Prolongamento
"Costa não pode dizer 'protejam tudo o que este senhor estiver a fazer'"
2020-09-14 10:40:00
Oliveira considera que apoio do primeiro-ministro a Vieira "é quase dizer 'eu estou a proteger este homem'" da Justiça

O envolvimento do primeiro-ministro António Costa nas eleições do Benfica esteve em análise neste domingo no programa Trio D’Ataque, da RTP3, discussão que ficou marcada por uma frase forte do antigo selecionador nacional, António Oliveira.

“Não é só aquela história do ‘não basta ser, é preciso parecer’. É preciso separar o trigo do joio. Junta-se agora a Cristina Ferreira. Só falta juntar um banqueiro e um homem de Justiça… E eu estou para ver se este naipe de cinco nos vai levar a mais algum lado”, começou por enquadrar António Oliveira.

O antigo técnico, comentador naquele programa, reprovou a decisão do primeiro-ministro, que a título pessoal integrou a comissão de honra de Luís Filipe Vieira, na candidatura à presidência do Benfica.

“O António Costa não pode – nunca, em circunstância alguma – achar que, se estiver numa sanita, não é o primeiro-ministro. Não pode. O primeiro-ministro tem muitas responsabilidades”, prosseguiu.

Enfatizando a presunção de inocência, António Oliveira destacou também que Luís Filipe Vieira “publicamente e judicialmente está a contas com algum indício que há alguma coisa que não estará bem do ponto de vista criminal”.

“E o primeiro-ministro não pode dizer à nação, ao estilo de um cheque em branco, ou espalda, dizer assim: ‘Meus senhores protejam tudo o que este senhor estiver a fazer, do ponto de vista da justiça, da arbitragem, do Governo’. Isto é quase a dizer ‘eu estou a proteger este homem, vejam lá, não o penalizem muito’. É a leitura que qualquer pessoa faz. E as pessoas estão cansadas do Governo, estão cansadas de injustiças. Há muita gente que quase não sobrevive. Não podemos brincar”, realçou o antigo selecionador nacional.

“Isto ultrapassa tudo o que eu imaginava”, considerando que “a política não se pode cruzar com o futebol”. Acresce que este apoio de António Costa a Luís Filipe Vieira

“ Não sei onde nos vai levar este caminho. Há grandes e graves consequências a retirar disto. O António Costa esteve muito mal. Muito mal. E não sei se vai retirar qualquer benefício desta situação, de dar a cara por alguém que está a contas com a Justiça, debaixo do teto da Justiça, independentemente de vir a provar-se ou não se tem ou não culpa. À mulher de César não basta ser séria, tem de parecer”, continuou.

António Oliveira pede um “ponto final” a “tudo o que está a acontecer neste país”: “Isto não é aceitável em circunstância alguma. É o meu ponto de vista, o ponto de vista de alguém que tem alguma ferrugem nisto que é o fenómeno do futebol, de tudo o que é lidar com massas. Há uma promiscuidade muito grande entre política e futebol”.

“Não podemos ser permanentemente acusados de que a Justiça é corrupta, os jornalistas são corruptos, não podemos viver num país assim. Alguém tem de pôr um ponto final nisto”, insistiu.

“Quem é que vai respeitar um primeiro-ministro que, no ativo, está a promover a campanha, associando-se a uma lista? O Benfica não precisa do primeiro-ministro para nada. O primeiro-ministro é que precisa do Benfica. Provavelmente, o candidato precisa. Mas isso é que não pode acontecer”, concluiu.

Pode ver essa declaração neste vídeo, a partir dos 14 minutos e 30 segundos.