Prolongamento
"Isto tem de parar. Alguém tem que tomar medidas para que isto acabe"
2022-05-12 09:45:00
"Não acredito muito que o equilíbrio destas claques seja o Fernando Madureira", afirma ex-jogador Diamantino Miranda

O clima de tensão e medo no futebol voltam aumentar, isto numa altura em que os festejos do título do FC Porto ficam ensombrados por confrontos entre elementos afetos à claque dos Super Dragões que resultaram na morte de um dos adeptos na Alameda do Dragão, onde milhares de adeptos estiveram reunidos para festejar com a equipa portista após a conquista do 30.º título de campeão nacional.

No próximo sábado está agendada nova festa desta feita na Avenida dos Aliados com o autocarro da equipa a desfilar pelas ruas da Invicta até aos Paços do Concelho onde Rui Moreira, presidente da autarquia e portista confesso, irá felicitar os novos campeões nacionais de Portugal.

São esperados milhares de portistas nas ruas da Invicta, ainda que alguns confessem ter receio que o clima tenso que se vive, por estes dias, possa colocar em causa a segurança.

Diamantino Miranda, antigo jogador de futebol diz que "isto tem que parar". "E o futebol, que é aquilo que nós gostamos e amamos, não pode ser uma porta aberta, escancarada para toda esta gente também", lamentou Diamantino Miranda, criticando que ninguém faça "absolutamente nada" para travar o clima que se vive no futebol nacional.

"Esta coisa de desvalorizarmos muitas vezes este tipo de situações não leva a lado nenhum", afirmou o ex-jogador, aconselhando as entidades competentes a tomarem medidas.

"Eu se fosse agora adepto do FC Porto e uma pessoa responsável com netos e filhos eu não ia à bola. Eu não ia. Podiam dizer-me que estavam lá quinhentos mil polícias. Eu não ia. Tinha medo e isto tem que parar", insistiu Diamantino Miranda, apelando ao governo para tomar medidas em relação às claques.

"É altura do governo seja contra quem for, e o contra aqui não é contra alguém em específico ou um clube em específico, é a favor de quem gosta de futebol e de quem quer ir ao futebol, era altura ideal para o governo meter a mão nisto", apelou Diamantino Miranda, não excluíndo o papel dos clubes.

"Os clubes têm um papel. O primeiro papel que os clubes deveriam ter era esta gente ser expulsa dos estádios. Saber quem são, quem são os responsáveis, quem são os mais conflituosos, quem são os mais perigosos e não deixar entrar nos estádios. Não poderem ser sócios dos clubes. Esta gente não pode denegrir a imagem dos clubes", comentou Diamantino Miranda, em declarações na CMTV.

Insistindo na mesma ideia, o ex-jogador internacional português disse que "isto tem que acabar". "Alguém tem que tomar medidas para que isto acabe. Se não vamos andar todos os anos, todas as semanas a dizer que a Liga vai tomar medidas, a Federação Portuguesa de Futebol vai tomar medidas, o governo vai tomar medidas e chega-se ao ponto daquilo que estamos a falar em que as pessoas têm medo de ir ao estádio".

Por outro lado, Diamantino Miranda diz que não acredita que Fernando Madureira, líder dos Super Dragões, possa ser o 'fiel da balança' nesta situação.

"Eu não acredito muito que o equilíbrio destas claques seja o Fernando Madureira por muito respeito que eles possam ter ao Fernando Madureira, e devem ter, mas não acredito que seja ele a conseguir resolver este tipo de situação. Se ele fosse o equilíbrio e pudesse ser ele a resolver esta situação, estas coisas não tinham acontecido", concluiu.