Portugal
"VAR permite muitos penaltizinhos, não pode dizer que há 10 por cento de toque"
Redação
2021-04-06 18:55:00
Cândido Costa afirma que "não há um ‘intensómetro’" para avaliar o toque sofrido por Rafa no Benfica-Marítimo

A grande penalidade de Hermes sobre Rafa, no Benfica-Marítimo, está a dominar a atualidade desportiva, em particular depois da troca de ‘bocas’ entre o clube da Luz e o SC Braga. Isto porque os minhotos criticaram o penálti “a pedido”, após várias intervenções públicas do Benfica a realçar não ter qualquer grande penalidade a favor nas primeiras 24 jornadas do campeonato.

“Qual rádio regional, o disco foi pedido tantas vezes, que acabou por ser tocado. Terrivelmente desafinado, mas tocado. E isso é o que interessa para manter, por agora, o alinhamento do pódio. Para memória futura, a ‘isto’ chama-se penálti Portugal”, escreve o responsável pela comunicação do SC Braga, Alexandre Carvalho. Na resposta, o Benfica enalteceu o facto de Waldschmidt ter atingido os dez golos (a melhor marca da carreira) ao cobrar... esse polémico penálti frente ao Marítimo.

“Fê-lo de penálti, o primeiro de que o Benfica beneficiou na Liga 2020/21. Foram necessárias 25 jornadas para que, finalmente, uma falta evidente sobre um nosso jogador na área adversária fosse sancionada com grande penalidade”, salientou o Benfica, numa ‘resposta’ às acusações bracarenses.

Toda esta polémica acontece porque o lance entre Hermes e Rafa pode ser interpretado consoante a ‘vontade’ de quem vê, defendeu Cândido Costa. “É um lance muito específico. Aquele pequeno toque permite a quem olha ver que há motivo para penálti, se quiser que haja, ou que não era suficiente, se quiser que não haja penálti”, explicou o ex-jogador e ex-treinador.

Assumindo ver nesse lance “um toque e motivo para grande penalidade”, Cândido Costa acrescentou que o videoárbitro (VAR) fica de certa condicionado na interpretação destes casos, pois “não há ali um ‘intensómetro’” para aferir a intensidade do contacto. “O VAR também trouxe isto, permite muitos penaltizinhos, não pode dizer [ao árbitro] que há 10 por cento de toque”, reforçou, no comentário para a TVI24.

Nessa análise ao “contacto” entre Hermes e Rafa, não sendo possível medir a intensidade, há que respeitar a decisão tomada pelo árbitro, que interpretou o lance como sendo motivo para grande penalidade. “Permite que a decisão de Luís Godinho prevaleça”, frisou. Na conversão do castigo, Waldschmidt marcou o golo que a vitória ao Benfica sobre o Marítimo.

Cândido Costa, que enquanto jogador foi orientado por Jorge Jesus, abordou ainda as palavras do treinador do Benfica sobre o lance. Na conferência de imprensa após a partida com o Marítimo, Jesus afirmou que os jogadores do Benfica “são purinhos”, pois “não sabem” cair de forma a dar “a sensação” de que houve penálti “claríssimo”. “Ele desequilibrou o Rafa, não tenho dúvida nenhuma que é penálti. Outros jogadores caíam logo ali e dava a sensação que era claríssimo, mas os jogadores do Benfica não sabem fazer isso. Os jogadores do Benfica são purinhos a jogar”, disse Jorge Jesus.

“Isto é Jesus na sua plenitude. Os jogadores do Benfica são tao purinhos como os do Sporting e os do FC Porto”, finalizou Cândido Costa.