As histórias mais marcantes das anteriores nove edições da competição
Onde há futebol, há insólito. Sempre foi assim e a Taça das Confederações não é exceção. A edição 2017 começou há minutos e apresentamos-lhe os momentos marcantes, por um lado, e inusitados, por outro, das anteriores nove edições da Taça das Confederações.
Deixamos-lhe um “cheirinho” do que aí vem: passámos por países que não são países, por estádios “cabriolet” de cobertura furada, por japoneses excêntricos e por iraquianos em guerra.
Leia as histórias marcantes de uma competição que começou há 21 anos, ainda sob o formato de Taça Rei Fahd, até assumir a chancela da FIFA, em 1997. Nesta prova, participam os seis campeões dos diferentes continentes, bem como o campeão do mundo e o organizador do próximo mundial.
Portugal estreia-se nesta prova, como campeão da Europa, e começará o seu percurso já neste domingo, frente ao México (16h).
2013: Japoneses excêntricos.
Na última edição da Taça das Confederações, no Brasil, houve duas equipas especiais. Por motivos diferentes, Japão e Taiti ficaram na história desta competição.
Primeiro, os nipónicos. Todos conhecemos a cultura diferente – até excêntrica, por vezes – dos japoneses. Em 2013, a seleção treinada por Alberto Zaccheroni contava com alguns nomes já conhecidos do grande público (Kagawa, Honda, Nagatomo ou Uchida), mas também apresentou ao Mundo algumas figuras… particulares.
O guarda-redes, Eiji Kawashima, é poliglota por hobbie. Para além da língua materna, o jogador comunica perfeitamente em Inglês, Espanhol e Português, “safanfo-se” em Francês e Alemão. Em 2012, foi a um programa de televisão e surpreendeu toda a gente respondendo a questões num italiano quase perfeito. “Ele fala melhor italiano do que o Francesco Totti”, disseram alguns fãs. Na Taça das Confederações, não deixou de mostrar os seus dotes linguísticos, nos encontros com os jornalistas internacionais.
Já Nagatomo, jogador do Inter Milão, é conhecido pela sua frontalidade, muitas vezes a roçar o ingénuo. Wesley Sneider, ex-companheiro do japonês, chegou a dizer que Nagatomo gostava de “quebrar o gelo”, contando, em italiano, piadas atrevidas em locais impróprios. O mesmo Nagatomo chegou a aparecer num programa de televisão, em Itália, referindo-se ao tamanho de determinadas características físicas do jogador africano Samuel Eto’o. Apesar dessa reputação, Nagatomo era descrito ainda como uma pessoa filosófica e com interesses eruditos.
Keisuke Honda, o novo Nakata. O agora jogador do AC Milan (será companheiro de André Silva) é um dos nomes mais requisitados para campanhas de moda e eventos sociais, dando-lhe uma aura extra-futebol semelhante à de Hidetoshi Nakata, um dos primeiros japoneses a fazer carreira na Europa. A sua personalidade é, muitas vezes, descrita como o típico cool boy japonês.
Por último, Mike Havenaar. Não, não há erro nenhum. O avançado japonês tem um nome pouco comum entre os nipónicos, devido às suas raízes holandesas. Mike é filho um ex-guarda-redes e de uma ex-campeã de heptatlo, na Holanda. Para além do nome, também as feições do jogador fugiam totalmente aos olhos rasgados e ao cabelo liso típicos dos japoneses.
O problema, para esta seleção, é que Zaccheroni não encontrou forma de conjugar bem todas estas personalidades excêntricas, e o Japão terminou no último lugar do grupo A, com zero pontos, atrás de México, Itália e Brasil.

Um país que não é país
Não, não nos esquecemos do Taiti, que nem é um país, mas está autorizado a jogar em competições FIFA. A seleção da Polinésia Francesa qualificou-se, surpreendentemente, para esta prova (a favorita Nova Zelândia perdeu com a Nova Caledónia, que foi derrotada pelo Taiti, na Taça da Oceânia) e tornou-se a mais pequena nação a entrar numa competição FIFA.
O Taiti tinha uma população cerca de dez vezes menor do que o segundo país mais pequeno em prova, o Uruguai, e o plantel era formado, totalmente, por jogadores que atuavam no modesto campeonato local.

2009: Iraque no futebol, para esquecer a guerra
“Queríamos mostrar que somos uma nação de futebol e não apenas guerra”. As palavras foram de Nashat Akram, médio da seleção do Iraque, que participou na Taça das Confederações, em 2009, na África do Sul.
Com um país em guerra há seis anos, os iraquianos chegaram ao país do Cabo da Boa Esperança com a esperança de mostrar ao mundo que são mais do que tiros, ditaduras, miséria e destruição.
O treinador que os levou não poderia ser outro: Bora Milutinovic, claro está. “Treinei por todo o mundo e posso dizer isto: as situações são diferentes de local para local, mas o futebol é o mesmo. O olhar nos olhos deles [jogadores] é o mesmo e futebol é futebol”.
Depois de ter levado cinco equipas a Mundiais (México, Costa Rica, EUA, Nigéria e China), Bora garantiu que só queria que “eles mostrassem a toda a gente o orgulho que têm na tua pátria e o amor pelo seu povo”. E, para o treinador Sérvio, mostraram.
O Iraque foi eliminado na fase de grupos, mas perdeu apenas 1-0 frente à poderosa Espanha. Deixamos o relato desse momento a cargo de Bora Milutinovic.
“Essa derrota foi um dos momentos de maior orgulho da minha carreira. Eu estava com um sorriso de orelha a orelha depois do jogo. Os jornalistas perguntaram-me por que motivo eu estava a sorrir depois de uma derrota e expliquei-lhes que nós, o Iraque, perdemos por um golo com a melhor equipa do Mundo. A Espanha ganhou, mas nós não perdemos”.

2005: estádio coberto, com cobertura furada
O Waldstadion, em Frankfurt, era apelidado de “maior cabriolet do Mundo”. O Estádio coberto, onde se jogou a final entre Brasil e Argentina, impressionava pela imponência e modernidade, mas cedo perdeu esse rótulo.
Depois de duas semanas de calor, na Alemanha, o jogo da final foi brindado com trovoada e chuva forte. Ainda assim, nada que incomodasse o “maior cabriolet do Mundo”.
O problema é que a chuva forte rompeu a cobertura do estádio, numa pequena faixa, provocando um dilúvio em cima de fotógrafos e alguns adeptos, mesmo à frente de um dos árbitros assistentes.
O “maior cabriolet do Mundo” cedeu, tal como cedeu a seleção argentina, que perdeu por expressivos 1-4.

2003: morte em campo
Em 2003, a Taça das Confederações não trouxe insólito, mas tragédia. No Estádio Gerland, em Lyon, Marc-Vivien Foé caiu inanimado ao 72.º minuto do Camarões-Colômbia. O médio camaronês acabaria por falecer, naquele que foi um dos momentos mais trágicos da história do futebol mundial.
2001: Cangurus derrubam super-França
O 49.º jogo da história desta competição marcou um dos melhores momentos da história do desporto australiano, mais conhecido pelo râguebi, cricket, golfe ou ciclismo.
Os “socceroos” bateram a super-França, que contava com nomes como Anelka, Robert Pires, Patrick Vieira, Desailly, Lizarazu ou Djorkaeff. Os franceses eram, na altura, os campeões europeus e mundiais, mas os cangurus australianos venceram por 1-0, na fase de grupos, com um golo de Clayton Zane, aos 60 minutos.
Plot twist: os franceses acabaram por vencer a competição, batendo o Japão, na final, por 1-0.
Veja os melhores momentos desta partida.
México 1999: festa azteca, ao sabor da Tequila
Foi no lendário Estádio Azteca, na Cidade do México, que os mexicanos conquistaram, em casa, uma prova internacional de seleções. Aquela tarde de 4 de agosto marcou um dos momentos marcantes da história do futebol, com os mexicanos a derrotarem o poderoso Brasil, por uns espetaculares 4-3.
110 mil pessoas encheram o Azteca e assistiram à vitória da seleção mexicana, que contava com nomes como Rafa Marquéz, Cuathemóc Blanco ou Pavel Pardo, para derrotar uma armada brasileira com Ronaldinho, Dida, Zé Roberto, Flávio Conceição ou o ex-Sporting Marcos Paulo.
O jogo, esse, ficou na história. Zepeda (13’) e Abundis (28’) adiantaram o México, antes de Serginho (43’) e Roni (47) empatarem para o Brasil. O bis de Zepedea (51’) voltou a dar vantagem aos mexicanos, antes de Blanco (62’) estabelecer um confortável 4-2. Zé Roberto acabaria por reduzir para 4-3, mas a festa foi mesmo com som Mariachi e ao sabor da Tequila.
Veja o “festival de golos” no Azteca

1997: pessoas em pé, adeptos a entrar e… golo.
A edição de 1997 da Taça das Confederações trouxe o golo mais rápido da história da competição. Hassan Mubarak, médio dos Emirados Árabes Unidos, precisou apenas de 39 segundos para dar vantagem à sua equipa, frente à África do Sul.
Os restantes 89 minutos de jogo foram um deserto, com os Emirados Árabes Unidos a tentar (e conseguir) segurar a vitória frente aos sul-africanos.
Ambas as equipas seriam eliminadas na fase grupos, depois de serem derrotadas pela República Checa e pelo Uruguai. O Brasil venceu a prova.
1995: história uma vez, história duas vezes
É conhecida a história que levou a Dinamarca ao título europeu, em 1992. O desmembramento da Jugoslávia, em período de Guerra, levou à desqualificação dos balcânicos, a duas semanas do início do Euro 92. A Dinamarca aceitou o desafio de substituir a Jugoslávia e fê-lo sem a sua principal estrela, Michael Laudrup, que estava em conflito com o selecionador. O resto da história é conhecido: os dinamarqueses, pelos quais ninguém dava nada, foram campeões da Europa.
Três anos depois, foram à Taça Rei Fahd – formato embrionário da Taça das Confederações –, já com Laudrup no plantel, e venceram a competição. Na final, Michael Laudrup e Rasmussen marcaram os golos que derrotaram a Argentina.
Foi o primeiro título que os irmaõs Bryan e Michael Laudrup venceram juntos.

1992: 48 minutos para chegar à glória
15 de outubro de 1992. Demorou 48 minutos para surgir o primeiro golo na Taça das Confederações, um momento histórico que tem a assinatura de Fahad Al-Bishi, médio da Arábia Saudita.
Frente aos Estados Unidos, de Bora Milutinovic, os sauditas venceram por 3-0, apurando-se para a final, onde perderiam por 1-3, frente à Argentina.
Essa formação albiceleste, repleta de estrelas, contava ainda com nomes conhecidos do futebol português. Beto Acosta (ex-Sporting) e Claudio Caniggia (ex-Benfica) faziam parte de um plantel que também tinha Gabriel Batistuta, Fernando Redondo ou Diego Simeone.