Prolongamento
“Fico contente que um miúdo tenha posto o mundo a olhar para futebol"
2020-10-15 12:35:00
Bruno de Carvalho espera que a informação divulgada por Rui Pinto leve "muita gente ao banco dos réus"

Bruno de Carvalho, antigo presidente do Sporting, elogiou o trabalho desenvolvido por Rui Pinto e salientou que o Football Leaks deve levar “muita gente e muita instituição ao banco dos réus”.

À saída do julgamento, no Campus da Justiça, em Lisboa, o ex-dirigente leonino confirmou ter retirado a queixa contra Rui Pinto por ter lançado “uma iniciativa que mexeu com o mundo”.

“O tribunal tem uma missão muito difícil de decisão [sobre a gravidade dos crimes cometidos pelo hacker]. Em termos de filosofia, fico contente que um miúdo de 30 anos tenha a iniciativa de pôr o mundo a olhar para o futebol, o setor bancário e a política, quando o mundo não devia precisar de um miúdo de 30 anos para o fazer”, sustentou Bruno de Carvalho.

As denúncias feitas por Rui Pinto através do Football Leaks permitem “perceber porque é que os países quase todos o vêem como um herói”, acrescentou.

“Se o que fez [acessos ilegítimos a sistemas informáticos] não foi muito bom, o resultado foi espantosamente bom”, frisou o ex-presidente do Sporting.

Daí a convicção de que Rui Pinto não poderá ser o único alvo da justiça.

“Perante o que ele descobriu , esperio ver muita gente e muita instituição no banco dos réus. Como cidadão, não quero nem ia entender que estas provas [do Football Leaks] não sejam aceites por terem sido obtidas da forma como foram”, afirmou Bruno de Carvalho.

O julgamento em curso é, assim, um “alerta” que merece encerrar com um resultado “moralizador”.

“Se houver processos contra quem ele denunciou e as pessoas forem condenadas, foi moralizador. Até lá, foi um alerta muito grande de que vivemos numa sociedade mundial com duas pandemias, a covid e a corrupção”, argumentou.

Ao depor em tribunal, o ex-dirigente defendeu que o contributo das denúncias feitas por Rui Pinto é superior ao impacto dos crimes que terá cometido para obter essa informação.

“O que ele apurou foi demasiado grave e importante, por isso é que as autoridades espanhola, alemã e francesa estão interessadas na sua colaboração. O tribunal tem que fazer um trabalho muito complexo de valoração, se houve ou não alguns crimes cometidos [por Rui Pinto]. É ver a relevância e a complexidade da informação que ele cedeu e chegar a um acordo”, concluiu.