Prolongamento
"O senhor Marcelo gosta mais de falar de Tancos", acusa Rui Pinto
Redação
2021-01-10 10:30:00
Rui Pinto comenta palavras do Presidente da República no debate com Ana Gomes

Rui Pinto, criador do Football Leaks, tomou este sábado uma posição em relação a um comentário de Marcelo Rebelo de Sousa, na RTP, no debate com a candidata presidencial Ana Gomes. 

Através das redes sociais, o hacker, que está a ser julgado no âmbito do processo Football Leaks, recorreu a uma expressão do Presidente da República para o acusar de preferir falar de Tancos, em detrimento de outros temas que, considera, “que não são importantes para Marcelo”.

“‘Não falo sobre tudo. Falo sobre o que é importante, estou próximo dos portugueses. Falo sobre aquilo que é importante para eles’”, começou por enquadrar Rui Pinto, citando as palavras de Marcelo. 

“A proteção de denunciantes e a exposição pública de crimes de branqueamento de capitais e fraude fiscal que acontecem com o auxílio dos principais escritórios de advogados e consultores são temas que não são importantes para Marcelo”, continuou. 

“Relembro que esses esquemas são responsáveis por 53 por cento do prejuízo fiscal cometido em Portugal a cada ano, de acordo com o relatório da Tax Justice Network. Ficou esclarecido, o senhor Marcelo gosta mais de falar de Tancos”, rematou. 

Marcelo Rebelo de Sousa, que admitiu “não haver alternativa a novo confinamento” em Portugal, debatia, na RTP, com a candidata presidencial Ana Gomes, figura central na defesa de atividades de Rui Pinto. 

Em recente entrevista à mesma estação televisiva, a ex-eurodeputada ‘defendeu’ o criador do Football Leaks, referindo mesmo que Rui Pinto “prestou um extraordinário serviço público ao país”

“O Rui Pinto está a ser julgado e é tarefa do tribunal apurar se as acusações têm fundamento. Eu digo que, indiscutivelmente, Rui Pinto prestou um grande serviço público ao país, denunciando aqueles que se valem do sigilo profissional para perverter a lei e instrumentalizar o sigilo profissional”, referiu.

Rui Pinto, de 31 anos, responde por 90 crimes: 68 de acesso indevido, 14 de violação de correspondência, seis de acesso ilegítimo, visando entidades como o Sporting, a Doyen, a sociedade de advogados PLMJ, a Federação Portuguesa de Futebol (FPF) e a Procuradoria-Geral da República (PGR), e ainda por sabotagem informática à SAD do Sporting e por extorsão, na forma tentada. Este último crime diz respeito à Doyen e foi o que levou também à pronúncia do advogado Aníbal Pinto.

O criador do Football Leaks encontra-se em liberdade desde 07 de agosto, “devido à sua colaboração” com a Polícia Judiciária (PJ) e ao seu “sentido crítico”, mas está, por questões de segurança, inserido no programa de proteção de testemunhas em local não revelado e sob proteção policial.