Prolongamento
"Gestifute de Alcochete domina intermediações no Wolverhampton", diz Rui Pinto
Redação
2021-04-01 11:45:00
Denunciante do Football Leaks desafia FPF a divulgar lista de comissões pagas

A federação inglesa de futebol divulgou recentemente o resultado das comissões de transferências que foram pagas pelos clubes que alinham na Premier League e revelaram, entre outras coisas, quais os emblemas que mais gastaram.

No período da pandemia, os clubes da Premier League gastaram qualquer coisa como 320 milhões de euros em comissões nas transferências para empresários e intermediários.

Nos clubes fora do chamado 'big six' (os grandes seis), o Wolverhampton, que conta com vários portugueses na equipa (jogadores, treinador e staff), foi um dos que mais dinheiro gastou em comissões, só ultrapassado pelo Everton.

De acordo com os dados revelados pela federação inglesa de futebol, o Wolverhampton gastou em contexto de pandemia 14 milhões de euros em comissões, menos dois milhões que os 'Toffees'.

Rui Pinto, ativista contra a corrupção e autor do portal Football Leaks, já reagiu a estes dados e lançou algumas considerações em direção a Alcochete.

"A Gestifute International Limited e a Talents Throne Lda (mais conhecida como a Gestifute de Alcochete) dominam de forma clara as intermediações relativas ao Wolves", escreveu Rui Pinto nas redes sociais.

Numa outra mensagem, o denunciante e autor do Football Leaks desafiou ainda Fernando Gomes a divulgar os números relativos a comissões que foram pagas pelos clubes portugueses.

"A Federação Portuguesa de Futebol ainda demora muito a publicar a nova lista de transacções e comissões dos intermediários?", questionou Rui Pinto.

O criador do Football Leaks continua assim atento e ativo aos casos que envolvem as transferências no futebol nacional e também internacional.

Em liberdade desde 7 de agosto “devido à sua colaboração” com a Polícia Judiciária (PJ) e ao seu “sentido crítico”, Rui Pinto, recorde-se, está, por questões de segurança, inserido no programa de proteção de testemunhas, em local não revelado e sob proteção policial.

Aos 32 anos, Rui Pinto enfrenta também um julgamento no âmbito do chamado processo Doyen no qual o hacker responde por um total de 90 crimes, sendo 68 de acesso indevido, 14 de violação de correspondência, seis de acesso ilegítimo.

Neste processo, Rui Pinto enfrenta entidades como o Sporting, a Doyen, a sociedade de advogados PLMJ, a Federação Portuguesa de Futebol (FPF) e a Procuradoria-Geral da República (PGR).

O gaiense está acusado ainda de sabotagem informática à SAD do Sporting e de extorsão, na forma tentada. Este último crime diz respeito à Doyen e foi o que levou também à pronúncia do advogado Aníbal Pinto.

À margem destas situações, Rui Pinto tem tentado apelar às autoridades portugueses para que criem cada vez mais uma legislação que seja capaz de dar proteção aos denunciantes de corrupção.

A figura do denunciante não existe no enquadramento judicial português, apesar de existir uma diretiva europeia nesse sentido desde 2019. Tendo essa indicação por base, Rui Pinto tem tentado apelar às autoridades nacionais que sigam o exemplo europeu.