Prolongamento
"Cheguei ao futebol e percebi que era o único burro”, diz Bruno de Carvalho
Redação
2021-01-15 15:40:00
Ex-dirigente diz que Frederico Varandas “fez de tudo” para provocar a queda da direção

Em entrevista na FM Café, Bruno de Carvalho acusou Frederico Varandas de ter sido “um dos motores” da queda da direção que o anterior presidente liderou. O ex-dirigente acusou o seu sucessor de ter feito “de tudo” para provocar eleições no Sporting. 

“Varandas fez de tudo para que eu caísse. Eu sempre pensei que eu era um homem inteligente. Mas cheguei ao futebol e percebi que era o único burro. Inteligentes são eles. Eu sou burro. Os homens com a primeira classe sabem tudo, eu que passei a vida a estudar não sei nada. Sou populista, sou demagogo, sou parvo, não sei, sou incendiário...”, ironizou Bruno de Carvalho, numa conversa emitida no Youtube. 

Bruno de Carvalho também critica Frederico Varandas por ter feito um “nivelamento por baixo”, no seu discurso, quando assumiu o cargo: “Uma coisa que sempre me irritou no Sporting e em Portugal: o discurso da tanga 

É recorrente na política e agora, com este senhor que está no Sporting, também se tornou recorrente. ‘É tudo mau, é tudo péssimo, era tudo um horror quando chegámos’. É o nivelamento por baixo. O que Frederico Varandas fez? Nivelou por baixo. ‘Eu, Varandas, não presto, mas o Bruno de Carvalho era muito pior’. Eu nunca aprendi isto. Nem enquanto pessoa, nem enquanto filho, nem enquanto profissional”, considerou. 

“Vinha o PS, dizia que o PSD deixou o país de tanga. Vem o PSD e diz que o PS deixou o país de tanga. Isto, para mim, não tem interesse nenhum. Se Frederico Varandas não se queria candidatar, não se candidatava. Mais: não tinha sido um dos motores da queda da direção”, complementou o ex-presidente leonino, que insiste que a recuperação financeira do clube é um mito.  

Segundo garante, essa recuperação estava feita antes de ter deixado Alvalade, com contratos que salvaguardavam o futuro do Sporting, em particular o acordo de cedência de direitos televisivos. 

Eu cheguei ao Sporting e não tinha dinheiro. Varandas chegou ao Sporting e tinha, no mínimo, um contrato de 515 milhões. Eu pergunto a qualquer gestor de Portugal se tinha a coragem de dizer que estava de tanga com um contrato de 515 milhões nas mãos”, refere. 

Bruno Carvalho compara os exercícios financeiros que herdou com aqueles que deixou, depois da sua saída. “Passei de 100 milhões negativos para 52 milhões positivos. O Sporting ia ter uma multa gigante, com o fair-play financeiro, e não teve. Fizemos o pavilhão, investimos nas modalidades, fizemos a Sporting TV, fizemos tudo e nunca adotámos o discurso da tanga”, refere ainda, nesta conversa. 

O argumento da “herança pesada” nunca fez sentido e foi usadpara, segundo Bruno de Carvalho, Frederico Varandas reforçar a sua posição perante os associados.  

"Varandas fez tudo para me tirar do Sporting e passa sempre o discurso da herança pesada. Nem as minhas ex-namoradas tiveram esta obsessão por mim. Isto é uma loucura, tem de ser... Isto é um mau gestor, mas ele nunca foi gestor. O problema foi quando os sportinguistas acharam que, para ser presidente, pode ser-se médico, tratador de relva... Ou seja, não é preciso ter capacidade de gestão. E substituir um gestor com provas dadas por um médico é de doidos. E porque é que ele anda com esse discurso? Porque sabe que não tem capacidade”, acusa. 

Numa conversa carregada de ironia, o ex-dirigente leonino lembra que “pessoas que não percebem nada de gestão não podem avaliar um gestor”. Bruno de Carvalho faz uma analogia para reforçar a ideia de que o resultado do seu exercício foi positivo, a todos os níveis. 

“Eu não vou avaliar um talhante. Não percebo nada de talhos. Posso dizer se o bife está bom ou mau. Mas, que eu saiba, sempre dei às pessoas bife tenrinho, a nível financeiro e desportivo. Sempre dei bife tenrinho. Mas as pessoas sempre se preocuparam com a minha indumentária, com as minhas intervenções no Facebook. Durante cinco anos e meio, dei tudo, 24 sobre 24 horas. E mais. Dei dinheiro ao Sporting. Dei resultados desportivos e financeiros”, enfatiza. 

A nível patrimonial, o clube está hoje dotado de infraestruturas de que não dispunha, ainda que pela frente possa ter de enfrentar problemas com a dívida. Bruno de Carvalho teme que a dívida à SAD possa ter de ser paga com ações. 

O Sporting tem, neste momento, dois bens: o pavilhão e as ações da SAD. E, um dia, vão ter de pagar a dívida à SAD com as ações desta. E perdem a maioria...”, diz. 

Numa análise à contratação de Rúben Amorim, Bruno de Carvalho faz elogios à direção, afirmando que Varandas “acertou em cheio no Rúben Amorim”. Porém, defendehá um fator que ajuda a explicar este sucesso da equipa, que lidera o campeonato:  

A partir do momento em que Varandas deixou de se meter no futebol e deixou para o Rúben Amorim, o Sporting começou a ter resultados. O problema eram as invenções do senhor Varandas. 

Bruno de Carvalho reclama méritos desportivos, durante os anos em que liderou o clube de Alvalade. E aproveita o raciocínio para atacar Jorge Jesus.  

Eu não sou tirei o Sporting do 12.º lugar para segundo. E desde que eu fiz a época completa, só não fomos à Liga dos Campeões com Jorge Jesus. Foi o treinador que fez com que eu não fosse à Champions”, conclui.