Clubes portugueses beneficiam dos jogadores que recebem por empréstimo
As possíveis chegadas de Doumbia e Fábio Coentrão ao Sporting, por empréstimo, levou o Bancada a analisar o saldo das cedências de jogadores aos principais clubes nacionais.
Spoiler: O saldo entre acertos e “flops” é positivo. Já lá vamos.
Nos últimos 10 anos, os três “grandes” têm recorrido, com frequência, ao empréstimo de jogadores que pertencem a outros clubes. Desde 2007, o Benfica recebeu 15 jogadores por empréstimo, o Sporting, 21, e o FC Porto, 13. Em média, os três clubes recebem mais do que um jogador emprestado em cada temporada.
A discussão é antiga e o povo diz muitas coisas sobre empréstimos. Diz, por um lado, que “quem empresta, nem para si presta”, que “dinheiro emprestaste, inimigo ganhaste” ou que “se queres saber o valor dum cruzado, vai pedi-lo emprestado”. Diz-se ainda que “mulher, arma e cavalo de andar, nada de emprestar”. Mas e jogadores, são para emprestar?
A estratégia dos empréstimos não é aceite de forma unânime, em Portugal, nomeadamente quando se fala dos três principais clubes. Por um lado, é certo que permite ao clube beneficiar do rendimento desportivo do jogador, sem, na maioria dos casos, ter de pagar por isso. Associada a este facto, está ainda a questão do baixo risco: se o jogador render e existir uma opção de compra, o clube pode contratar o atleta. Se não render, recebe “guia de marcha” e ficam amigos como dantes.
Por outro lado, há quem defenda que não faz sentido um clube da dimensão dos três grandes estar a valorizar, “à borla”, jogadores de outros clubes. Este último cenário é mais evidente no caso do Benfica. Jogadores como Miccoli, Reyes, Salvio ou Siqueira deram o seu contributo desportivo e, no final do empréstimo, não obstante o interesse do clube em ficar com eles, acabaram por ter de partir.
Mas, afinal, os clubes portugueses têm, ou não, beneficiado dos empréstimos? A resposta é sim. Vamos a contas.
Dos 49 jogadores que chegaram, por empréstimo, aos três principais clubes, 24 podem ser considerados evidentes casos de sucesso. O número parece pouco entusiasmante, mas devemos ter em conta que, desses 24, mais de 50% acabaram por jogar novamente nos clubes portugueses. Um número elevado e que atesta a qualidade que os jogadores demonstraram, numa perspectiva, e a capacidade dos nossos clubes de os “segurarem”, noutra.
Numa análise superficial – e considerando apenas os casos de claro sucesso – poder-se-á dizer que o FC Porto é o clube que melhor rentabiliza esta estratégia de mercado e que melhor aproveitamento tem feito dos jogadores que recebe por empréstimo.
Dos 13 jogadores que chegaram ao Dragão, por empréstimo, nos últimos 10 anos, nove (quase 70%) revelaram-se apostas certeiras. Desses nove, quatro (Fucile, Mariano Gonzalez, Layún e Oliver Torres) acabaram mesmo por ser adquiridos em definitivo.
Já no Benfica é justo falar-se de um rácio de oito acertos em 15 tentativas (mais de 50%). Em destaque estão os casos de David Luiz e Mitroglou, que foram adquiridos pelo clube, de Miccoli, que ficou mais um ano, e de Salvio, que regressaria em definitivo duas épocas depois do empréstimo.
Por fim, o Sporting é o clube que tem o registo mais cinzento, sendo o único com percentagem de acerto abaixo dos 50% (sete acertos em 21 jogadores). Izmailov, Grimi e Ewerton foram os que mais convenceram no clube, bem como Nani e, mais recentemente, Coates.
Cinjamo-nos, agora, aos negócios do mercado de inverno. Janeiro serve, geralmente, para os clubes fazerem pequenos ajustes nos seus plantéis e o Sporting é quem melhor tem sabido mexer-se nesta fase. Em quatro empréstimos (Xandão, Ventura, Ewerton e Coates), apenas o guarda-redes pode ser considerado um falhanço, sendo que Xandão não ficou no clube em definitivo, mas fez 40 jogos pelo clube leonino.
O Benfica, por sua vez, tem um aproveitamento de 50% (sucesso com David Luiz e falhanço com Derlei), embora, no mercado de inverno, recorra pouco a esta estratégia. O FC Porto, também com poucas tentativas, ainda não conseguiu acertar nas cedências de inverno (Andrés Madrid e Liedson).
Vamos dissecar, nas próximas páginas, os empréstimos de Benfica, FC Porto e Sporting.