Depois de um início de época apagado, Yusupha é titular no Boavista há cinco jogos e bisou na última jornada da Liga.
Yusupha Njie. Já ouviu falar? Caso não, prepare-se porque o avançado de 24 anos pretende deixar marca no Boavista e já o começou a fazer, com o bis apontado na última jornada do campeonato, diante do Vitória de Setúbal. O jogador dos axadrezados tem uma pesada herança para carregar, pois é filho de Biri Biri, um autêntico herói de culto do Sevilha FC nos anos 70, “mítico” como já o apelidou o Sport, considerado o melhor jogador do milénio da Gâmbia e deu ainda nome aos ultras do clube andaluz.
Porém, a história de Yusupha ainda está bem longe de ser similar à do pai. Chegado ao Boavista nesta temporada, a primeira experiência do avançado no futebol europeu tem sido pautada por um percurso em crescendo, ainda que com passos curtos. Por empréstimo do FUS Rabat nos axadrezados, Yusupha fez apenas o primeiro encontro como titular no final de outubro de 2017. Apesar de ainda só somar dez jogos realizados pela pantera, o atacante de 24 anos ganhou a titularidade na 20.ª jornada do campeonato, frente ao Marítimo, e não mais a deixou fugir. Desde então, são já cinco partidas a ser escolha inicial de Jorge Simão, coroadas com três golos, dois deles no mesmo jogo. Além disso, Yusupha somou todos os 90 minutos dentro das quatro linhas desses cinco respetivos compromissos.
Ainda está pouco familiarizado com Yusupha? Vamos então à pesada herança que carrega na carreira futebolística. Para isso temos que recuar até aos anos 70, mais precisamente à temporada 1973/74. Depois de passar por Derby County e pelos dinamarqueses do B.1901, Alhaji Momodo Njie chegou ao Sevilha FC, clube que disputava no momento o segundo escalão espanhol. Entre 1973 e 1974, o avançado conhecido como Biri Biri teve um impacto significativo no emblema andaluz, contribuindo de forma ímpar para a subida ao principal escalão do país vizinho. No total, disputou 99 encontros pelo Sevilha FC, nos quais marcou 32 golos, mas foi bem maior o legado global que deixou do que os golos. Desde cedo se converteu no favorito dos adeptos e os ultras do clube adotaram, inclusive, o nome “Biris Norte” como homenagem. Na Gâmbia, país natal, Biri Biri chegou a ser Ministro do Desporto, depois de terminar a carreira e, atualmente com 69 anos, recebeu a Ordem de Mérito e foi considerado o “melhor futebolista de todos os tempos” da nação africana.
Do pai para o filho, Yusupha passou despercebido no campeonato português até às últimas jornadas, sendo que chegou ao clube com uma internacionalização pela Gâmbia e o único clube anterior ao FUS Rabat, de Marrocos, tinha sido o Real de Banjul, do seu país natal. Pelo setor ofensivo do Boavista já passaram vários jogadores esta temporada e agora é a ver de Yusupha assumir lugar entre as opções iniciais de Jorge Simão. Tal como o próprio treinador já deu conta, não procura apenas avançados que saibam fazer os golos, mas também que não descurem as tarefas defensivas. Resta saber se Yusupha está preparado para conseguir igualar ou aproximar-se da carreira que Biri Biri ainda conseguiu concretizar.