Prolongamento
"Estou à espera de um alerta CM. Se calhar vamos ter conclusões maquiavélicas"
Redação
2020-11-18 15:40:00
"Eu tenho um dedinho que suspeita", diz o diretor de comunicação dos dragões

Francisco J. Marques acredita que sabe quem terá estado por trás do caso Cashball mas, tal como Miguel Braga, do Sporting, diz que é preciso esperar para ver os novos desenvolvimentos do caso. Mas avisa que podem estar aí à porta revelações "maquiavélicas".

"Eu tenho um dedinho que suspeita. Mas como as minhas suspeitas não estão baseadas em factos, calo-me em relação a isso. Mas, se calhar, vamos chegar a conclusões muito engraçadas e muito maquiavélicas. Temos, para já, que esperar", disse Francisco J. Marques.

No Porto Canal, o diretor de comunicação dos dragões assumiu que "desportivamente" o FC Porto foi "muito prejudicado" na modalidade de andebol pois "uma magnífica geração" perdeu um campeonato. Mas, insiste, é preciso agora aguardar por desenvolvimentos.

Em relação às suspeitas que recaem sobre o Correio da Manhã, o diretor de comunicação Francisco J. Marques disse que isto é "muito, muito, muito engraçado".

"O Correio da Manhã no dia em que publicou a história do Paulo Silva [aparece a dizer] 'Sporting compra vitória do Benfica'. Tem uma coluna e uma nota editorial sobre o valor do jornalismo", recordou Francisco J. Marques, lendo esse editorial.

"Pelos vistos compraram uma determinada informação. Há escutas que o compravam. Estou à espera de um alerta CM sobre as escutas com entrevistas aos protagonistas. Eles trabalham lá os Octávios Ribeiros e as Tânias Laranjos".

Francisco J. Marques disse ainda que está à espera que a Entidade Reguladora para a Comunicação Social tome medidas sobre estas novidades que foram conhecidas nesta semana.

"Isto é grave e coloca em causa... o Estado português que a Cofina tenha uma licença televisiva? Isto não se pode fazer. Não se podem comprar entrevistas para incriminar pessoas. É uma vigarice maquiavélica que foi criada. Reparem, a Polícia Judiciária conseguiu chegar à conclusão que uma série de pessoas estavam implicadas e afinal não estão. Ok. Temos que acreditar que é verdade. E depois dizem que os senhores do Correio da Manhã fizeram isto assim, assim. Para estarem a dizer uma coisa destas estão muito seguras."

No caso Cashball, recorde-se, os arguidos foram ilibados por falta de provas, à exceção de Paulo Silva, empresário que foi denunciante do caso em março de 2018, quando revelou ao Ministério Público do Porto que tinha sido mandatado, através de intermediários, para, alegadamente, corromper árbitros de andebol e jogadores de futebol adversários de modo a favorecerem o Sporting em campo, segundo revelou a TVI.

Uma vez que o Sporting diz que ainda não foi oficialmente informado desta decisão, a reação a este caso foi apenas dada através de um comentário de Miguel Braga, responsável pela comunicação leonina, na Sporting TV.

Na terça-feira, recorde-se, a Tribuna Expresso apresentou mais dados sobre este caso Cashball e revelou ter tido acesso ao relatório final da Polícia Judiciária (PJ), realçando que o empresário Paulo Silva, único arguido do processo, recebeu 30 mil euros do Correio da Manhã, alegadamente com a finalidade de "dar uma entrevista sobre os alegados pagamentos corruptos a árbitros de andebol e jogadores de futebol".

Octávio Ribeiro, diretor do Correio da Manhã, considerou a alegação "uma loucura" e "surreal" e garantiu, em declarações ao Expresso, que "não paga, nem pagou por entrevistas ou declarações".

"Do orçamento do Correio da Manhã não saíram 30 mil, três mil, ou sequer três cêntimos", acrescentou Octávio Ribeiro, à mesma fonte.