Prolongamento
Caso do ataque a jornalista "merece uma condenação categórica e falta isso"
Redação
2021-04-29 10:35:00
"Clubes têm obrigação de desincentivar violência e coação", refere Rogério Alves

Rogério Alves é presidente da Mesa da Assembleia Geral do Sporting e advogado e foi na qualidade de causídico que participou num debate na TVI 24 onde foi abordado o recente ataque a um repórter de imagem daquela estação de televisão, após o jogo do campeonato entre Moreirense e FC Porto. Rogério Alves deixou claro que, para se avaliar aquela situação, era necessário fazer uma análise sem o aspeto da clubite e entende que situações daquelas devem ser lamentadas por tudo e todos, com especial destaque para os clubes e figuras com impacto na opinião pública.

"Temos que despir as nossas camisolas que são conhecidas", esclareceu, prosseguindo com palavras de condenação para o episódio que foi transmitido pela televisão desde Moreira de Cónegos. "Todas as pessoas e entidades, como são os clubes e os seus responsáveis, que têm um grande impacto na opinião pública, têm a obrigação cívica de desincentivar a violência, de desincentivar a coação, de desincentivar a afronta aos direitos dos outros. Portanto, não se trata de entrar aqui na ramificação jurídica", deu conta Rogério Alves.

O advogado salientou ainda que se tratou de "uma situação totalmente condenável". "Antes de se lhe colocar uma roupagem jurídica qualquer e de se discutir na perifería e nos conceitos se foi isto, se foi aquilo, não há elementos disto, não há provas daquilo, o que percebemos é que é uma coisa que tem de ser evitada."

Na TVI 24, Rogério Alves acrescentou ainda que "as pessoas têm de ser livres e têm de aprender a dirimir os seus conflitos fora de qualquer quadro de violência ou de coação".

Questionado se as declarações de Pinto da Costa estão à altura do acontecimento que se verificou em Moreira de Cónegos, Rogério Alves referiu que o caso "merece uma condenação categórica e falta isso".

"Houve uma tentativa de dizer 'eu não vi, não estou a dizer que não foi crime'. Penso que faltaria aqui um suplemento. Independentemente das considerações sobre os detalhes que se conseguem ver e os que não se conseguem ver, estas situações têm de ser insofismavelmente condenadas", aconselhou Rogério Alves, destacando que se viu um ataque contra um jornalista em exercício de funções.

"Houve um jornalista que foi impedido de fazer o seu trabalho, foi coagido, foi afastado do local que tinha escolhido para estar a trabalhar e isso é sempre condenável antes de qualquer qualificação jurídica", detalhou Rogério Alves.

 "O que eu vi foi Pedro Pinho a tapar a câmara para não filmar. Não digo que houve ou não", disse Pinto da Costa na reação ao caso, em declarações que prestou no Porto Canal, na noite de quarta-feira, dois dias após o sucedido.

O presidente dos dragões explicou ainda aquilo que foi fazer quando se dirigiu às equipas de reportagem. "Limitei-me calmamente a perguntar se havia algum problema e depois apercebi-me que havia uma confusão", comentou, aproveitando a ocasição para esclarecer que quer ele quer o FC Porto são contra atos de violência. "Qualquer ato de violência, o FC Porto, como eu, censura, rejeita e não aceita. Sou contra a violência", destacou o líder dos portistas.