Prolongamento
"As autoridades não podem desaproveitar serviços como os que Rui Pinto fez"
Redação
2020-12-22 21:35:00
Ana Gomes defende que Rui Pinto "prestou um extraordinário serviço público ao país"

Ana Gomes, candidata à presidência da República, voltou esta segunda-feira a defender Rui Pinto, vincando que o ‘hacker’ prestou um “extraordinário serviço público ao país”, denunciando “aqueles que se fazem valer do sigilo profissional” para “perverter a lei” e orquestrar esquemas de “evasão fiscal”. 

“Rui Pinto está a ser julgado e é a tarefa do tribunal apurar se as acusações têm fundamento. Eu digo que, indiscutivelmente, Rui Pinto prestou um grande serviço público ao país, denunciando aqueles que se valem do sigilo profissional para perverter a lei e instrumentalizar o sigilo profissional”, defendeu. 

Em entrevista à RTP, a ex-eurodeputada sublinhou que a “justiça tem que ter os meios” para perseguir a criminalidade que se faz valer das novas tecnologias e deu o exemplo dos Panamá Papers para vincar exatamente a falta de meios de combate das autoridades. 

“A justiça tem que ter os meios para ir atrás dessa grande criminalidade que se vale das novas tecnologias de informação. A justiça não tem esses meios. Sabem quem é o autor dos Panamá Papers? Ninguém sabe”, começou por dizer. 

“É o tribunal que vai ter que apurar como é que o Rui Pinto teve acesso às informações que pôs cá fora através do Football Leaks e do Luanda Leaks. É um serviço público da maior importância que já permitiu a outros países recuperarem milhões”, continuou. 

Ana Gomes foi depois questionada se defende que essa justiça seja encontrada através de métodos alegadamente ilegais e, vincando novamente a responsabilidade dos tribunais, considerou que o Estado “não pode ser ingénuo” na utilização destas matérias. 

“Eu não defendo a ilegalidade. Quem tem que avaliar se houve ilegalidade é o tribunal, eu não os substituo. Aquilo que eu posso dizer é que há um extraordinário serviço público por se ter acesso a informações”, afirmou. 

“Estou a dizer que o Estado não pode ser ingénuo e permitir que determinados institutos, que são feitos para defender as pessoas, sejam pervertidos para pôr em causa o estado de direito. Defendo que as autoridades têm e não podem desaproveitar serviços como o que o Rui Pinto fez. O serviço público está lá”, rematou.

Rui Pinto, de 31 anos, responde por 90 crimes: 68 de acesso indevido, 14 de violação de correspondência, seis de acesso ilegítimo, visando entidades como o Sporting, a Doyen, a sociedade de advogados PLMJ, a Federação Portuguesa de Futebol (FPF) e a Procuradoria-Geral da República (PGR), e ainda por sabotagem informática à SAD do Sporting e por extorsão, na forma tentada. Este último crime diz respeito à Doyen e foi o que levou também à pronúncia do advogado Aníbal Pinto.

O criador do Football Leaks encontra-se em liberdade desde 07 de agosto, “devido à sua colaboração” com a Polícia Judiciária (PJ) e ao seu “sentido crítico”, mas está, por questões de segurança, inserido no programa de proteção de testemunhas em local não revelado e sob proteção policial.