Prolongamento
Amorim pode escapar à suspensão e abrir novo caso no futebol português
2021-04-14 10:05:00
Professor de Direito Desportivo explica que treinador do Sporting pode avançar com recurso

Rúben Amorim foi penalizado com uma pena de suspensão no período de 15 dias, na sequência da expulsão no recente duelo entre leões e Famalicão, que terminou empatado a uma bola, em Alvalade, e com confusão após o apito final. Por decisão do Conselho de Disciplina da Federação Portuguesa de Futebol, o treinador dos leões deverá perder os dois próximos jogos do Sporting no campeonato, ainda que exista a possibilidade de o técnico marcar presença no banco dos suplentes, caso opte por seguir uma via semelhante à que seguiu João Palhinha, recentemente.

Quando viu o quinto cartão amarelo no Estádio do Bessa, o centrocampista sportinguista acabou por conseguir jogar na jornada seguinte frente ao Benfica, evitando a suspensão, dado que entrou com um recurso em outros tribunais que suspenderam, na altura, a decisão automática do órgão disciplinar federativo. Agora, poderá estar na calha um novo caso no futebol português a envolver um elemento do Sporting, desta feita, Rúben Amorim.

Quem o diz é Lúcio Correia, professor e especialista em Direito Desportivo, realçando que Rúben Amorim poderá entrar com um recurso para o Tribunal Arbitral do Desporto (TAD), tentando assegurar um "efeito suspensivo" da pena que lhe foi aplicada durante esta semana pelo Conselho de Disciplina da Federação Portuguesa de Futebol. Este especialista em Direito Desportivo lembra que o efeito suspensivo só "será obtido através de uma providência cautelar", podendo, por isso, também Rúben Amorim recorrer ao Tribunal Central Administrativo do Sul para tentar evitar já o cumprimento da suspensão que lhe foi aplicada.

"De recurso em recurso, anda a justiça desportiva", destaca este professor de Direito Desportivo, ouvido pela Renascença, antecipando que poderá estar na calha novo imbróglio disciplinar que Lúcio Correia admite que deveria ser analisado de forma célere, sob pena de a suspensão não ser cumprida nesta época desportiva. E se assim for, o professor de Direito Desportivo vaticina que os adeptos podem começar a não levar a sério as decisões tomadas pelo Conselho de Disciplina, salientando que isto leva a que "um dia ninguém acredite na justiça desportiva, enquanto as sanções não sejam cumpridas na época em que os castigos saem".

Já em relação a João Palhinha, que foi admoestado com um cartão amarelo frente ao Famalicão e viu o Conselho de Disciplina, nesta semana, dar conta de que foi a sexta cartolina vista nesta temporada e não o quinta, como alguns juristas têm admitido, na sequência do recurso que o médio fez para o TAD, Lúcio Correia entende que seria útil à justiça e ao futebol que as decisões fossem aplicadas de forma mais rápida e na época desportiva a que se reportam. "Como ninguém cumpre com prazos, leva-me a acreditar que estamos perante uma situação muito singela, mas que marcará o futuro da justiça desportiva".