Prolongamento
Júdice volta a atacar Rui Pinto e diz que dorme “maravilhosamente”
2020-10-28 12:45:00
"Aquele diz que foi às caixas de correio para buscar provas de crimes. É o argumento. Isso não pode ser"

O advogado José Miguel Júdice, que ontem chamou “ladrão” a Rui Pinto, nesta terla-feira, em tribunal, denunciando “violência moral e psicológica”, na 17.ª sessão do julgamento, repetiu a crítica ao criador do Football Leaks. E foi mais longe. 

No espaço de comentário semanal na SIC Notícias, o antigo sócio fundador da sociedade de advogados PLMJ considerou que o argumento de que a violação de dados pessoais não pode justificar qualquer tipo de investigação criminal. E lamentou que "um ladrão" tenha acesso a informação do foro pessoal. 

"Aquele diz que foi às caixas de correio para buscar provas de crimes. É o argumento. Isso não pode ser. Não é possível. O sistema constitucional não o permite. Quem entra numa casa alheia, sem ser autorizado, usando uma chave falsa, ou uma chave roubada, é um ladrão", acusou, sem citar o nome de Rui Pinto.

O advogado lembra que estão em causa direitos constitucionais que foram violados. E sente-se vítima. "Mudem a Constituição... No dia em que uma pessoa possa dizer ‘eu vou fazer investigação criminal, eu vou fazer pesquisa para obter provas de crimes’, qualquer pessoa estará autorizada a fazer isso”, disse, referindo-se ao acesso a dados pessoais a que Rui Pinto acedeu. 

José Miguel Júdice manifesta-se "tranquilíssimo" e não teme a justiça, não obstante as informações fornecidas por Rui Pinto, no âmbito do Football Leaks e do Luanda Leaks.

"Durmo maravilhosamente", justifica o causídico. No entanto, Júdice confessa-se incomodado por saber que terceiros tiveram acesso a informação que lhe pertence e que, em qualquer altura, poderá ser do domínio público.

"Imagine que iam à sua caixa do correio, onde tinha declarações de amor, momentos de raiva, as suas análises, os problemas dos seus filhos… Isto é muito desagradável que um dia apareça. A minha vida profissional é totalmente transparente, estou totalmente tranquilo e não quer dizer que eu morra disso", justificou, interrompendo o raciocínio.

O antigo bastonário da Ordem dos Advogados considerou que uma invasão informática pode causar mais danos do que um furto à residência, dada a impossibilidade de ter noção das informações que foram acedidas.

"Se fossem a minha casa e me roubassem bens materiais, seriam menos valiosos do que os bens imateriais. Se me roubam um cartão de crédito, eu posso substituí-lo e o assunto morreu. Agora, se me roubaram cartas de amor, eu não posso saber se um dia elas não vão aparecer. E é algo que eu não gostaria que acontecesse", reforçou.

Nesta terça-feira, José Miguel Júdice prestou depoimento no julgamento de Rui Pinto, que prossegue hoje. A sessão fica marcada pela forma como o advogado tratou Rui Pinto, chamando-lhe "ladrão".