Prolongamento
Parlamento está com dificuldades em contactar alguns devedores do Novo Banco
Redação
2021-04-16 12:40:00
Grandes devedores do Novo Banco chamados à Comissão de Inquérito na última semana de abril

As audições aos grandes devedores do Novo Banco vão arrancar em breve no Parlamento português mas Fernando Negrão, presidente da Comissão Eventual de Inquérito Parlamentar às perdas registadas pelo Novo Banco e imputadas ao Fundo de Resolução, confessa que está a sentir dificuldades para chegar ao contacto com algumas das figuras que quer interrogar em sede parlamentar. Negrão não revela nomes mas deixa no ar o lamento para esta situação, até porque se aproxima a data de arranque das inquirições onde quer ver, entre outros, Luís Filipe Vieira, um dos rostos mais mediáticos, ou Joe Berardo a darem a sua versão sobre a situação desta entidade bancária.

Depois de confirmar que os trabalhos devem arrancar "na última semana de abril", altura em que "começarão a ser ouvidos os grandes devedores do Novo Banco", Fernando Negrão explicou que já chegou ao contacto com algumas dessas figuras que espera interrogar juntamente com a Comissão de Inquérito. Só que nem todos têm respondido à chamada.

"Algumas destas pessoas já foram contactadas e demonstraram total disponibilidade. Já com outros o contacto está a ser difícil", revelou Fernando Negrão, esperando que até começarem as audições estas dificuldades fiquem ultrapassadas. "Contamos que será levado a bom porto", vaticinou o responsável social-democrata Fernando Negrão, em declarações prestadas à agência Lusa. 

No dia 8 de abril, recorde-se, o antigo diretor de auditoria interna do Novo Banco revelou no parlamento que o Fundo de Resolução avançou com um pedido de uma autoria específica acerca da exposição do Novo Banco ao construtor José Guilherme via Invesfundo, à semelhança do que já tinha feito com a Promovalor de Luís Filipe Vieira. Relativamente à empresa de Vieira, foi afirmado nessa altura que "desde o início era a opção privilegiada" para perceber os negócios feitos entre a empresa e esta entidade bancária, que foi salva pelos dinheiros dos contribuintes.

Em 15 de setembro de 2020, numa audição na comissão de orçamento e finanças, o presidente executivo do Novo Banco, António Ramalho, já tinha referido que havia uma auditoria específica do Fundo de Resolução à reestruturação de créditos em dívida da empresa de Luís Filipe Vieira que, segundo o jornal de Negócios, entre agosto de 2014 e dezembro de 2018, provocou ao Novo Banco perdas de 225,1 milhões de euros com o grupo económico liderado por Luís Filipe Vieira. Uma auditoria feita pela Deloitte, citada pelo Correio da Manhã, em setembro de 2020, revelava que o buraco financeiro resultava de "imparidades e desvalorização de dívida que fora convertida em VMOC, no âmbito da reestruturação feita em 2011; e desvalorização de ativos imobiliários".

Além do atual presidente do Benfica, entre os grandes devedores do Novo Banco, estão a Martifer, o construtor José Guilherme, o empresário José Berardo. Entre os nomes que a comissão de inquérito quer ouvir estão Luís Filipe Vieira, Nuno Gaioso Ribeiro (Promovalor e C2 Capital Partners), Nuno Vasconcellos (Ongoing), João Gama Leão (Prebuild) e Bernardo Moniz da Maia.