Prolongamento
"Jesus é um subalterno. Se fosse dirigente do Benfica acabava já com o rodízio"
2021-12-06 10:45:00
"Um líder de um clube não pode admitir certas situações relativamente aos seus subalternos", avisou Jorge Castelo

Jorge Jesus está em final de contrato com o Benfica e o seu nome é apontado frequentemente ao Flamengo. Nas conferências de imprensa do Benfica, o treinador vem sendo questionado mas nunca colocou até agora uma 'pedra' em cima do assunto, coisa que para Jorge Castelo, treinador e antigo colaborador do Benfica, deveria obrigar algum dirigente encarnado a tomar medidas.

"Não sou dirigente do Benfica. Eu acabava já com o rodízio. Não custa nada dizer ao treinador, porque é meu subalterno, que sobre esse tema não diz mais uma palavra. Mas não diz mesmo", afirmou Jorge Castelo, realçando que não vê situação idêntica acontecer nos outros clubes. "Alguma vez o presidente do SC Braga admitia que o Carvalhal estivesse a falar com o Flamengo, como foi falado?", interroga o treinador, sustentando que as conferências de Jorge Jesus se assemelham a uma "bimby".

"Muitas vezes as conferências de imprensa parecem uma bimby. Mistura-se tudo lá dentro, fala de tudo, fala da Liga dos Campeões, do campeonato, do António, do marreco, do coxo", referiu sobre um tema, de resto, já mencionado por outros comentadores. "Comunicação do Benfica nunca conseguiu controlar porque Jesus não permite".

Para Jorge Castelo, seria simples instruir Jorge Jesus a falar apenas do jogo e indicar ao técnico que só deveria falar do jogo. "Acabou, é simples. Ou então manda para o presidente".

"Um clube com a dimensão do Benfica não pode estar sujeito a este tipo de situação. Um líder de um clube não pode admitir certas situações relativamente aos seus subalternos", avisou Jorge Castelo, fazendo notar que parece que Jesus está "acima" do Benfica.

"Muitas vezes, parece que o próprio treinador está acima do clube e isso não pode acontecer seja o treinador quem for. É uma questão de princípio. Jamais poderá estar acima do clube. Jamais. Poderá gerir muitos aspetos relativamente ao futebol, poderá tomar decisões, diz que não e dizer que sim."

Jorge Castelo lembra que já Bruno Lage sofreu com a incerteza relativamente ao cargo de treinador que paira atualmente no Benfica. "A pior coisa que aconteceu ao Lage foi exatamente estar sempre com aquela coisa do fantasma do Jorge Jesus. Vem aí, vem aí, vem aí."

Para o treinador, "dentro do plantel sabemos o que isso traz à cabeça dos jogadores". "Deixam de focar-se no líder. Cria confusão. Os jogadores vão pensar 'este já arranjou trabalhinho e nós ficamos a apanhar os cacos e a resolver o problema'".

Em declarações na A Bola TV, Jorge Castelo apontou ainda para a carreira que a equipa B encarnada vem fazendo na II Liga para questionar quem serão os jogadores que daquela equipa vão ter espaço no plantel principal.

"O Rui Costa é o presidente. Ele deve ter algum projeto. O edifício do futebol tem de ter coerência. A equipa B joga bem. Eu pergunto: quem são os jogadores que vão ser o futuro? Onde está a coerência?"