas em tribunal, realçando que foram autorizadas pelo Ministério Público mas o juiz não as validou e por isso não foram anexadas ao processo no qual Pinto da Costa acabou absolvido.

Em defesa de Frederico Varandas, que recentemente recordou o caso e chamou "corruptor ativo" a Pinto da Costa, Rita Garcia Pereira diz que o presidente do Sporting se limitou a falar do que qualquer pessoa pode ouvir nas escutas do Apito Dourado. "A Justiça absolveu Pinto da Costa e é facto. Porquê? Absolveu Pinto da Costa porque as escutas foram consideradas ilegais e o processo estava mal montado em cima de escutas ilegais e de uma senhora cuja idoneidade era muito duvidosa", apontou Rita Garcia Pereira, continuando a explicação à luz do Direito.

"As escutas foram determinadas pelo Ministério Público mas não foram validadas pelo juiz. O processo cai por causa das escutas e, além das escutas, a grande testemunha do Ministério Público era uma senhora que o senhor Pinto da Costa conhecia bem e de perto mas cuja idoneidade não era propriamente a melhor. E foi assim que o processo caiu", explicou a advogada, professora de Direito e antiga dirigente do Sporting.

Rita Garcia Pereira referiu ainda que esteve a rever as escutas do Apito Dourado nos últimos dias. "Estive a ouvir coisas porque recordar é viver. Estive a ouvir escutas que são surreais e não são só surreais porque metem meninas. Essa nem é a parte mais surreal. Há outras designadamente pagamentos a árbitros e um dos árbitros a dizer isso. São bem mais surreais", lamentou, dizendo que em outro país o FC Porto tinha sido despromovido de divisão.

"Isto num país a sério o FC Porto não tinha ficado no campeonato. Ponto. Podemos falar a seguir de outros exemplos de outros clubes. Tudo muito certo. Mas neste momento estamos a falar disto e foram estes os factos que Frederico Varandas foi buscar", sublinhou Rita Garcia Pereira, em declarações na CMTV.

Por outro lado, a advogada diz que pode não concordar com a altura escolhida por Frederico Varandas para usar certos termos mas diz que não vê no discurso de Varandas nada que não esteja refletido nas escutas do Apito Dourado.

"Se o fez de uma forma em termos temporais adequada, tenho as minhas dúvidas. Mas que isto aconteceu, aconteceu", acrescentou Rita Garcia Pereira, insistindo que se o Ministério Público tivesse trabalhado de forma diferente o resultado poderia ter sido outro em tribunal.

"Num país em que o Ministério Público soubesse o que faz, o resultado não teria sido este. Podemos dar as voltas que se dê mas as escutas falam por si. Aconteceram há 20 anos. O que é que mais terá acontecido que a gente não saiba? Não excluo o FC Porto, o Benfica e o meu clube [Sporting]", assegurou, insistindo na defesa de Varandas.

"O que Frederico Varandas disse que não esteja nas escutas?", questionou, prosseguindo com outras interrogações a respeito do Apito Dourado.

"Aquilo não foi dito? Aquilo não aconteceu? Não se pagaram aquelas viagens? Não se levaram aquelas meninas? Nada disto aconteceu? Pinto da Costa não foi passear até à Galiza? É que eu lembro-me perfeitamente disso. Não estava lá? Não voltou escoltado por uma espécie de guarda de honra? Não assistimos todos a isto? Eu assisti."

Já em relação ao facto de o FC Porto ter apelidado Frederico Varandas de "pirómano", Rita Garcia Pereira diz que se trata de "mais uma demonstração de grande elegância do FC Porto. É só mais uma".

A este respeito, a antiga dirigente do Sporting realça ainxda que "também o senhor Pinto da Costa num momento diz que não sabe quem é Frederico Varandas, passadas 48 horas pergunta por Frederico Varandas, fala sempre com grande ironia".