Prolongamento
FC Porto acusa Benfica de ter informação privada de árbitros
2021-03-15 12:20:00
Caso dos emails começa a ser analisado novamente nesta semana

O caso dos emails conhece desenvolvimentos nesta semana, na qual arrancará a fase de instrução, e o Correio da Manhã, citado pelo Expresso, destaca, nesta segunda-feira, que a defesa do FC Porto vai alegar em tribunal que o Benfica tinha dados privados e informação detalhada da vida particular dos árbitros.

“Vemos que os assistentes não tiveram pudor em tomar conhecimento e guardar para si, sabe-se lá para quê, informações de natureza confidencial e privada, relativas à intimidade dos visados,” pode ler-se nos dados a que o Correio da Manhã teve acesso, citados pelo Expresso, que constam do processo.

O FC Porto aponta 'o dedo' ainda a Pedro Guerra, comentador desportivo e um dos nomes , que quis “manter toda esta informação de natureza sensível, íntima e privada” para usá-la "em seu proveito, através de chantagem ou pressão”.

O emblema portista alega ainda que Francisco J. Marques agiu neste caso dos emails com funções comparadas à de jornalista, função que chegou a desempenhar antes de assumir o cargo de diretor de comunicação portista.

A instrução do processo do caso dos emails, em que são arguidos o diretor de comunicação do FC Porto, Francisco J. Marques, o antigo diretor do Porto Canal, Júlio Magalhães, e um comentador, arranca a 17 de março.

A instrução, fase facultativa que visa decidir por um Juiz de Instrução Criminal (JIC) se o processo segue e em que moldes para julgamento, vai decorrer no Tribunal de Instrução Criminal (TIC) de Matosinhos, e foi requerida pelos arguidos, depois de o Ministério Público os acusar de violação de correspondência e de acesso indevido, por divulgarem conteúdos de emails do Benfica.

A inquirição, à semelhança das restantes sessões da fase de instrução, serão à porta fechada, exceto o debate instrutório.

Em fevereiro de 2020, o Ministério Público (MP), no Departamento Central de Investigação e Ação Penal (DCIAP), acusou Francisco J. Marques de seis crimes de violação de correspondência ou de telecomunicações, três dos quais agravados, e um crime de acesso indevido.

Júlio Magalhães está acusado de três crimes de violação de correspondência ou de telecomunicações, agravados, enquanto Diogo Faria, comentador no programa ‘Universo Porto – da Bancada’, do Porto Canal, através do qual foram revelados os conteúdos dos emails do Benfica, está acusado de um crime de violação de correspondência ou de telecomunicações e outro de acesso indevido.

Na acusação particular deduzida pelo Benfica são também imputados a Francisco J. Marques seis crimes de ofensa a pessoa coletiva agravados, cinco a Júlio Magalhães e um a Diogo Faria.

Entre 18 de abril de 2017 e 20 de fevereiro de 2018, ao longo de cerca de 20 programas do Universo Porto da Bancada, Francisco J. Marques “revelou cerca de 55 mensagens de correio eletrónico trocadas entre colaboradores do grupo Benfica e entre estes e terceiros”.

No processo dos emails, o Benfica alega que a divulgação de informação lhe afetou a credibilidade, prejudicando os seus interesses comerciais e chegando a provocar a queda de cotação das ações da Sociedade Anónima Desportiva.

Já o FC Porto tem vindo a defender-se, destacando que se limitaram a divulgar informação de interesse público, alegando que o correio eletrónico divulgado revelou práticas deturpadoras da verdade desportiva.