Prolongamento
"Há uma mão protetora na justiça que permite a Vieira sair de fininho"
Redação
2021-04-06 22:40:00
Francisco J. Marques afirma que "andaram 15 anos para conseguir ilibar" Vieira da dívida ao BPN

O arquivamento de um processo contra Luís Filipe Vieira, por suspeitas de branqueamento de capitais, falsificação de documentos e burla qualificada, não surpreendeu Francisco J. Marques. O diretor de comunicação do FC Porto lembrou o que aconteceu na fase de instrução do processo E-Toupeiro para comentar o caso hoje revelado pelo jornal Expresso, segundo a qual o Ministério Público arquivou o caso de um empréstimo de 20 milhões de euros do já extinto Banco Português de Negócios (BPN) à Inland, uma empresa que chegou a ser controlada.

“Mais uma vez, a justiça portuguesa não consegue encontrar indícios. O Ministério Público concluiu que Luís Filipe Vieira não tem nada que ver com a Inland. Isto é novo para alguém? Não, isto foi que se passou no E-Toupeira, isentou-se o Benfica e a administração porque não tinham nada que ver com o Paulo Gonçalves”, comparou o dirigente portista, esta noite, no Porto Canal.

A decisão do Ministério Público, no entender de Francisco J. Marques, significa que vão ser os contribuintes portugueses a pagar a dívida de 20 milhões de euros que a Inland de Vieira não liquidou (de acordo com a notícia do Expresso) ao BPN. “Fiquei muito triste, porque ao ler a notícia percebi que aquilo significava que, ao mesmo tempo que Luís Filipe Vieira via o caso ser arquivado, eu e os meus concidadãos estávamos a ser condenados a pagar 20 milhões de euros, pois os contribuintes é que vão suportar os milhões que Vieira não pagou”, sustentou.

Numa alusão às várias investigações e casos visando o presidente do Benfica, o diretor de comunicação do FC Porto afirmou que existe “uma mão protetora” em torno de Vieira. “Este caso demonstra, mais uma vez, a incapacidade que existe em Portugal para atingir os poderosos. Luís Filipe Vieira está permanentemente metido em trapalhadas e permanentemente há uma mão protetora na justiça portuguesa que lhe permite sair de fininho”, acusou.

Para sustentar a ideia, o dirigente dos dragões lembrou que “a resolução do BPN foi “na primeira década” do século XXI, “em 2007 ou 2008”, pelo que o empréstimo à Inland “foi antes”. “Estamos na terceira década, andaram este tempo todo para conseguir ilibar Luís Filipe Vieira. Em 2021, o Ministério Público diz que não há provas. Só peço que me entreguem 10 milhões de euros e daqui a 15 anos venham a concluir que eu não tinha de os pagar”, acrescentou.

Sempre com a mira apontada ao presidente do Benfica, Francisco J. Marques recuperou o recente relatório do Departamento de Estado dos EUA sobre Direitos Humanos, no qual Portugal é citado devido a vários processos que correm na justiça, incluindo o caso Lex, no qual Luís Filipe Vieira é arguido. “Depois as pessoas admiram-se que os EUA façam um relatório com referências a Vieira. Para mim, seria de admirar era se não aparecessem”, concluiu.

Os argumentos apresentados por Francisco J. Marques já tinham sido utilizados, de uma forma muito mais sintética, por Ana  Gomes, num comentário sobre o caso da dívida da Inland ao BPN. “Paga, tuga! E não bufes, que à bolina zela a procuradora Bonina...”, escreveu a jurista, ativista contra a corrupção e ex-candidata à Presidência da República, no Twitter.