Prolongamento
"Dúvida razoável". Ministério Público arquiva processo contra Vieira
Redação
2021-04-06 12:00:00
Vieira era suspeito numa operação financeira com o BPN e uma empresa na qual era o líder

Luís Filipe Vieira viu o Ministério Público arquivar um processo no qual era suspeito de branqueamento de capitais e burla qualificada, num caso relativo ao já extinto Banco Português de Negócios (BPN). De acordo com o Expresso, o atual presidente do Benfica era suspeito de ilegalidades relativas a um empréstimo de vinte milhões de euros do BPN à Inland, uma empresa que chegou a ser controlada por Luís Filipe Vieira, que nunca terá sido liquidado.

Após as investigações, Luís Filipe Vieira viu o Ministério Público arquivar o caso, alegando existir uma "dúvida razoável" em relação às funções de Vieira que, quando foi chamado a prestar declarações, se remeteu ao silêncio, primeiramente, e, depois, alegou que apesar de ser o presidente do Conselho de Administração não tinha uma presença diária na empresa pelo que disse desconhecer as operações financeiras que estavam sob suspeita da justiça.

O Expresso teve acesso ao despacho de arquivamento do processo onde a procuradora Inês Bonina destaca que o Ministério Público teria de admitir "em abstrato" que Luís Filipe Vieira "terá tido conhecimento e até autorizado a concretização dos factos". No entanto, "a verdade é que os presentes autos" não permitiam "reunir prova relativamente ao modo como o arguido exercia tais cargos". Desse modo, entende o Ministério Público que "permanecendo uma dúvida razoável que não sendo preenchida com prova impõe o arquivamento dos autos".

Ainda de acordo com o despacho da procuradora, foi Manuel Almerindo Duarte, na altura sócio de Luís Filipe Vieira, que arcou com as responsabilidades e no entendimento do Ministério Público foi Almerindo Duarte que "agiu como elemento de ligação entre o grupo Inland, Luis Filipe Vieira, Oliveira Costa e Manuel Redondo, permitindo gerar uma relação de confiança".

O BPN, recorde-se, foi nacionalizado por José Sócrates, em 2008 mas acabou por passar novamente para as mãos da iniciativa privado, em 2012, no Governo de Pedro Passos Coelho. Na altura, o banco acabou por ser transferido para o então Banco BIC, hoje conhecido como Banco EuroBic. Ao longo dos últimos anos, recorde-se, o banco chegou a ser salvo pelos cofres do Estado e foi o dinheiro dos contribuintes que, ao ser usado, impedir perdas financeiras maiores.