O Olhanense-Benfica, da Taça de Portugal, vai realizar-se no Estádio do Algarve, ao invés de ser no José Arcanjo.
“Nós queríamos o jogo em Olhão e fizemos tudo o que tivemos ao nosso alcance para que isso acontecesse.” O encontro entre SC Olhanense e Benfica, a 14 de outubro, para a terceira eliminatória da Taça de Portugal, não vai ser disputado no Estádio José Arcanjo, mas sim no Estádio do Algarve, devido a questões de segurança. Ainda assim, não era essa a decisão que o clube algarvio queria ver para uma partida que fora do próprio recinto será de chances de vitória praticamente reduzidas.
Os responsáveis da SAD do Olhanense tiveram um dos papéis principais na decisão de mudar o local do jogo, embora considerem que as consequências para o clube podem não ser as melhores. Assim o referiu Luís Torres, membro da SAD do emblema algarvio, em conversa com o Bancada. “Foi dito logo após o sorteio que, sabendo que a cidade ansiava por este jogo, tínhamos todo o interesse que se realizasse em Olhão, porque é o nosso estádio, que conhecemos bem. Apesar das hipóteses serem diminutas, pela diferença entre as duas equipas, acreditávamos que no nosso estádio tínhamos outro tipo de armas.”
O treinador do Olhanense, Bruno Saraiva, prefere não atribuir importância em demasia ao facto de o jogo realizar-se no Estádio do Algarve e salienta, isso sim, a motivação dos jogadores. “Sem dúvida que a mística de jogar no Arcanjo é distinta para quem joga e treina regulamente no estádio. No entanto, habituei-me a não valorizar em demasia fatores externos ao jogo. Depois, estes jogos têm uma motivação extra para os nossos atletas e as nossas possibilidades só poderão advir do nosso comportamento e não do campo onde o jogo é disputado. Se os adeptos do Olhanense encherem o Estádio do Algarve, o fator casa será mantido”, palavras do técnico dos algarvios ao Bancada.
Ainda assim, o bem-estar dos adeptos falou, certamente, mais alto e a receção ao Benfica não será no José Arcanjo. Os motivos? Ora, se é o relvado que tem feito correr mais tinta, Luís Torres garantiu ao Bancada que a decisão tem somente uma razão. “Teve a ver única e exclusivamente com o facto termos um estádio que não está preparado para um evento daquela grandeza, porque estivemos estes últimos três anos na Segunda Liga e aí nunca houve a necessidade de utilizar a bancada nascente, que é amovível. Quando saímos da Primeira Liga, também por uma questão de custos, foi encerrada e deixou de ser mantida. A bancada carece de obras, de elevado valor, mas para além disso seria o tempo que demoraria a executá-las, o que tornou impossível de recuperá-la”, revelou o membro da SAD do Olhanense.
Crédito: SC Olhanense.
Seria possível concluir as obras a tempo do jogo? Situação complicada de prever, mas que beneficiaria do auxílio dos adeptos e foi isso mesmo que os responsáveis do Olhanense pensaram. O clube algarvio lançou recentemente um apelo aos aficionados para ajudarem nas obras, a começar há um par de dias, mas não houve resposta da parte do outro lado. “Ao contrário do que se passou em Oleiros, aqui não tivemos essa mobilização humana a ajudar a resolver o problema. Acreditávamos que isso poderia encaminhas as coisas, mas compreendemos que as pessoas tenham a sua vida. Não é uma situação que nos ofenda, mas o problema aqui é que derivado a esse facto torna-se quase impossível fazer um trabalho que demoraria no mínimo dos mínimos 20 dias a ser concluído”, referenciou Luís Torres.
Com tantas incidências, houve ainda lugar a uma solução de recurso, que acabou por não ser viável. Esta passaria por desmontar a bancada nascente, de forma a colocar as pessoas na parte de trás, mas o facto de o jogo ser classificado de “alto risco” não permitiria a utilização de bancadas sem cadeiras. “Foi uma questão de lógica em termos de segurança e conforto das pessoas”, nas palavras de Luís Torres.
Com ou sem José Arcanjo (neste momento já se sabe), a verdade é que o duelo entre Olhanense e Benfica terá lugar de sábado a oito dias. Os ingredientes para preparar a receção a um dos crónicos três grandes do futebol português? Bruno Saraiva considera não haver pontos específicos. “Prepara-se da mesma forma que se preparam as demais partidas, sobretudo se jogarmos num clube como o Olhanense, que pretende regressar às competições profissionais e desta forma todos os jogos para nós são decisivos. A distância temporal e a importância do que jogamos a cada jornada no nosso campeonato não nos permitiu nem perder muito tempo a analisar o sorteio, nem nos desviou do nosso principal objetivo.”
No fim de contas, falou mais alto “a segurança das pessoas”, a “qualidade do espetáculo” e “a imagem que o Olhanense pretende passar para o exterior”. A segurança e o conforto dos adeptos no estádio foram os focos principais do conjunto algarvio, tal como referenciou a SAD. “Iríamos ter um estádio com uma capacidade reduzidíssima, no sentido em que estaríamos a arriscar muito e não era possível termos a certeza de que teríamos todos os trabalhos realizados a tempo.” E nasceu assim uma decisão tomada precisamente no dia de hoje, que faz com os responsáveis do Olhanense tenham que voltar a tratar de toda a logística, devido ao facto de já terem tudo preparado para que o jogo tivesse lugar no Estádio José Arcanjo.
Último duelo para a prova rainha é de má memória para as hostes algarvias
Se as perspetivas do Olhanense para o encontro com o Benfica já não são as melhores, quando se observa o histórico de confrontos esse mesmo sentimento agudiza-se ainda mais. O último triunfo do emblema algarvio face às ‘águias’ teve lugar no longínquo ano de 1950, então uma vitória por 2-0, no terreno do Olhanense, com golos de João Manuel e Machado. Mas, não recuemos assim tanto. É agora o momento de recordar o último duelo que opôs ambas as equipas a contar para a Taça de Portugal. Até porque é para essa mesma prova rainha portuguesa que se vai jogar a 14 de outubro.
Vamos então até 2011, mais precisamente ao dia 12 de janeiro. Nessa mesma data, o Estádio da Luz acolheu a receção do Benfica ao Olhanense, para os oitavos de final da Taça de Portugal. O desfecho? Decerto nada favorável ao conjunto de Olhão. Um 5-0 para os encarnados que resultou no último duelo entre ambas as equipas na Taça de Portugal. Fernando Alexandre recordou uma partida que não deixou muitas lembranças. “Com um 5-0 não há muito a dizer. Quando o Benfica joga em casa já é muito complicado, ainda por cima sofremos o primeiro golo cedo. Quando sofres um golo cedo contra um grande, na casa deles, 95 por cento das vezes já não é possível dar a volta”, salientou Fernando Alexandre em conversa com o Bancada.
Crédito: António Cotrim.
Desde aí, já foram mais as vezes em que Olhanense e Benfica se defrontaram, nove para ser mais específico. De todos esses compromissos, o melhor que a turma de Olhão conseguiu alcançar consistiu em dois empates, ambos para o campeonato e precisamente no Estádio José Arcanjo. Porém, de sábado a uma semana não será Olhão a acolher novo embate entre rubro-negros e encarnados…
Jogo da época chega em início de temporada invicto
É sob o semblante da invencibilidade que o Olhanense vai defrontar o Benfica a 14 de outubro. Ou pelo menos por agora… é que até ao jogo diante do Benfica há uma deslocação ao terreno do Oriental pela frente, já no próximo fim de semana. Porém, a verdade é que os homens de Olhão ainda não conheceram o sabor da derrota em jogos oficiais esta época. Em ano de regresso ao terceiro escalão do futebol português, após a queda da Segunda Liga, os algarvios levam sete partidas sem perder, seis delas com triunfos como desfecho.
Já que estamos em onda de Taça de Portugal, comecemos por aí. Para chegar à terceira eliminatória da prova rainha do futebol português, o Olhanense teve que ultrapassar dois encontros, ambos com vitória ao fim dos 90 minutos. Na ronda inaugural da edição 2017/18, a turma de Olhão recebeu o Almancilense, em pleno Estádio José Arcanjo, e triunfou por 3-1. Na fase seguinte, foi o SC Lamego a conhecer o sabor do desaire perante os algarvios, com um 4-1 também em casa do Olhanense. O sorteio da terceira eliminatória ditou que seria mais um jogo em casa, mas as condicionantes já conhecidas levam a que o local seja alguns quilómetros distante do recinto do Olhanense.
A época da equipa algarvia não tem sido apenas feita de Taça de Portugal, como seria expectável. Com cinco jornadas disputadas na Série E do Campeonato de Portugal, o Olhanense lidera, de forma isolada, a tabela classificativa, com um ponto de vantagem sobre o rival Farense. Quatro vitórias e um empate resultam no saldo de 13 pontos que o conjunto de Olhão regista, neste momento, no terceiro escalão.
O treinador da equipa, Bruno Saraiva considerou positivo o começo de época, mas preferiu não dar demasiada importância a uma fase tão inicial da temporada. “Para já avaliamos como positiva, mas simplesmente isso. Começar bem é sempre motivador, mas ainda é muito prematuro para fazer grandes avaliações. Da mesma forma que nós ainda procuramos melhorar alguns aspetos no nosso processo, integrar jogadores que chegaram mais tarde e isso acontece connosco e com muitos dos nossos adversários. Todos ainda procuramos o nosso melhor momento”, rematou ao Bancada.