Prolongamento
“Escroques dos negócios do futebol são ladrões”, escreve Ana Gomes
2020-10-28 10:20:00
Candidata a Presidente da República apoia Rui Pinto e usa o mesmo adjetivo para qualificar "negócios do futebol"

Ana Gomes volta a defender Rui Pinto e a atacar "os advogados, contabilistas, consultores e similares, que ajudaram a cleptocracia angolana, ou os escroques dos negócios do futebol, a branquear capitais e a driblar o fisco em Portugal". "São ladrões: do povo angolano e do povo português", defende a diplomata e candidata a Belém.

A ex-eurodeputada visa particularmente José Miguel Júdice, sócio fundador da sociedade de advogados PLMJ, que na 17.ª sessão do julgamento que senta Rui Pinto no banco dos réus usou esse adjetivo para qualificar o fundador do Football Leaks.

“Fui visitado por esse senhor, que só lhe posso chamar ladrão e que, com grande violência moral e psicológica, me veio furtar. Não posso admitir em circunstância alguma que um cidadão, ainda que fosse com aparentes motivos nobres, faça o que foi feito comigo. É totalmente inadmissível do ponto de vista ético ou jurídico”, afirmou ontem o antigo bastonário da Ordem dos Advogados, em tribunal.

E depois de ter sido chamado de "ladrão", por José Miguel Júdice, Rui Pinto reagiu, no Twitter, recordando alegadas ligações entre o advogado com personalidades como Ricardo Salgado, ex-presidente do BES, e Isabel dos Santos, envolvida no caso Luanda Leaks, denunciado pelo pirata informático.

"José Miguel Júdice lidou durante décadas com ladrões, que lhe encheram a conta bancária através de honorários milionários, e nunca se queixou", escreveu. "Acho um piadão a este ex-MDLP", continuou Rui Pinto.

Ana Gomes, que mantém um diferendo com Júdice em virtude das informações que foram tornadas públicas e que visam o advogado, volta à carga, sem citar o nome de Júdice. 

"Já lá diz a sabedoria popular: ladrão que rouba a ladrão tem cem anos de perdão...", refere, com ironia, defendendo Rui Pinto, como tem sido seu hábito, nas intervenções públicas da candidata à Presidência da República.

Mas a diplomata não se fica por aqui e dispara em direção do futebol, sendo que Luís Filipe Vieira é, por regra, um dos seus principais alvos. 

O julgamento de Rui Pinto continua hoje, a partir das 14h:00, com as audições dos advogados Miguel Reis, Diogo de Campos e Sandra Lopes e as secretárias Mónica Dias, Fátima Bulhosa, Ana Paula Bago e Isabel Mascarenhas, todos na condição de testemunhas e ligados à PLMJ.

Rui Pinto, de 31 anos, responde por 90 crimes: 68 de acesso indevido, 14 de violação de correspondência, seis de acesso ilegítimo, visando entidades como o Sporting, a Doyen, a sociedade de advogados PLMJ, a Federação Portuguesa de Futebol (FPF) e a Procuradoria-Geral da República (PGR), e ainda por sabotagem informática à SAD do Sporting e por extorsão, na forma tentada. Este último crime diz respeito à Doyen e foi o que levou também à pronúncia do advogado Aníbal Pinto.

O criador do Football Leaks encontra-se em liberdade desde 07 de agosto, “devido à sua colaboração” com a Polícia Judiciária (PJ) e ao seu “sentido crítico”, mas está, por questões de segurança, inserido no programa de proteção de testemunhas em local não revelado e sob proteção policial.